Nas pistas da verdade

Dom Romualdo Matias Kujawski
Bispo de Porto Nacional (TO)


“Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14,6)

 

Existe um ditado popular, constatando que existem momentos em nossas vidas, em que é difícil encontrar a coragem de “enxergar a verdade com próprios olhos”. A aceitação da verdade existencial sobre nós mesmos ora é fácil, ora é difícil. Isso depende das diversas circunstâncias da vida, sejam elas emocionais, afetivas, sociais, materiais, referências morais e também do momento. Muitas vezes temos medo desta verdade, porque é mais fácil encontrar uma ilusão sobre se mesmo do que enfrentar a verdade desafiadora.

Mas o que é a verdade?

Pilatos também teve dificuldades para entender o conteúdo da verdade. Após seu interrogatório, perguntou a Jesus: “O que é a verdade?” E assim, concluiu em seguida: “Eu não encontro nele crime algum.” (Jo 18,38) Se Pilatos tivesse a consciência de que o próprio Jesus é “o Caminho, a Verdade e a Vida e que ninguém “vai ao Pai senão por Ele” (Jo 14,6), tudo teria sido diferente.

Se nos aprofundarmos um pouco mais pelas linhas da antropologia moderna, podemos perceber que esta não é ligada com a dimensão transcendental monoteísta. Tal pensamento é típico das culturas politeístas grega e romana. O fruto mais trágico desse pensamento é que a humanidade de hoje não se encontra mais em unidade com Deus. Eis a causa que Pilatos subjetivou a verdade e confundiu a moralidade. Não se referiu a Deus Pessoa, mas deu razão àquele que grita mais forte, quem pode ameaçar seu próprio status. Podemos concluir que a verdade subjetiva confundiu-se com a Verdade das Verdades, Deus Único e Verdadeiro. Pilatos, infelizmente, lavou as mãos e fracassou.

A consequência desse gesto é conhecida por todos: Jesus foi crucificado! Mas nossa fé é pascal! Ela nos leva a crer que Jesus é vitorioso!  Ressuscitou de verdade e confirmou o que disse antes: que somente Ele é “o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14,6)

Então, o que é a verdade pra nós e como distingui-la das falsas verdades?

Nossa melhor resposta sempre será encontrada no Senhor. A Verdade Universal – Deus – deve ser sempre a nossa referência existencial e moral. Tal verdade, verificada na moral normativa dos dez mandamentos nos leva à luz e à felicidade eterna.

As verdades ideológicas ou ideologizadas não iluminam a nossa vida. Pelo contrário, nos conduzem à escuridão do consumismo, à dependência dos vícios ou à miséria dos prazeres e objetivos confusos. Esse foi o caminho de Pilatos.

O discernimento cabe a cada um de nós.

Jesus então disse: “Se permanecerdes em minha palavra, sereis verdadeiramente meus discípulos, e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (Jo 8, 31-32)

Convido-os a pensar, refletir, rezar, confirmar a própria identidade religiosa e, assim fortalecidos pelo Espírito Santo, agir!

 

 

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