O Coração de Jesus é a própria misericórdia

Dom Manoel Delson
Arcebispo da Paraíba

 

Neste mês, além das festividades dos santos juninos, os católicos celebram com grande fervor a Festa do Coração de Jesus. Essa festa, tão difundida no mundo, tem como motivo revelar as riquezas do amor de Deus pela humanidade. Não se trata de um amor marcado por sentimentalismo barato – a Igreja não propõe essa festa para facilitar o seguimento radical de Jesus ou para torná-lo um lugar de comodismos.

O Papa Pio XII, na sua histórica Carta Encíclica sobre o Culto do Sagrado Coração de Jesus, “Haurietis Aquas”, afirma com afinco que no Coração do Redentor encontramos o símbolo da sua imensa caridade para com o gênero humano. A caridade do Sacratíssimo Coração de Jesus exige um amor solidário, de resposta. Deus não poderia amar sozinho. Ele nos convida a amá-lo, com todas as nossas forças e vontade, e nos convida ainda a dispensar esse mesmo amor aos irmãos, mostrando-lhes que o amor divino é uma fornalha de caridade para todos. Os devotos do Coração de Jesus têm a missão de mostrar esse amor solidário de Deus que nunca se prende a si e as suas dores, ao mundo, que se encontra tão ferido e cansado pelos equívocos de outros amores. Portanto, ser devoto desse Coração, do Divino Redentor, é ser continuidade do amor que se dá, que não se retém jamais!

O Papa Francisco costuma dizer que o Coração do Bom Pastor é não somente o Coração que carrega misericórdia para nós, mas Ele é a própria misericórdia. Para o magistério do Papa latino-americano fica muito evidente que, naquele Coração, resplandece o generoso amor do Pai, e que podemos ter a firme convicção de sermos acolhidos e compreendidos nesta fornalha de caridade. Por fim, celebrar o Sacratíssimo Coração do Redentor que nos ama até quando caímos significa que estamos dispostos a renovar nossa confiança em Deus: “Nós estamos no Coração de Deus, esta é a nossa grande confiança” (Bento XVI).

Não podemos estar no mundo de qualquer forma, sem saber para onde a Providência de Deus nos governa, e esta nos governa com os nossos irmãos; o outro não é um inimigo a ser combatido, mas um alvo querido pelo amor do Senhor. A Festa do Coração de Jesus é uma grande profecia para este mundo. Ela revela que o amor divino nunca exclui, nunca descarta. Constatamos que esta festa fala de fraternidade e de amor que não oportuniza competitividades, leva-nos à compreensão efetiva de que devemos buscar amar um pouco do jeito que Deus ama!

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