“Felizes os que promovem a PAZ, porque serão chamados FILHOS DE DEUS” (Mt 5,9)

Dom Rodolfo Luís Weber
Arcebispo de Passo Fundo

 

A história da humanidade não pode ser contada sem considerar as múltiplas formas de violência, oriundas das mais variadas pessoas, instituições e justificadas pelos mais diferentes argumentos. Sem desconsiderar o passado, o tempo presente, em particular o Brasil, tem fatos de violência, física ou verbal, suficientes para deixar a todos muito preocupados e desafiados a superar todas as formas de violência.

Escandalizar-se, repudiar, comentar e noticiar amplamente qualquer atentado contra a vida de qualquer pessoa, condição social, idade é muito importante, porém insuficiente. O remédio que Jesus propôs foi promover a paz. Apostou na metodologia de ensinar confiando na capacidade humana de aprender, de assimilar valores e de um estilo de vida pacífico. Olhando a história da humanidade percebe-se muitos avanços desde o tempo de Jesus em relação ao tema da violência. A geração presente é desafiada a dar mais passos.

O evangelista Mateus, após registrar a máxima de que promover a paz traz felicidade, bem-aventurança, qualidade de vida, registra que Jesus comenta leis importantes bem conhecidas dos ouvintes. “Ouvistes que foi dito aos antigos: “Não cometerás homicídio! Quem cometer homicídio deverá responder no tribunal’. Ora, eu vos digo: todo aquele que tratar seu irmão com raiva deverá responder no tribunal; quem disser ao seu irmão ‘imbecil’ deverá responder perante o sinédrio; quem chamar seu irmão de ‘louco’ poderá ser condenado ao fogo do inferno”. (Mt 5,21-22).

Neste ensinamento, Jesus afirma que a origem de muitas violências está na palavra. Ela tem uma força que não pode ser subestimada, pois tem um incrível poder criador ou destruidor. Antes da violência física, normalmente, vem a agressão verbal. Chamar alguém de imbecil ou louco, ou qualquer outro adjetivo pejorativo é matar moralmente, é desqualificar, é tirar a dignidade, é provocar reações violentas. É muito interessante que Jesus trata o homicida físico e o homicida verbal da mesma maneira. Ambos devem ser apresentados ao tribunal e a condenação deve ser equiparada.

Até o advento dos atuais meios de comunicação e das redes sociais as palavras ditas, normalmente, ficavam num ambiente muito restrito. Agora, palavras ditas ao pé do ouvido são possíveis de serem ouvidas, em poucos minutos, no mundo inteiro. É um ambiente maravilhoso e macabro. O seu incalculável e incontrolável potencial fascina e assusta podendo gerar alegria, solidariedade ou alimentando ódio, raiva. Se já era grande a influência dos líderes, dos comunicadores, dos donos dos meios de comunicação, com o advento das novas tecnologias a responsabilidade aumentou ainda mais. Tudo o que for insistentemente repetido direcionará os pensamentos e as ações. Normalmente, a notícia de um fato de violência vem acompanhado de comentários, interpretações que vai direcionar o posicionamento dos receptores.

Os filhos de Deus são os promotores da vida e da paz e não os violentos. O critério para dirimir qualquer dúvida sobre a vontade de Deus a este respeito é observar atentamente as ações e palavras de Jesus Cristo.  No séc. II o bispo Santo Irineu escrevia: “O esplendor de Deus dá a vida. Consequentemente, os que veem a Deus recebem vida …, Participar de Deus consiste em vê-lo e gozar da sua bondade. Por conseguinte, os homens hão de ver a Deus para poderem viver. Por esta visão tornam-se imortais e se elevam até ele… Pois a glória de Deus é o homem vivo, e a vida do homem é a visão de Deus”.

 

 

 

Share This