Estiagens

Dom Aldo Di Cillo Pagotto

Arcebispo Metropolitano da Paraíba

Como conviver no semiárido nordestino enfrentando as secas e estiagens prolongadas que ameaçam, interferem e praticamente impedem o desenvolvimento integral na Paraíba? Só há futuro com energia, água, planejamento e investimentos nas atividades produtivas. Nossa esperança se aviva na certeza de receber as águas do Rio São Francisco, pressupondo a nossa mobilização em torno das potencialidades produtivas.

Em vários municípios ainda dependemos de carro-pipa, sinônimo do atraso imprevidente. Sequer há água para uso humano e animal. Pensemos nos pequenos e médios produtores que plantam aos primeiros sinais de chuva para em seguida lamentar a inclemência do sol esturricando tudo?

A ironia da vida leva-nos às chuvas atípicas, às enxurradas destrutivas de tudo o que encontra pela frente. Inundação, perda total, desabrigados, despossuídos.

Tanto as estiagens quanto as águas excessivas geram catástrofes previstas, anunciadas. O fenômeno não é excepcional. É condição para se conviver no semiárido, contando com o planejamento de políticas de desenvolvimento. O fenômeno não se submete à improvisação nem ao corpo mole de gestores despreparados.

O que está em jogo é uma série de políticas permanentes que viabilizem a convivência dos nordestinos com o bioma semiárido! Quais seriam as eventuais alternativas produtivas evitando perdas que provocam desânimo e desistência? Cabe ao poder público o planejamento e o envolvimento dos produtores do setor primário, criando um fórum permanente para adequar convivência humana e produção no semiárido.

Nesse sentido a Paraíba reorganiza-se. Está previsto um seminário “Águas do Rio São Francisco na Paraíba – sustentabilidade sócio-econômica- ambiental” para o Dia Mundial das Águas (22 de março). A apresentação de ações programáticas equivale a um planejamento a ser executado com obras estruturantes. Estas, por sua vez, não se esgotam no prazo de um governo e sim se prolongam como políticas de Estado.

É preciso superar a cultura da improvisação compreendendo a missão do Estado envolvendo os cidadãos, desde a escola num sistema de ensino, aprendizado e habilidades. As universidades podem e devem contribuir nesse mesmo sentido, pela extensão de pesquisas e experiências.

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