O G8 e o mundo pobre

Periodicamente, os Presidentes e Primeiros Ministros dos países “mais industrializados e desenvolvidos economicamente”, se reúnem com uma agenda de trabalho que, obviamente, preserva a sua hegemonia e, secundariamente, inclui políticas de apoio a nações que se encontram em absoluto subdesenvolvimento. Com efeito, esta causa entra na pauta de discussões dos países ricos, há muito tempo. Em alguns momentos, como aconteceu em L’Aquila, Itália, recentemente, como convidados, participaram da reunião deste Grupo os governantes dos países em desenvolvimento – Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), por seu lugar na economia mundial. As relações entre as nações, no plano político, se estabelecem sempre a partir do reconhecimento, respeito e defesa da sua respectiva soberania, muito embora isso seja bastante relativo, a exemplo do quadro dos governos totalitários no mundo, nas décadas de 60 a 80 que, sabidamente, não foram escolhidos pela população, mas impostos por golpes militares, por sua vez, teleguiados por políticas estrangeiras.

Atualmente, há uma mudança de posição na diplomacia, quando ocorre caso de anormalidade democrática num determinado país, a exemplo do que acontece, em Honduras; há sempre contestações e, em alguns casos, represálias com sanções econômicas. Quando, porém, os interesses econômicos e comerciais norteiam as relações internacionais, movidas por outras referências, como a competição e a concorrência, quase sempre, em condições absolutamente desiguais, já não considerados os direitos fundamentais das nações pobres.

Os analistas políticos e econômicos reconhecem que a crise mundial nasceu nos países ricos, decorrente da desastrosa condução do capital financeiro. Por sua peculiaridade, afeta, de maneira drástica, as “locomotivas” da economia mundial, desequilibrando a produção e o consumo de bens, daí sua repercussão interna e externa. Todavia, embora grandes e complexos, os problemas sociais e financeiros dos países pobres não tiveram a capacidade de mover a humanidade porque os países ricos, ao pé da letra, podem viver sem eles. No encerramento do encontro de L’Aquila, analistas afirmaram: “G8 é longo em boas palavras e curto em concretizações”, acrescentando: “o comunicado do G8 sobre economia global, mudança climática e ajuda contém um conjunto de boas intenções e declarações concretas insuficientes.”

As distâncias continuam abismais entre países pobres e ricos devido, basicamente, à sua localização geo-política no mapa mundi, não obstante, decisões assumidas em vista de uma mudança na política mundial, com o início do terceiro milênio. A Igreja, mestra da verdade, eleva sua voz em torno dessa causa, como o fez com a Carta Apostólica “Novo Millennio Ineunte” (No início do novo milênio) de João Paulo II: “No nosso tempo, de fato, são muitas as necessidades que interpelam a sensibilidade cristã. O nosso mundo começa o novo milênio, carregado com as contradições dum crescimento econômico, cultural e tecnológico que oferece a poucos afortunados grandes possibilidades e deixa milhões e milhões de pessoas não só à margem do progresso, mas a braços com condições de vida muito inferiores ao mínimo que é devido à dignidade humana. Como é possível que ainda haja, no nosso tempo, quem morra de fome, quem esteja condenado ao analfabetismo, quem viva privado dos cuidados médicos mais elementares, quem não tenha uma casa onde abrigar-se?” Bento XVI, na Encíclica “Caritas in Veritate” (A Caridade na Verdade), trata da natureza da relação entre países ricos e pobres:  “Atualmente o quadro do desenvolvimento é policêntrico. Os atores e as causas tanto do subdesenvolvimento como do desenvolvimento são múltiplas, as culpas e os méritos são diferenciados. (…) Hoje a linha de demarcação entre países ricos e pobres já não é tão nítida como nos tempos da Populorum progressio”.

Dom Genival Saraiva de França

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16/03/2018

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