Juiz de Fora novamente no Haiti

Dom Gil Antônio Moreira
Arcebispo de Juiz de Fora

Prosseguindo a nossa missão de compromisso entre a Arquidiocese de Juiz de Fora e a de Porto Príncipe, no Haiti, seguimos, para este país, três pessoas. Além de mim, estão Padre Leonardo Loures que é o Coordenador da Pastoral Missionária e da Comissão Missionaria Diocesana (COMIDI), e o jovem Yago, do Projeto Jovens Missionários Continentais. Viemos para o Haiti em nome de todo o povo de nossa Igreja Particular, que é composta por Juiz de Fora e mais 36 municípios.

No mês de julho do ano de 2017, estive também no Haiti durante alguns dias com vários jovens e um casal missionário. À ocasião, fizemos os primeiros contatos e, sobretudo, um compromisso pessoal e informal de interajuda com os frades da Congregação dos Franciscanos da Providencia de Deus. Vimos a pobreza extrema que permanece no Haiti. Vimos o resultado terrível dos terremotos e de outros acidentes climáticos que têm assolado este país. O Haiti é o país mais pobre das Américas. Aqui vive um povo amigo, de bom coração, um povo que tem fé e que se relaciona bem com todos aqueles que querem ajuda-los. Quase toda a população não tem nada, nem o mínimo necessário para viver, para morar e até para vestir. Se não fossem as obras de caridade e as organizações da Igreja neste país, o sofrimento seria muito maior.

É claro que há outras organizações internacionais e também outras igrejas que atuam aqui, mas, sem nenhuma dúvida, o maior número de organizações de assistência social, para a escola, para a medicina, para a alimentação, entre outras coisas, são as obras católicas. Nós não falamos isso por orgulho, nem por desprezo a qualquer outra instituição, mas para comunicar uma realidade que nos  envolve . E sendo nós católicos, queremos ampliar cada vez mais a ajuda a estas iniciativas, para que o povo possa ter, ao menos, alguma saída para suas grandes dificuldades. Nós estamos, portanto, procurando fazer aquilo que a Arquidiocese de Juiz de Fora, dentro de seus limites, pode oferecer. Para cá já vieram outros grupos organizados por nós para atender às necessidades de saúde e ajudar os frades franciscanos nesta obra maravilhosa.

A última delegação foi composta pelo Padre Pierre Maurício Cantarino, com um casal de médicos, e outro casal que se dedica à Pastoral Familiar. Uma das obras mais importantes aqui é uma padaria comunitária, organizada e mantida pelos frades, onde as pessoas podem produzir e vender os pães, ajudando assim no orçamento familiar, que é sempre pequeno. Nós pudemos ajudar na doação de farinha de trigo e também outros materiais. O Padre Pierre organizou uma campanha para a compra de uma nova máquina panificadora que está sendo de grande serventia.

Muitas obras são feitas pela Igreja no Haiti, para ajudar esse povo a sair dessa situação. A Igreja faz isso porque ela vive pela Palavra de Cristo que diz: “Tudo que fizerdes ao menor dos meus irmãos, é a mim que estareis fazendo” (Mt 25,40). Ainda no Evangelho de São Mateus, está escrito que vão se salvar aqueles que, tendo fé em Jesus Cristo, olham as necessidades e fazem as obras de caridade. “Tive fome e me destes de comer. Tive sede e me destes de beber. Estava nu e me vestistes. Estava na prisão e fostes me visitar. Era doente e me socorrestes. Era forasteiro e me acolhestes” (Cf Mt 25, 31-46). Assim é ação da Palavra do Senhor para aqueles que querem ser seus discípulos.

 

 

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