Não temer ao banquete do Senhor, segundo Santo Ambrósio, Bispo de Milão

Dom Vital Corbellini
Bispo de Marabá (PA)

 

Santo Ambrósio (337-397 d.C.) foi algum dos padres da Igreja que reforçou a participação do fiel ao banquete do Senhor, a comunhão eucarística dada ao povo de Deus. Ele dizia que não era para temer ao banquete da Igreja. Que coisa há de mais grandioso que Cristo, o qual no banquete da Igreja cumpre o ministério sacerdotal e é administrado no sacramento?

“No jardim, isto é no paraíso, está o banquete da Igreja, aonde era como Adão antes que cometesse o pecado. Ali estava à mesa Eva, antes que concebesse o pecado”. É preciso comer o pão que reforça o coração do ser humano (cfr. Sl 103,15), ali a pessoa saboreará o mel que infundirá a doçura na sua garganta. Ambrósio dizia que a pessoa beberia o vinho, isto é com o esplendor e a sinceridade, seja porque é pura a simplicidade, seja porque imaculada é a graça que se recebe o perdão dos pecados. O Bispo de Milão insiste de que o fiel deva se aproximar da mesa para participar do banquete eucarístico.

O pão consagrado tornou-se o pão dos santos. Podemos receber o mesmo Senhor que deu a sua carne, como Ele mesmo disse: Eu sou o pão da vida. (cfr. Jo 6,48-50). Ele também acrescentou: Eu sou o pão vivo descido do céu. Se alguém o comerá, viverá para sempre (Jo 6,51-52). Isto significa segundo Ambrósio que antes não tinha falado da morte desta vida, o Senhor da vida; no entanto se alguém morre desta morte, mas se recebeu o pão vivo, que é o Senhor, viverá para sempre. Recebe-o de fato quem examina a si mesmo, e quem o recebe não morrerá da morte do pecador, porque este pão é a remissão dos pecados.

A importância deste alimento é de vida eterna, vida que não passa, porque é um alimento que nos aponta para o alto. É superior ao maná do deserto, em que os pais o comeram, mas sempre sentiam fome. É como se Senhor dissesse a nós, segundo Santo Ambrósio nas palavras de Cristo Jesus que o seu alimento é tal que quem o come, não terá mais fome, o seu alimento não é aquele que faz engordar o corpo, mas aquele que reforça o coração do ser humano (cfr. Sl 103, 104,15).

Este é o pão da vida (Jo 6, 35.48), por isso quem come a vida não pode morrer. Como poderá morrer aquele no qual o alimento é a vida? Ambrósio reforça a importância de aproximar-se a Jesus, o alimento verdadeiro, porque ele é o pão, ele é a luz (cfr. Jo 1,9); é preciso aproximar-se dele e seremos livres, porque onde é o Espírito do Senhor, há a liberdade (cfr. 2 Cor 3,17), é preciso aproximar-se dele para sermos absolvidos, porque Ele é a remissão dos pecados (cfr. Ef 1,7).

O cálice do Senhor á remissão dos pecados, porque deste transborda aquele sangue que resgatou os pecados de todo mundo. Aquele sangue extasiou os povos, para que não se recordasse mais a própria dor, sem esquecer antes o pecado antigo, primeiro. Esta bebida eleva o passo da alma. Por isso o fiel diz: Amém confessando já no espírito da gente que recebe o corpo de Cristo. Quando, pois a pessoa se apresenta para recebê-lo, o sacerdote diz: O corpo de Cristo, o fiel diz Amém, isto é, é verdadeiro. É o sentimento da alma da gente guarda aquilo que a língua confessa.

Ambrósio também tem presente que toda a vez que recebemos o sacramento da eucaristia anunciamos a morte do Senhor (cfr. 1 Cor 11,26), a remissão dos pecados. Se toda a vez que o sangue é derramado, é dada a remissão dos pecados (cfr. Mt 26,28), o fiel é chamado a recebê-lo sempre porque dá a remissão dos pecados. O fato é que a pessoa é pecadora, de modo que deve receber sempre a medicina.

O Senhor diz: Eu sou o pão vivo descido do céu (Jo 6,50). A carne, não veio do céu: Ele assumiu a carne sobre a terra da Virgem. Em que sentido, o pão vivo desceu do céu? No sentido que o mesmo Senhor nosso Jesus Cristo participa seja da divindade, seja do corpo; o fiel que recebe a carne, o pão vivo, como alimento torna-se participante da sua substância divina.

Toda vez eu recebemos os sacramentos, que mediante o mistério da sagrada oração são transfigurados na carne e no sangue, nós anunciamos a morte do Senhor (cfr. 1 Cor 11,26).

Como dizia Santo Ambrósio, bispo de Milão, aproximemo-nos do altar para receber o Senhor Jesus sacramentado. Ele está ali presente para entrar no coração humano, no nosso interior e assim construir a unidade nossa com Ele e Ele conosco, em vista do bem, da caridade, do amor a Deus, ao próximo e a si mesmo e um dia para a vida eterna. O pão descido do céu, que é Jesus Cristo é pão para a vida eterna.

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