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A carta aos Hebreus

A Carta aos Hebreus não foi escrita por São Paulo e não é uma carta. Nela o autor fala (2,5; 5,11; 6,9; 8,1; 9,5; 11,32), não escreve, e mantém um tom oratório. É na realidade uma pregação escrita, destinada a ser falada. O fim da carta (13,22) dá a impressão de uma verdadeira carta escrita por Paulo, no entanto trata-se de um sermão cristão, da era apostólica, obra de um discípulo ligado ao pensamento paulino.

No capítulo 13,24 se lê que “os da Itália vos saúdam”. O que significa de fato “Itália” aqui? A indicação é vaga. Não sabemos onde a carta foi escrita. O autor conhece as tradições judaicas e se refere à liturgia do Templo como uma realidade ainda atual. O texto pode ter sido escrito por volta do ano 70, ano da destruição de Jerusalém e do Templo. Em nenhum lugar da carta se lê que ela foi escrita aos Hebreus. Esta tradição é antiga, pois vem do século II. Para entender a carta, os destinatários deviam estar bem a par das tradições e dos costumes dos judeus. Poderiam ser judeus convertidos, com dificuldades de fazer a passagem da Primeira para a Aliança definitiva.

A carta pode ser lida em seis partes. Há uma introdução (1,1-4), seguida dos temas “O Filho de Deus é superior aos anjos” (1,5-2,18), “Jesus, Sumo Sacerdote fiel e misericordioso” (3,1-5,10), “O Sacerdócio de Jesus Cristo” (5,11-10,18), “A fé perseverante” (10,19-12,29), e uma conclusão (13,1-25).

O tema central da pregação é Cristo Jesus, sumo sacerdote da nova aliança, que por sua morte alcançou o perdão dos pecados uma vez por todas. Tudo converge para ele. A humanidade é chamada a entrar no seu repouso percorrendo o itinerário que passa pela conversão, pela fé perseverante, pelo aprendizado da palavra de Deus e pela vivência da caridade fraterna. Unido a Cristo e integrado na comunidade, o cristão oferece a Deus por sua vida um continuo culto de louvor. O plano da salvação já está realizado. Esperamos pelo último ato, quando tudo for definitivamente submetido a Cristo.

A grande novidade da Carta aos Hebreus é o título de sumo sacerdote dado a Cristo. É o único texto do Novo Testamento que chama Cristo de sumo sacerdote. Os Evangelhos, os Atos, as Cartas, o Apocalipse nunca dizem que Jesus é sacerdote. Os primeiros cristãos não usavam a palavra “sacerdote”. A expressão era própria dos pagãos e dos judeus. Os cristãos não tinham sacerdotes como os judeus e os pagãos. Eles tinham supervisores, anciãos, servidores. Não havia entre eles nomes de hierarquia. A palavra hierarquia vem do grego “hiereus”, que significa sacerdote. É verdade que já no segundo século os cristãos começam a dizer que têm sacerdotes, altar e sacrifício. Mas isso aconteceu porque precisavam se defender de acusações de ateísmo, e também para se fazerem compreender pelos outros.

A Carta aos Hebreus chama Jesus de sumo sacerdote, mas sem confundi-lo com o sumo sacerdote conhecido dos judeus. A expressão aparece pela primeira vez em Hb 2,16-18. O texto afirma primeiro que Jesus não veio ocupar-se com anjos e sim com a descendência de Abraão. Por isso, conclui, “ele teve que se tornar em tudo semelhante aos irmãos”: não um “sacerdote” segregado, separado, diferente dos outros. “Para ser um sumo sacerdote misericordioso e confiável”: as duas expressões “misericordioso e confiável” caracterizam o sacerdócio de Cristo. É possível confiar nele porque ele é misericordioso. No episódio do bezerro de ouro, Moisés pediu que Deus perdoasse o povo, e Deus perdoou. Depois Moisés deu espadas para os levitas que mataram três mil homens e disse que naquele dia ele lhes tinha conferido a investidura, ou seja, naquele dia foram ordenados. O sacerdote da nova Aliança não recebe espada porque é misericordioso. “Para expiar os pecados do povo”: porque, vai dizer o versículo 18, naquilo em que ele mesmo foi provado, ele pode socorrer os que são postos à prova (cf 4,15).

Jesus é o sacerdote plenamente identificado com o povo, em nada diferente de ninguém, “exceto no pecado”, que compreende o que o povo passa por ter passado a mesma coisa, que não veio para atormentar ninguém, mas para mostrar o coração misericordioso e confiável de Deus.

Cônego Celso Pedro da Silva

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