Inicia o Curso de Extensão para missionários que atuam no Brasil

Teve início no dia 31 de julho, no Centro Cultural Missionário (CCM) em Brasília, o Curso de Formação para missionários que atuam no Brasil, com enfoque na Amazônia. O evento promovido pelo CCM juntamente à Comissão Episcopal para Amazônia e a Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB), contou esse ano com a parceria do Instituto Superior de Filosofia Berthier (IFIBE), de Passo Fundo (RS), sendo reconhecido como curso de extensão, de qualificação e capacitação, para missionários enviados a regiões e situações tipicamente missionárias no Brasil.

O grupo de participantes é formado por 21 missionários leigos, religiosos e presbíteros de várias partes do Brasil, enviados especialmente para as regiões amazônicas. Segundo o diretor do CCM, padre Estêvão Raschietti, objetivo desta iniciativa é “aprofundar as motivações pessoais, a própria compreensão da missão, a visão dos desafios missionários, os fundamentos bíblicos e teológicos. Além do mais é preciso fornecer aos participantes referenciais essenciais teóricos e práticos para a ação missionária, recorrendo a vários tipos de mediações inter-disciplinares, como também proporcionar momentos de discernimento participativo, de revigoramento espiritual e de atualização sobre os caminhos da Igreja no Brasil”, disse.

“A formação dos missionários é um fator básico para o desenvolvimento das atividades”, explicou a assessora da Comissão para a Amazônia, da CNBB, irmã Maria Irene Lopes dos Santos. De acordo com a irmã o curso quer proporcionar um importante momento de reflexão e antes de partir para uma experiência “tremenda e fascinante de tornar-se hóspedes na casa dos outros”.

O padre Estêvão explicou a grade de programação do curso. “O foco do curso é a pessoa do missionário e da missionária. Começa pela dimensão humano-afetiva da missão, com a mediação da psicologia, para indagar sobre as motivações que nos levam à missão. Passa pela dimensão bíblica, para discernir as raízes da missão na caminhada do povo de Deus, de Jesus e da comunidade dos discípulos. Continua com a dimensão histórica, para aprender com aqueles que nos antecederam. Encara os desafios de hoje com a dimensão antropológica, buscando instrumentos de analise na antropologia cultural, na sociologia e nas ciências da religião. Aprofunda os conhecimentos da doutrina da Igreja sobre a missão, com a dimensão teológica e os documentos do magistério. Afina a capacitação na dimensão pratica, considerando as exigências pedagógicas, metodológicas e administrativas da ação evangelizadora. Conclui, enfim, com a dimensão espiritual, deixando que a graça de Deus penetre e transforme toda missão”.

Cada abordagem tem 20 horas-aula. O curso prevê também três sessões à noite e um dia inteiro de conferências e debates sobre a realidade da Amazônia. A duração do curso é de três semanas e três dias, e vai até 21 de agosto.

Ontem, 15, os missionários visitaram a sede da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB) e da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, onde puderam conhecer, mais a fundo, as instituições da Igreja no Brasil.

Na CNBB, os missionários conheceram a dinâmica da casa, em uma palestra feita pelo funcionário da Assessoria de Imprensa, Alex Barreto, que apresentou a estrutura da CNBB e a funcionabilidade do site da instituição. Em seguida o bispo emérito de Ji-Paraná (RO), dom Antônio Possamai, que está em Brasília, fez um breve discurso aos missionários. O bispo falou da migração dos povos do sul e sudeste para a região amazônica e pediu respeito ao povo, a cultura, e a natureza.

Segundo Izalene Tiene, de Campinas (SP), assistente social aposentada e que se prepara para seguir em missão em Tabatinga (AM), Alto Solimões, o curso tem uma fundamentação interessante, uma missiologia forte e preparação para a realidade da Amazônia. “Não estudamos pontos turísticos, mas sim a realidade daquele povo”, disse.

Para o padre João Selhorst, de Santa Catarina, que está em missão no Mato Grosso, mas está se preparando para ir para a Amazônia, explicou que o curso é importante para aquele que está iniciando a sua missão. “Eu, quando fui para o Mato Grosso, não fiz o curso e me arrependo de não ter feito à época. Agora fiz questão de cursá-lo e vejo que é um aprendizado importante. É uma bagagem interessante de conhecimento que levamos em nossa missão”, ressaltou.

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