Fé e política

Estamos vivendo um tempo em que as atenções se voltam para a campanha eleitoral, na busca de votos para prefeito e vereadores dos municípios de todo o Brasil. É uma verdadeira corrida na busca dos eleitores cujo poder de decisão está submetido a uma série de fatores que vão desde amizade até a real confiança na capacidade de legislar e governar. O mundo da política, para muitos, encanta; para outros, preocupa; para outros ainda, tanto faz…

A noção de “política” ou de “participar da política” nem sempre está muito clara na cabeça das pessoas. A política é tudo aquilo que interessa a todos nós, é o cuidado das coisas públicas. As pessoas que lutam pelos seus direitos e cumprem os seus deveres na cidade onde moram, que participam de associações de bairro, sindicatos e outras modalidades estão fazendo política. Política, portanto, não tem a ver somente com eleições, mandatos parlamentares, partidos políticos ou governo. Tudo o que fazemos tem uma conotação política.

Penso que para todos nós, eleitores, este período de campanha política é de fundamental importância, pois nos obriga a conhecer os candidatos, os programas de governo, os programas dos partidos, a história de cada um, a fim de exercer o direito de escolha, pelo voto, da forma mais consciente possível. Votar por votar, deixar de votar ou anular o voto é a atitude de quem não tem amor à própria casa. Afinal como vou dar o direito de governar, de quatro em quatro anos, para alguém que eu desconheço? Por isso queremos exercer a nossa cidadania de forma correta e plenamente livre. Em nenhum momento e por nenhuma oferta devo vender ou comprar o voto. A sua vida e a vida dos concidadãos não tem preço. As conseqüências virão sem sombra de dúvidas. Quatro anos não serão quatro cestas básicas ou quatro contas de luz e água pagas agora.

Muito mais que o voto, sua escolha representa o destino que pretende dar ao município. Neste sentido a CNBB, OAB, Ministério Público, e mais de 20 entidades participam do Movimento de Combate à Corrupção eleitoral (MCCE). Aqui em nossa cidade vamos lançar oficialmente o Comitê 9840, no próximo dia 28 às 10hrs na sala do Centro Pastoral da Catedral. O tempo da politicagem, do abuso do poder político e econômico, promovendo politiqueiros cujo trabalho é a auto promoção já não podem existir mais. Transparência, compromisso, justiça social, ética, igualdade e dignidade para todos deve ser a bandeira principal de todo homem e mulher que se coloca a serviço do bem comum.

O mundo da política nos envolve a todos, e nos faz participantes efetivos de um processo, que não termina no dia cinco de outubro. Por isso nossa permanente vigilância em todos os atos do Governo Municipal, da Câmara dos Vereadores, pois a democracia exige atitudes concretas, participação ativa antes, durante e depois do pleito eleitoral. O Apóstolo Tiago escreve: “A fé sem obras é morta”(Tg 2,26). Fé e Política são distintas, porém se complementam na prática da vida. A fé não se justifica sem obras. A vivência da fé é necessária e tem como conseqüência a ação prática da política. Fazer política é uma das formas mais nobres de amar o próximo.

Dom Anuar Battisti

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