O Bom Pastor que cuida e protege o rebanho

Dom Roberto Francisco Ferreria Paz
Bispo de Campos

O 4º Domingo da Páscoa nos apresenta o Ressuscitado que, como Bom Pastor, continua a dar vida e cuidar do rebanho. Poderíamos levantar a questão se, hoje, na cultura urbana e no meio da cidade moderna e secularizada, tem sentido apontar a Cristo como Pastor e falar de rebanho e de ovelhas para caracterizar o Povo de Deus organizado e em estado permanente de saída.

É necessário, sim, revisitar esta figura bíblica que se aplica na história de Israel, a Deus, aos reis e dirigentes e, como auto apresentação, ao próprio Jesus Salvador. Na cidade, sentimos claramente o apelo, como afirma o Papa Francisco, da existência de homens de Deus que, atualizando a presença de Jesus como o Pastor compassivo e misericordioso, se aproxime, pessoalmente, e carregue os sofrimentos e doenças dos moradores da cidade, tantas vezes imersos no descaso e na falta de cuidado.

Mais, torna-se exigência pastoral e missionária, a escuta, o acolhimento, discernimento e acompanhamento das pessoas que procuram experimentar e vivenciar um amor permanente e verdadeiro. Nunca será demais dizer que a cidade, com seus equipamentos e espaços, que oferecem serviços e atendimento de necessidades humanas, seria, facilmente, uma selva de pedra sem alma, sem o reconhecimento e a descoberta do Deus vivo que habita na cidade.

Para isso, a imprescindível e indispensável missão de pastores-sacerdotes, especialistas em humanidade e explicitadores do sentido profundo da vida, que continuem e prolonguem a presença do Bom Pastor que restaura, cuida e liberta, formando comunidades eclesiais adultas e missionárias na cidade. Quando o Bom Pastor edifica e protege a urbe, ela se torna a civitas amoris, a civilização do amor, onde todos são irmãos e vivem reconciliados em paz. Deus seja louvado!

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