Laicidade ou perseguição religiosa?

Faz pouco tempo estive em Genebra, na Suíça. Contemplei a Praça dos Reformadores. Lá estavam desde Henrique XVIII até Calvino, Zwinglio e Lutero. Nenhum reformador católico, nem são Francisco de Assis. Também não vi traços de Jesus Cristo. Senti-me incomodado? Absolutamente não, pois sabia que estava em terras de cristianismo reformado.

Também não me incomodei com a meia lua nos países de cultura islâmica. Nem com o muro das lamentações dos judeus. Pois cada país tem sua cultura e a alma da cultura é a religião.

Agora as manchetes dos jornais do Brasil anunciam: “Ministério Público pede retirada de símbolos religiosos de órgãos públicos em São Paulo”. O motivo alegado é que crucifixos e bíblias ferem a liberdade de crença e não respeitam o princípio do Estado laico.

Dom Odilo Scherer, Arcebispo de São Paulo, tomou posição: “Ter um Estado laico não significa passar por cima da cultura de um povo”. Aliás, os ateus militantes, que se incomodam com símbolos religiosos, são uma minoria absoluta. Os agnósticos, que não aderem a uma religião, devem chegar a 5 ou 6%. Mas eles não se ofendem com a cultura do povo brasileiro. Os ateus não devem passar de 1%!

Tenho duas perguntas a fazer. A primeira: Vamos retirar estes símbolos e depois os católicos estão em paz? Ou é o primeiro ato de outros, como proibir manifestações religiosas, educação religiosa, reuniões de índole eclesial, acesso aos meios de comunicação social, celebração de serviços religiosos, formação de ministros, inclusive de padres, etc.

No México, nos idos de 1927-1929 começou-se assim. Depois virou numa cruel perseguição religiosa, que chegou a extremos de crueldade e de ódio. Por exemplo: O general Eulogio Ortiz mandou fuzilar um soldado porque este trazia no pescoço um discreto escapulário. O general Amaro mandou mudar o nome de todos os lugares com nome de santos: Se a moda pega, adeus São Paulo, Santa Catarina, São Vicente, Santa Cruz e lá vão os nomes de ruas e de prédios públicos.

A segunda pergunta: Do ponto de vista ético, é possível resistir à agressão de uma minoria poderosa à cultura da grande maioria? A resistência pode ser armada, como foi no México? Lá os pobres lavradores se organizaram e foram à luta: perderam 30.000 defensores da fé e mataram 60.000 soldados federais. Além disso, muitos federais se negavam a matar o povo simples, do qual eles próprios procediam. Aliás, o exército federal, apoiado pelos norte-americanos, nunca tinha menos de 20.000 desertores!

A luta armada é o último recurso, segundo a moral católica. Em München (Alemanha), faz pouco, os legisladores também proibiram os símbolos religiosos em lugares públicos. O povo foi de modo massiço às ruas protestar e os incomodados voltaram atrás.

Dentro de uma sistemática, pode-se pensar em desobediência civil, para forçar o respeito à tradição do povo brasileiro?

O Brasil é cobiçado pelos poderosos, especialmente a Amazônia. Será inocente a chegada de bases militares norte-americanas às fronteiras do Brasil? Em vez de enfraquecer e dividir os brasileiros, todos os patriotas deveriam favorecer a paz social e a unidade nacional, dentro do pluralismo e da tolerância!

Dom Aloísio Sinésio Bohn

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