Grandes assembleias, grandes estudos

Assembléia da CNBB em Itaici, 1977, Dom Paulo Evaristo Arns – Foto Arquivo / Agência O Globo

O cuidado pastoral dos bispos que atuam no Brasil, desde o início das reuniões gerais da Conferência, em agosto de 1953, sempre se manifestou na escolha de temas de grande importância para as comunidades do País. O cardeal Aloísio Lorscheider, em texto de introdução ao volume dedicado ao Jubileu de Prata de fundação da CNBB, em 1977, dizia: “A CNBB, como expressão de afeto colegial, tem por finalidade primeira estudar assuntos do interesse comum da Igreja em nosso País, para melhor promover a pastoral orgânica”.

“Na primeira assembleia geral da CNBB, os bispos refletiram sobre a responsabilidade em face da imigração”

Pe. Gervásio Fernandes de Queiroga, autor do livro apresentado pelo cardeal Lorscheider, “CNBB. Comunhão e corresponsabilidade”, conta que a Conferência, desde os seus primórdios, tornou-se, “progressivamente, o organismo-chave da Igreja no Brasil, com influência e atuação crescentes na vida das Igrejas particulares que nela se congregam e no próprio País”. Nesse sentido da influência e atuação pode-se entender o processo de escolha e discussão dos temas das assembleias gerais.

Assembléia da CNBB em Itaici, 1977, Missa de abertura – Foto Arquivo / Agência O Globo

Se o olhar sobre os temas principais privilegiar as temáticas sociais, por exemplo, pode-se registrar que já em Belém, na primeira assembleia geral da CNBB, os bispos refletiram sobre a responsabilidade em face da imigração. Naquela primeira década de assembleias outros assuntos vieram: Igreja e Reforma Agrária (1954) e Igreja e movimento operário (1956). Nesta mesma linha, outras grandes assembleias trataram de temas sociais: Pastoral da Terra (1980), Solo Urbano e Ação Pastoral (1982), Exigências cristãs de uma nova Ordem Constitucional (1986), Assembleia Nacional Constituinte (1987) e Educação (1990).

“Discípulos e Servidores da Palavra de Deus e a missão da Igreja no mundo” foi o tema de 2010

E é claro que os temas relacionados à organização interna da Igreja sempre foram considerados nas assembleias gerais do episcopado desde o início: Apostolado leigo (1953), Vida paroquial ajustada a nosso tempo e a nosso meio (1956), Renovação paroquial (1958), Plano de Emergência para a Mobilização geral da Igreja no Brasil (1962). Vários outros temas de grande relevância foram tratados nas décadas seguintes da história das assembleias gerais.

Assembleia da CNBB, Aparecida, 2012

Nos últimos dez anos, as assembleias gerais trataram dos seguintes assuntos: Rumo à Conferência de Aparecida (2007), Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora no Brasil (2008), Formação Presbiteral: Desafios e Diretrizes – Aprovação das Diretrizes para a Formação dos Presbíteros da Igreja no Brasil (2009), Discípulos e Servidores da Palavra de Deus e a missão da Igreja no mundo (2010), Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil/2011-2015 (2011), “A Palavra de Deus na vida e missão da Igreja”(2012).

Duas assembleias trataram do mesmo tema: Comunidade de comunidades: uma nova paróquia (2013/2014). E, seguida, vieram: Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil – 2015- 2019 (2015) e, a última, Cristãos leigos e leigas na igreja e na sociedade (2016). Neste ano, o tema central da assembleia é Iniciação à vida cristã.

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