Insegurança Pública e Consequencias Sociais

Dom Orlando Brandes

1.    O armamento. As pessoas adquirem armas e nelas  confiam para defender-se. Acreditam mais na força da violência que na força do direito, do amor e da justiça. O armamento é nocivo, mas é uma conseqüência da insegurança. Como incentivar o desarmamento se não atacamos as causas da desordem publica? A melhor arma é o combate à desigualdade social e à corrupção.

2.    O isolamento. Temos medo até dos visinhos. A insegurança pública leva ao individualismo, fechamento, desconfiança. Facilmente nos ancoramos na indiferença pelos outros, no levar vantagem em tudo, os outros que se danem.

A campanha da fraternidade vem recuperar nossa necessidade de comunhão, de solidariedade, de concórdia. São valores que a segurança pública ajuda a defender a desenvolver.

3.    O medo. Um dos sentimentos mais negativos para a vida humana é o medo. Já se disse que o medo é uma fé negativa. O medo cria muitos fantasmas, fantasias e exageros. Daí a necessidade do excesso de proteção e o surgimento da indústria do medo. É bem verdade que o medo ajuda a tomar precaução e ter previsão que são atitudes positivas.

4.    O descrédito das instituições. Aumenta a perda de credibilidade nas instituições, vive-se um desencanto em relação à organização social, um desprezo da legalidade. Muitos pensam fazer justiça com as próprias mãos e aí está o crime organizado, caminho para a anarquia.

5.    A irrupção da religiosidade. Um ambiente de insegurança é terreno fértil para o surgimento de novas igrejas, novas espiritualidades, novas místicas que servem de proteção. Neste contexto é preciso discernir bem o que é fé e o que é religião, além disso precaver-se em relação a falsos profetas e à exploração financeira.

6.    As doenças psico-afetivas. A insegurança pública gera doenças psíquicas como: ansiedade, depressão, perda do sentido da vida, melancolia entre outras. Tudo que oferece oração, meditação, silêncio, relaxamento está em alta para a superação do stress. Todos nós sabemos que a hipertensão tem tudo a ver com a insegurança pública.

7.    O instinto de vingança. É quase instintivo o sentimento de vingança. As expressões mais comuns da mentalidade repressiva  são: a punição,  o desejo de legalização da pena de morte e a exaltação dos regimes de força, das ditaduras do passado. Sabemos que quem erra deve pagar pelo erro, mas com vistas à sua recuperação e inserção social. A não -violência – ativa consiste em investir na justiça, no perdão, no amor na expectativa da paz social. Não devemos reforçar nossa animalidade, mas a nossa sanidade que leva à santidade.

8.    A exasperação do erotismo. A erotização da vida funciona como válvula de escape, como alívio , uma espécie de vale tudo, desejo de outro mundo, liberação das pressões e angústia num mundo violento. Constatamos isso a partir das sextas-feiras à tarde até aos domingos à noite. Parece que tudo é permitido, livre, prazeroso. Uma espécie de mini carnaval. O circulo vicioso é: sexo, álcool, drogas. A vida vira espetáculo. É preciso ter a sensação de liberdade através da evasão erótica. A falta de segurança, o medo facilitam a erotização da vida.

9.    O excesso de segurança. Precisamos sim ser precavidos e cuidadosos, mas, outra coisa é esta “neurose pública” de insegurança fazendo de nossas casas verdadeiras prisões e de cada cidadão um suspeito, um perigo. O excesso de segurança e a síndrome do pânico andam juntos. Tudo isso faz proliferar doenças, dramatizações, inclusive, hipertensão e depressão. O aumento de condomínios fechados e o medo do povo da periferia, são expressões do excesso de segurança. Quanto engano em tudo isso.

10.    Aumento da desigualdade social. Uma sociedade insegura é fruto da desigualdade social que só tende a piorar porque aumenta o fosso entre ricos e pobres. A tendência dos ricos é proteger-se, num excesso de proteção e de medo. Os excluídos, especialmente as periferias aliadas à fome, ao desemprego, ao alcoolismo e às drogas tornam-se focos de violência, bolsões de agressividade. Eis a espiral da violência, a divisão de classes, a iniqüidade social. Segurança pública só se faz com justiça social cujo fruto é a paz (Is 32, 17).

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