Missão Permanente

Estaremos encerrando no final deste mês o Ano Paulino. Iniciamos na Solenidade do Sagrado Coração de Jesus o ano Sacerdotal. Vivemos com entusiasmo o Ano Catequético. Além dos dias e meses temáticos, a Igreja tem essa tradição: de trabalhar um ano com um tema importante para sua vida ou para a vida do mundo. É o caso também da Campanha da Fraternidade que, mesmo sendo mais intensa na Quaresma, inspira todos os demais temas durante o ano e continua questionando o nosso comportamento durante esse tempo.

Se iniciamos o ano Sacerdotal com muitas idéias de atividades e celebrações, e isso é ainda um futuro com objetivos a serem atingidos, o ano Paulino supõe que façamos um balanço sobre os passos que a reflexão sobre a vida e missão de São Paulo nos inspirou para que praticássemos em nossas comunidades.

Um dos aspectos que marcam a vida de São Paulo é justamente a missão. É claro que poderíamos refletir sobre a sua teologia, visão da Igreja, formação de comunidades, experiência de conversão, e tantos outros aspectos desse homem que sintetizou três culturas para traduzir para o seu tempo a Boa Nova de Jesus. A Igreja continuamente sabe que necessita inculturar-se na diversidade de situações para pregar o Evangelho (gregos com os gregos, judeus com os judeus, como lembra São Paulo). Além disso, as culturas, que não são estáticas como pensam alguns grupos, têm a oportunidade de crescer ainda mais sem perder suas características, quando se abre ao Evangelho de Jesus Cristo.

Neste sábado, dia 20 de junho, a nossa Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, tem a oportunidade de visibilizar a Igreja missionária que todos somos chamados a ser. Enviamos padres, religiosos, religiosas e leigos para a missão em Paranatinga. Durante todo o mês de julho irmãos e irmãs nossos estarão servindo àquela Igreja particular como missionários, e assim partilhando a vida e as preocupações. Essa experiência de nossa arquidiocese já despertou vocações para uma missão mais estável e que dure anos. Pouco a pouco vamos experimentando os apelos do Espírito Santo que nos faz viver a missionariedade com entusiasmo. Aliás, é nessa direção que chamou a atenção o Documento e o Evento de Aparecida – vivermos em estado permanente de missão! Quando trabalhamos junto com o projeto do “Brasil na Missão Continental” pensamos que é só para dentro de nossas comunidades! É claro que necessitamos viver sempre como missionários, tanto para dentro como para fora de nossas comunidades.

Os documentos sobre esse assunto de nossa Conferência Episcopal nos animam quando recorda que “devemos doar de nossa necessidade”, ou seja, nós enviamos missionários não porque nos sobram agentes de pastoral, mas repartimos de nossa pobreza. Até ficamos com falta desses irmãos e dessas irmãs para o trabalho pastoral, mas acreditamos que esse gesto, além de colaborar com as nossas igrejas irmãs, é também um sinal para que sejamos ainda mais missionários!

O gesto do envio neste sábado no Santuário do Cristo Redentor, com a visão deslumbrante do horizonte que se perde no mar ou nas montanhas, é a direção de nossa vida de cristãos missionários: uma vez discípulos, sempre missionários!

Por isso, acredito que, aprendendo com São Paulo, vivemos com muita alegria a dimensão missionária seja no interno de nossas comunidades, seja com missionários que são enviados para longe por um certo tempo ou até mesmo para sempre. É a nossa visão de Igreja que se amplia e nos questiona.

Além desse aspecto geográfico, é também muito importante que procuremos ser missionários nas novas linguagens e situações do mundo de hoje. Não são simples e nem fáceis os desafios missionários hodiernos. Esse envio arquidiocesano ao findar o ano Paulino é uma ótima oportunidade para que todos nós vivamos o envio já recebido no batismo e na crisma e, redescobrindo e reanimando o espírito missionário, vivamos com alegria, esperança e generosidade, olhando para os sempre novos horizontes que nos desafiam a seguir mar a dentro!

Dom Orani João Tempesta

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