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A carta a Tito

Era um pagão de origem grega. Convertido, tornou-se amigo e colaborador de Paulo e de Barnabé. Presidiu a Igreja em Creta. Entre as cartas paulinas há uma dirigida a ele enquanto bispo de Creta, com a finalidade de orientá-lo e exortá-lo em seu trabalho pastoral.

Tito é mencionado na Carta aos Gálatas (2,3) na qual se lê que ele não foi obrigado a ser circuncidado quando se converteu ao cristianismo. Na Segunda aos Coríntios ficamos sabendo que ele tinha um encontro com Paulo em Trôade, quando Paulo ia para a Macedônia (2Co 2,13), mas o encontro não aconteceu, o que deixou Paulo preocupado. Eles se encontraram mais tarde na Macedônia, quando Tito voltava com boas notícias de uma missão em Corinto (2Co 7,6.13). Paulo o chama de irmão e colaborador e o faz seu delegado junto aos coríntios por ocasião da coleta em favor dos irmãos de Jerusalém (2Co 8, 16-18.23). Tito é ainda mencionado na Segunda a Timóteo, numa viagem que fez a Dalmácia (2Co 4,10).

A carta aparece como de Paulo a Tito, que está na ilha de Creta. Na realidade é uma carta atribuída a Paulo que contém uma exortação a quem preside uma comunidade cristã. Deve ter sido escrita por um cristão de tradição paulina, depois da morte de Paulo, quando a Igreja já estava se organizando e começava a ter os primeiros problemas de doutrina e unidade. É bem parecida com a Primeira a Timóteo.

Ela fala mal dos habitantes de Creta, mas o faz com uma citação de Epimênides de Cnossos, um poeta do século 6º antes de Cristo, nascido em Creta. Ele está falando de seus conterrâneos, e diz que “são sempre mentirosos, animais ferozes e comilões vadios” (Tt 1,12). Nós nos lembramos do nosso Padre Antônio Vieira, no sermão do Quinto Domingo da Quaresma, em 1654, na igreja Maior de São Luís do Maranhão, que dizia que “no Maranhão até o sol e os céus mentem”, e “que a grande verdade é que no Maranhão não há verdade”. À semelhança do autor da carta a Tito, Pe. Vieira se mostra aborrecido com o que acontece no Maranhão da sua época, e não teme afirmar que a letra M significa: “M - Maranhão, M - murmurar, M - motejar, M - maldizer, M - malsinar, M - mexericar, e, sobretudo, M - mentir: mentir com as palavras, mentir com as obras, mentir com os pensamentos, que de todos e por todos os modos aqui se mente”. Cretenses e maranhenses terão hoje dificuldade em ler estes textos, que acabam valendo para muitos outros lugares e pessoas.

A carta a Tito contém três capítulos nos quais primeiro se lê uma introdução seguida das qualidades que devem ser encontradas num “ancião” (1,1-9); em seguida, Tito é exortado a repreender firmemente os falsos doutores (1,10-16), e a orientar as diversas categorias de pessoas existentes na comunidade para que cumpram o seu dever e honrem a fé que professam (2,1-10). Tudo isso tem sua razão porque a graça de Deus que se manifestou espera de quem crê uma vida santa, e lhe dá os meios (2,11-15). Esta graça de Deus nos salvou da corrupção, por isso devemos praticar as boas obras e ser submissos às autoridades (3,1-11). A carta termina com recomendações e comunicações pessoais (3,12-15).

As listas de qualidades e defeitos de quem trabalha na comunidade nos fazem pensar, mas nós nos sentimos também muito tocados quando ouvimos que um discípulo missionário leva “os eleitos de Deus à fé e ao conhecimento da verdade” (1,1). Quando faz uma pregação da Palavra de Deus, deve ele ser capaz de transmitir bem o ensinamento de Jesus e explicá-lo a quem não o compreende ou não o aceita (1,9). A carta nos exorta ainda a não negar Deus com os nossos atos. Dizemos que Deus existe, que somos consagrados a ele, mas, o que fazemos pode dizer o contrário e negar a existência de Deus.

É desta carta a passagem que lemos na aurora do Natal sobre a bondade de Deus e seu amor por nós que se manifestaram quando ele nos salvou, não por merecimento nosso, mas por sua misericórdia. Ele nos lavou e nos renovou pelo Espírito Santo que foi derramado em nós. Assim fomos justificados e nos tornamos herdeiros da esperança da vida eterna (cf. 3,4-7).

Cônego Celso Pedro da Silva

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