“Minas Gerais não pode ser mais a mesma depois dessa tragédia, diz dom Walmor

Diante recente tragédia ambiental com o rompimento da barragem da mineradora Vale, em brumadinho, Minas Gerais, no último dia 25, o arcebispo de Belo Horizonte, dom Walmor Oliveira de Azevedo, escreveu em recente artigo “Olhai as minas de Minas”, que Minas Gerais não pode ser mais a mesma.

“Encontrar novo caminho, fiel às tradições e às riquezas do território mineiro, para que se viva um novo tempo, é a missão que desafia o Estado e o seu povo. Minas não pode mais ser a mesma porque a tragédia de Brumadinho traz novamente dolorosa lição, a ser definitivamente aprendida por todos: não se pode reduzir os parâmetros do desenvolvimento às bitolas de idolatrias, como a do dinheiro, descompromissadas com os valores humanitários. Idolatrias que produzem irreparáveis prejuízos, dores que jamais serão esquecidas”. 

Divulgação/Corpo de Bombeiros de Minas Gerais

Dom Walmor conclama a sociedade para que se unam para fazer surgir nova etapa na organização social, política e cultural do Estado. “Por isso mesmo, no coração da sociedade mineira deve vir, primeiro, o comprometimento com o cuidado e a atenção para as minas de Minas” e completa “O momento exige cooperação sincera e transparente dos diferentes segmentos sociais, desafiados a contribuir para a construção de um tempo novo.  É preciso vencer, corajosamente, uma perigosa “barragem de rejeitos”, que acumula a ganância sem limites, a burocracia perversa – obstáculo para avanços necessários aos processos que merecem adequadas avaliações e juízos, fundamentados no bem comum”.

O bispo de Belo Horizonte, chama a atenção dos dos cidadãos para que façam um exame de consciência para não se dedicar apenas ao que leva a ganhos pessoais e egoístas. Segundo ele, é fundamental cultivar a sensibilidade diante da dor dos pobres, do luto de familiares. Minas Gerais pode e merece ser diferente.

“A sua natureza há de ser preservada – um belo jardim. É preciso que as posturas tenham o propósito do desenvolvimento integral. Os agentes da destruição, que tratam com descaso a Casa Comum, não se enganem: cedo ou tarde, tragédias similares às que ocorreram em Brumadinho, no Vale do Paraopeba, e em Bento Rodrigues, distrito de Mariana, podem dizimar outros lugares, outras vidas”.

Para dom Walmor, é preciso intervir com urgência na realidade para evitar outras manifestações trágicas, com mudanças profundas em diferentes campos, da legislação ao convívio social, valorizando mais a seriedade e a competência, o jeito mineiro de ser, que conta muito neste momento.

“Ninguém pode se sentir distante da missão de cuidar da Casa Comum nem se deixar manipular por interesses pouco nobres. Seja um ponto de partida olhar as minas de Minas – reconhecendo que suas riquezas podem ser fonte de desenvolvimento integral, progresso e geração de emprego, fundamentados em parâmetros legais e técnico-científicos. Livre de empreendimentos que simplesmente esburacam as montanhas e produzem barragens de rejeitos – bombas-relógio que ao explodirem destroem vidas humanas e o meio ambiente”.

O bispo é enfático e cobra que olhem as minas de Minas nas suas belezas e riquezas, para que o Estado se consolide entre os maiores destinos turísticos do mundo. Particularmente, as regiões de Minas Gerais sejam ainda mais reconhecidas como referência para o turismo histórico e religioso.

Divulgação/ Presidência da Republica

“O tratamento dado ao território mineiro precisa mudar e, para isso, muitas intervenções devem ser feitas. Importante destacar o papel essencial da política nesse processo, recordando-se do que diz o Papa Francisco, em mensagem para o Dia Mundial da Paz: a política é um meio fundamental para construir a cidadania e as obras do homem. Nunca pode ser instrumento de opressão, marginalização e destruição. A qualificação da política depende, sobretudo, do respeito fundamental pela vida, a liberdade e a dignidade das pessoas, uma forma eminente de caridade”, diz.

Dom Walmor finaliza refletindo sobre a importância de que os olhos e os corações precisam ser fecundados para que surjam novos modos de ver e de sentir, com percepções mais qualificadas da realidade. Um caminho que levará Minas Gerais a ser devidamente reconhecida e ainda mais respeitada.

“Todos enxergarão o verdadeiro jardim de infinitas belezas que é o território mineiro, um tesouro com riquezas naturais e tradições – religiosas e culturais. Minas tem um povo com a força para impulsionar a sociedade brasileira rumo a novos tempos. Seja, cada mineiro, consciente de seu pertencimento ao Estado de Minas Gerais, para exercer, com gosto, fecunda cidadania. Assim se constrói novo marco civilizatório, começando pelo que é simples, mas altamente eficaz: olhar as minas de Minas”.

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