Imaculada

Este é o título glorioso e singular com que a Mãe de Deus – Maria – é invocada por todos os que se gloriam com o título de cristãos. Nenhuma criatura humana pode escolher sua própria mãe. Só Deus pôde fazer, pois desde toda a eternidade Maria estava no seu divino pensamento. No próprio momento da repreensão divina ao primeiro casal, que pecara por desobediência a Deus, a Bíblia já aponta a inimizade total da Mulher (que por certo não podia ser Eva) e o demônio, “Porei inimizade entre ti e a Mulher” (Gn 3,15).

No pensamento divino raiava então misericordiosamente a vinda do Redentor, nascido de uma Mulher, sobre a qual o demônio nenhum poder haveria de ter. Pode-se-lhe aplicar o belo texto do livro da Sabedoria (7, 25 a 29): “Mais radiosa que o sol (…) ” radiação esta pura glória de Deus”.

Por este privilégio de ser imaculada – portanto sem a mancha do pecado – é que o anjo a saudou como “cheia de graça”. São Lucas usa a expressão “kekaritomene” (Lc 1, 28). Foi o Papa Pio IX que definia em 1854 o dogma da conceição imaculada de Maria cuja festa já era de preceito desde 1708 por ordem do Papa Clemente XI.

A devoção à Imaculada foi propagada pelos franciscanos, graças à contribuição teológica anterior do beato Duns Escoto já no distante 1263. Desde esta longínqua data, a Igreja festeja a Mãe de Deus por ter sido enriquecida com o singular privilégio de não ter herdado a mancha do pecado original.

Daí, a beleza de Maria, “cheia de graça”. Os poetas sabem louvá-la em versos originais e cantantes, para enaltecer a riqueza dos dons singulares em que Deus a exornou.

Falecido arcebispo mineiro, louvando a beleza da alma de Maria, diz: “Tu és mais linda que as estrelas e as flores … em ti mancha não há”. E outro vate, nascido cá na nossa diocese, louvando Nossa Senhora por ser a Mãe do Criador, pergunta: “Quem fez o lírio de tua alma, ó Pura, quem fez as rosas dos teus lábios, Santa?”

Contemplando na fé o rosto da Imaculada, cuja festa a Igreja celebra há séculos com alegre fervor, não podemos deixar de descobrir que há um “quê” do céu no seu semblante e uma beleza casta no seu olhar. É a Imaculada.

Dom Benedicto de Ulhôa Vieira

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