Grande Nação

Dom José Alberto Moura, CSS

Arcebispo Metropolitano de Montes Claros – MG

Todos os povos querem ter sua liberdade e traçar seu destino, mas com bem estar, ordem e paz. Quanta luta e quantas guerras têm sido feitas em nome dessa conquista! Nem sempre têm o êxito desejado. Governos ditatoriais, injustos e incompetentes têm surgido. Às vezes o povo fica submisso e atrelado ao poder injusto dominante. Muitos se calam porque são comprados com dinheiro. Traem seus irmãos para obterem vantagens materiais e de posição social avantajada. Muito disso acontece também no Brasil. Muitos políticos não têm legitimidade moral para governarem porque traem o voto do povo. Às vezes foram eleitos com a compra de votos. Usam do povo e das coisas do povo para vantagens pessoais, não fazendo muito para o benefício social.

Deus prometeu a Abraão a formação de um grande povo de sua descendência, abençoando-o. Através dele seriam abençoadas todas as famílias (Cf.  Gênesis 12,1-4). Deus sabia da grandeza moral desse homem. Confiou-lhe grande responsabilidade. Ele foi fiel à missão. Sacrificou-se totalmente para realizar as ordens divinas. De fato, todo ser humano, quando antenado com o projeto de Deus e querendo realizar o bem ao semelhante, não mede esforços para desenvolver sua capacidade e servir a comunidade. Respeita o meio ambiente e leva os outros a também fazê-lo para cuidarem do dom de Deus, a terra, que deverá servir a todos  e em todos os tempos. Os governantes deveriam ser os primeiros a promoverem políticas públicas que melhor favorecessem a defesa do meio ambiente. A Campanha da Fraternidade nos chama atenção para o cuidado com o planeta terra. Ele é dom de Deus e precisamos ter todo o respeito para o usarmos com critério, discernimento e respeito.

Se quisermos ser realmente grande nação, precisamos nos unir para tornarmos a terra um meio respeitado que nos faça promover sua própria vida e ajudar a vida de todos de modo equilibrado, justo e eficaz. Desmatando desordenadamente, cortando as matas ciliares, poluindo os rios e o ar, jogando lixo em qualquer lugar, concentrando terra nas mãos de poucos, usando o solo urbano com desrespeito ao fluxo das águas, construindo sem planejamento, não dando condição de moradia adequada para todos, tirando a oportunidade de trabalho na terra, não vivemos como pessoas de bom uso da razão. Nesse sentido, o lema da Campanha nos adverte com as palavras bíblicas: “A criação geme em dores de parto” (Rm 8,22).

Nesse tempo quaresmal somos instados, como cidadãos que desejam formar uma grande nação, com verdadeira fraternidade, a uma real conversão. Ela parte do acionamento da fé coerente com a prática do amor a Deus. Preparamo-nos para a Páscoa dando nossa adesão ao projeto de Deus. Ele nos deu a terra para dela cuidarmos com verdadeiro amor. Com o respeito ao semelhante promovemos nossa união e solidariedade para construímos uma nova mentalidade, a da promoção da vida plena para todos. Cuidar da vida do planeta é também de fundamental importância. É conseqüência da aceitação do amor a Deus.

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