JMJ 2019

Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo do Rio de Janeiro

 

No próximo dia 2 de fevereiro, sábado, as 8:30 iremos celebrar em nossa Catedral de São Sebastião a nossa ação de graças pela JMJ no Panamá com os peregrinos que voltaram desse belo evento evangelizador. Sem dúvida, que o nosso grupo oficial da Arquidiocese, que enviarmos para a Semana Missionária em Chitré e para a JMJ na Cidade do Panamá estará presente para a compromisso de estar sempre rejuvenescendo a nossa igreja com a presença juvenil.

Ainda ressoa em meus ouvidos, e, é claro, em meu coração, os jovens da JMJ do Panamá cantando e respondendo: “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo sua Palavra”. Esse refrão, já cantado aqui no Brasil foi repetidos mil vezes em todos os cantos do Panamá, inclusive pelos meios de comunicação do país que fizeram uma bela cobertura midiática.

O Santo Padre, o Papa Francisco aprofundou esse tema em suas catequeses e homilias durante os dias abençoados da 34º Jornada da Juventude, a 12ª internacional. Também aprofundaram os temas nas catequeses dos Bispos nos 137 centros em 25 idiomas que pregaram durante três manhãs sobre esse tema dividido em 3 etapas.

Sem dúvida que, após a JMJ do Rio de Janeiro, o interesse dos brasileiros pela Jornada internacional aumentou muito. Quando iniciamos a preparação da JMJ do Rio de Janeiro pouco se sabia da mesma no Brasil. Porém, nesta atual do Panamá calcula-se por volta de 6.000 brasileiros inscritos, além dos que não se inscreveram, presentes no Panamá nesses dias. Além dos dias da jornada, muitos deles fizeram os “dias nas dioceses” ou “pré-jornadas” ou “semanas missionárias” no tempo que antecedeu a JMJ. Alguns fizeram a pré-jornada em outros países da América Central. Os frutos são indescritíveis.

A bela participação dos peregrinos do mundo inteiro, de todos os continentes ouviram com atenção o Santo Padre cobrar que a mudança e as transformações eram para começar a acontecer no “hoje” sem esperar pelo amanhã. E os jovens compreenderam a missão a que o Papa os enviou ao mundo que necessita de testemunhas.

Jovens das mais diversas procedências e situações humanas, sociais e políticas das mais diversas ali estavam participando como um só coração e uma só alma. Sinal claro de que este mundo tem solução. Embora a ênfase fosse para os Bispos e jovens da América Central, que assim tiveram oportunidade de participar da JMJ e também de encontrarem-se com o Papa Francisco, a universalidade do evento se fez sentir.

O Panamá nos recebeu com entusiasmo, tanto nas casas de hospedagem como o povo pelas ruas, alegres por estarem sendo visitados. Desde o Presidente da República e sua esposa (que recebeu pessoalmente os bispos no Aeroporto) esse clima de acolhida se espalhou por todo o Panamá, e, em especial, na sua capital dando-nos uma alegre sensação de “estarmos em casa”. É a casa comum dos que têm a mesma fé. Porém, mesmo outras denominações cristãs e outras religiões receberam os peregrinos com os braços abertos e alegres.

Cabe agora continuarmos os passos missionários reavivados durantes esses abençoados dias. Cada um dos que participou deve ser um arauto das mensagens recebidas, da experiência vivida, das pregações acolhidas e a importância da prática do Evangelho em nossos dias tão conturbados.

Um jovem que encontrei no Aeroporto estava contando o seu entusiasmo já contagiado pelos outros jovens brasileiros, embora não tivesse participado da JMJ 2013 pois quando ela ocorreu no Rio de Janeiro era ainda criança e não pode participar pois reside longe. Hoje, já jovem, dá continuidade a um espírito que foi fortalecido com a nossa acolhida no Brasil desse evento criado por São João Paulo II. São jovens contagiando outros jovens a viverem o Evangelho com coragem, ânimo e coerência.

Os horizontes vastos do nosso futuro passam por acontecimentos complexos como os que temos notícias nesses dias, tanto em nosso país como no exterior, mas o cristão é sempre chamado a encontrar caminhos para anunciar a esperança que se fundamenta na Ressurreição de Cristo. As prementes questões sociais irão sendo enfrentadas por homens e mulheres que, com a experiência cristã, farão a diferença. Problemas não faltam e os jovens estão conscientes deles, tanto no interior da igreja como da sociedade em geral.

Os Bispos, padres, religiosos e consagrados presentes vimos a nossa juventude vibrante, mas também responsável, enfrentando longas caminhadas e calor escaldante, além das dificuldades próprias de um peregrino com relação a acomodações para tantas pessoas. São jovens que mostram uma igreja vibrante e responsável construtora de um novo amanhã alicerçado no encontro com Jesus Cristo, que, tenho certeza, junto com Maria nossa mãe, reavivou nessa Jornada.

Agora, a caminho da próxima JMJ na Europa que fala a nossa língua e que tem tantas tradições semelhantes às nossas, as margens do Tejo em Lisboa nos esperam tendo a imagem de Cristo Rei a nos acolher no vizinho município de Almada, na outra margem do rio histórico de Portugal. Mas até lá somos chamados a contagiar a muitos com o grande anúncio do Evangelho e o testemunho cristão que, a cada jornada se intensifica para podermos levar outros a estarem atentos aos sinais dos tempos para ser fermento no meio da massa. Aqui o Rio de Janeiro temos a grande missão de multiplicar a presença da juventude em nossa caminhada eclesial e vivendo o desafio da unidade fraterna dando sinais do amor mútuo como nos pede o Senhor. Temos um longo caminho a percorrer como discípulos missionários de Jesus Cristo Nosso Senhor.

Assim continuaremos a responder ao chamado do Senhor como Maria: Eis-me aqui – Eis a serva do Senhor – Faça-se em mim segundo a sua Palavra. E esse mundo nosso vai sendo construído com a graça de Deus. Espero que possamos também cantar: “O Senhor fez em mim maravilhas”.

 

 

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