Família e escolha da vida

À luz da CF/2008, em Defesa da vida, a Semana Nacional da Família, no período de 10 a 17 de agosto, segue o mesmo caminho, em favor da vida e da família que devem sempre estar entre nossas escolhas fundamentais. A Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família e a Comissão Nacional da Pastoral Familiar da CNBB têm consciência da necessidade de preservar valores essenciais na vida das pessoas e na sociedade, entre os quais está a família, cujos vínculos nascem de compromissos assumidos pelos católicos, mediante a celebração do Sacramento do Matrimônio, e por aqueles casais que realizam o Contrato Civil. Por ser uma ação pastoral da Igreja Católica no Brasil, o conteúdo da Semana Nacional da Família fala, imediatamente, às famílias católicas, no entanto, a sua proposta é acolhida por todos que vêem a família como instituição geradora da vida; essa família é constituída pelo esposo, que se sente plenificado como pai, pela esposa, que realiza sua vocação de mãe, e pelos filhos que trazem, em si, a capacidade de prolongar a vida.

Para a Igreja, fiel ao Evangelho, à Tradição e ao Magistério, a família, com esse perfil, é o modelo referencial e o valor primeiro, a ser permanentemente preservado. Todavia, o retrato da família está bem diversificado nos nossos dias; dada a sua tipificação na sociedade contemporânea, a literatura e a estatística apresentam “modelos de família” que vão se constituindo, pouco a pouco, inclusive apoiados na legislação de muitos países. A ação pastoral da Igreja, com o olhar misericordioso do Bom Pastor, acolhe as pessoas que vivem a experiência conjugal em alguns desses modelos como, por exemplo, os casais em segunda união, acompanhando-os e integrando-os à comunidade, observados os limites de sua participação na vivência sacramental. O viver, nesse contexto, supõe um exercício de maturidade, o conviver em meio a essas experiências e configurações de família, sem abdicar das próprias convicções, é uma atitude de respeito à diversidade e à pluralidade que são notas características da sociedade nos nossos dias.

A Semana Nacional da Família, em 2008, ao se posicionar em defesa da vida e da família, desenvolve um trabalho de formação nas paróquias e comunidades, sob a forma de oração e reflexão, cujo conteúdo compreende os seguintes temas: Vida: Dom de Deus; O valor inalienável da vida humana; Família: Santuário da Vida; A transmissão da vida; O alvorecer da vida; A educação para a vida; O entardecer da vida; Jesus Cristo: principio e fim da vida.

A vida é um “Dom de Deus”, não somos “seus proprietários”; cabe-nos a responsabilidade de preservá-la como um “valor inalienável” e, assim, “defender a vida humana desde seu início até o seu fim natural”. A família, qual “Santuário da vida”, “instituição esta constituída pelo próprio Senhor”, é o lugar onde melhor se vivencia a experiência do amor e do respeito à vida. A transmissão da vida está confiada ao homem e à mulher que, porém, “não possuem o direito de impedir voluntariamente o início da vida, nem de interromper (do mesmo modo) o seu ciclo natural.” Cabe à família e à sociedade defender a vida “desde o seu alvorecer”, no momento da fecundação, ainda na forma de embrião/feto e acompanhar e “zelar pela educação”, ao longo do processo formativo do ser humano. No “entardecer da vida”, é dever de cada pessoa tratar, com dignidade, “os idosos, por vezes tidos como obstáculo no seio da família.” Devemos ter presente a real dimensão da nossa existência: “Deus não nos criou somente para esta experiência transitória. Somos vocacionados à eternidade”.

A Semana Nacional da Família é um chamado a cada família para reencontrar sua vocação de geradora e defensora da vida, diante de muitas propostas que são agressões à sua unidade e à sua estabilidade.

Dom Genival Saraiva de França

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