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A Assembleia de Jerusalém

Houve uma reunião de Apóstolos e Anciãos em Jerusalém para o estudo das primeiras grandes controvérsias que começavam a surgir entre os cristãos. Na realidade houve duas reuniões por causa de dois assuntos parecidos, mas diferentes. Um dizia respeito a Pedro e sua visita ao pagão Cornélio em Cesaréia Marítima. O outro se referia à atividade pastoral de Paulo e Barnabé entre os pagãos. Podemos ler o relato das duas reuniões que foram juntadas numa só no capítulo 15 dos Atos.

São Pedro tinha sido chamado por Cornélio, um militar pagão que residia em Cesaréia, sede do governo romano na Terra Santa. Pedro foi à casa de Cornélio e lá pode presenciar a ação do Espírito Santo sobre uma família de pagãos. Foi por ordem de Deus que Pedro entrou na casa de um não judeu e não teve dúvida em recebê-lo na comunidade dos cristãos administrando-lhe o santo batismo. Ora, os irmãos de Jerusalém, todos de raiz profundamente judaica, não imaginavam que pagãos pudessem participar com eles da mesma fé. Um judeu nem entrava na casa de um pagão, e Pedro não só entrou na casa de Cornélio como também o batizou. Explicando aos irmãos de Jerusalém o que tinha acontecido, Pedro disse que Deus concedeu o Espírito Santo aos pagãos assim como tinha concedido aos judeus. Disse também que Deus não faz distinção entre judeus e pagãos e a todos purifica pela fé. Naqueles dias, alguns pensavam que a comunidade de Jesus se destinava somente aos judeus. A entrada de um grupo pagão em Cesaréia levantou a questão da convivência com novos irmãos de origem pagã. Já no seu início o cristianismo se torna católico e se abre para o mundo todo sem distinção de povos e nações. Desde o início, os cristãos devem aprender a conviver com o diferente e aceitar que a semente do Evangelho brota em terrenos culturalmente diversificados. Nenhuma Igreja é nacional e a Igreja não é identificada por uma língua ou por uma cultura.

A admissão de pagãos entre cristãos de origem judaica levantou outra questão que foi tratada especificamente em relação ao trabalho de Paulo. Os novos cristãos de origem pagã deviam ou não passar pelas observâncias mosaicas? Paulo e Barnabé não impuseram aos pagãos nenhum preceito judaico, sobretudo não pediram aos homens que se deixassem circuncidar. Os de origem judaica por um lado não se sentiam bem com os incircuncisos, e por outro temiam uma invasão indiscriminada de pagãos no judaísmo. Nos primeiros tempos ser cristão e ser judeu era um pouco a mesma coisa, por isso alguns achavam que era preciso ser circuncidado para se salvar porque a circuncisão era o sinal da pertença ao povo da Aliança. Para Paulo, a entrada na Aliança se faz pela fé em Jesus Cristo. A discussão estava começando e se desdobrando em temas teológicos importantes para a vida da Igreja nascente. Paulo é claro e firme. Basta Jesus Cristo. Tudo o mais é bem-vindo se ajudar a aderir mais fortemente a ele. Podemos precisar de uma ajuda, de um professor, de um orientador, e os preceitos da Lei mosaica podem ter esse papel, mas é sempre um papel secundário. O papel principal é o da fé em Jesus Cristo.

A questão era também complexa do ponto de vista judaico. Para os romanos, quem era circuncidado era judeu, e gozava de privilégios religiosos no império. Circuncidar pagãos que não pensavam tornar-se judeus e sim cristãos e que não conheciam as tradições de Israel enfraqueceria o judaísmo diante dos romanos. É verdade que muitos pagãos convertidos estavam sendo iniciados no judaísmo, mas, uma vez cristãos, não iriam dar a sua vida pelo judaísmo enquanto expressão de uma cultura e de uma nação. São Tiago, cabeça da Igreja de Jerusalém e também judeu convicto, percebeu que não era conveniente fazer entrar no “judaismo”, aos olhos dos romanos, quem não tinha convicção judaica. Em seu discurso na reunião apostólica, Tiago dirá a todos: “Pessoalmente julgo que não se devam molestar aqueles que dentre os gentios se convertem a Deus” (At 15,19). Numa Igreja viva surgem questões, que são discutidas e encaminhadas.

Cônego Celso Pedro
Arquidiocese de São Paulo

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