O menino assassinado

Não houve pessoa alguma no Brasil que não se tivesse sentido atingida pelo assassinato brutal do menino João Roberto, de três anos de idade. Foi no Rio de Janeiro. Os jornais deram a trágica notícia: duas crianças no banco de trás; a mãe na direção do carro; a polícia em alta velocidade, perseguindo criminosos que fugiam; o carro encostado à esquerda para a polícia ultrapassar, enquanto os agentes disparavam suas armas contra o carro da senhora que o dirigia. Assim morreu a criança, atingida por vários tiros das armas assassinas.

O espanto de todos é que os tiros que atingiram o inocente de três anos partiram dos que têm a função de proteger a vida de todos nós. O desespero do pai de João Roberto, como se viu nos jornais da TV, era de sofrimento imenso e justo: perder um filho, nas vésperas de completar quatro anos, por imperdoável erro de quem deveria defender a população, é trágico. Não há explicação que se possa aceitar nem consolo para os pais desgraçadamente atingidos.

Não faz muito tempo que outro menino, chamado João Hélio (“hélio” quer dizer sol) preso fora do carro pelo cinto de segurança foi arrastado pelo asfalto por vários quilômetros nas ruas do Rio, sem que ninguém pudesse socorrê-lo na velocidade com que os bandidos fugiam loucamente, arrastando a criança.

Não se sabe qual a instrução que as corporações dão a seus membros, cuja função é defender a população dos perigosos elementos que se misturam na vida social, para que não se repitam os lamentáveis erros, como este e outros, que destroem vidas inocentes.

Está na memória de todos nós o recente episódio, também no Rio, de militares que entregaram rapazes do morro carioca a um grupo inimigo, cujos membros não titubearam em assassiná-los barbaramente. A maldade dos agentes militares neste gesto de entregar os rapazes ao grupo inimigo não tem explicação aceitável. Duplo crime: entregaram os rapazes a bandidos e assim permitiram que fossem assassinados.

Os cidadãos têm o indiscutível direito de serem protegidos por uma polícia eficiente, cuidadosamente preparada, capaz de evitar que seus membros, ao invés de nos defender de elementos perniciosos, sejam eles mesmos os autores de lamentáveis atos de morte dos inocentes, como este do menino João Roberto, de três anos apenas, como se fosse um criminoso periculoso da sociedade carioca.

João Roberto, João Hélio e Isabella – tríptico de vítimas dos novos herodes.

Dom Benedicto de Ulhôa Vieira

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