O padre e o Natal

Neste ano sacerdotal, temos a arquidiocese de São Paulo tem a graça e a alegria ordenar um bom número de diáconos permanentes, diáconos seminaristas, padres

e até um bispo novo. E isso, só para o clero da Arquidiocese, sem esquecer que também foram ordenados diáconos e sacerdotes do clero religioso, em São Paulo. Demos graças a Deus! E continuemos a pedir ao Senhor da messe, que envie operários para sua messe. A pastoral das vocações requer a participação de todos, rezando pelas vocações,  apoiando e incentivando os vocacionados, ou ainda ajudando com recursos para materiais a sustentação dos seminários.

No tempo do Advento e Natal, vemos os padres empenhados nas celebrações especiais do sacramento da confissão, na preparação do povo para as festas que se aproximam; ocupados em promover as novenas de Natal, as ações de solidariedade social, tão condizentes com esta época; empenhados também em ações culturais e de presença na cidade e na sociedade, para que a Boa Nova do nascimento do Salvador chegue a todos e não seja abafada pelos tantos anúncios, que comercializam o Natal e seqüestram o seu significado. Neste contexto, a vocação e missão do sacerdote ganha nova luz e compreensão.

De fato, como João Batista, o padre é “voz que clama”, profeta de Deus que anuncia a presença e a proximidade de Deus em relação ao homem; sua missão, em boa parte, consiste em manter a humanidade em constante clima de “advento”, ajudando o povo as acolher o Deus que vem. Sua atuação e presença testemunham “em favor das coisas de Deus” (cf Hb 5,1), ajudando as pessoas a manterem o rumo na vida, a cultivarem a comunhão com Deus, a terem sua referência em Deus; não uma referência qualquer, vaga ou confusa, mas aquela que nos é dada em Jesus Cristo: nele, a luz resplandeceu para o mundo e o homem já não precisa mais debater-se, angustiado, por caminhos inseguros, procurando Deus, onde Deus não está. Em Jesus, foi-nos mostrado “o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14,6) e quem o segue, não anda nas trevas, mas tem a luz da vida (Jo 8,12).

A missão do padre é como a de João Batista, que grita ao povo “preparai os caminhos do Senhor!” (cf Lc 3,4); ele ajuda o povo a se voltar a Jesus Cristo, indicando sempre para ele: “eis o cordeiro de Deus, a ele é que deveis seguir” (cf Jo 1,29). Não é para si que atrai as pessoas. A serviço de Jesus Cristo, o padre atrai para Ele, leva ao encontro com Ele e fica feliz quando este encontro acontece. S. Agostinho, falando da missão de João Batista e dos anunciadores da Palavra de Deus, afirma que eles são a voz e o sopro, a serviço da Palavra, que é de Deus: “João era a voz, mas o Senhor era a Palavra, desde o princípio; João era voz passageira, Cristo, a Palavra eterna. Suprimi a palavra, o que resta da voz? Esvaziada de sentido, é apenas um ruído. A voz, sem as palavras, ressoa aos ouvidos, mas não alimenta o coração” (Ofício das Leituras, 3º Domingo do Advento). O padre é a voz, que está a serviço da Palavra da salvação.

Da mesma forma, na celebração dos Sacramentos, mediante a graça e a ação do Espírito Santo, o padre torna presente o Mistério da Salvação, o mesmo que entrou no mundo e se realizou através da encarnação do Verbo, mediante o sim e a colaboração de Maria. O padre foi consagrado e ungido para a celebração dos Divinos Mistérios, mediante os quais o povo de Deus acolhe e recebe as bênçãos da obra realizada por Cristo. O Padre, portanto, está consagrado ao serviço das “coisas de Deus”, realizadas em favor dos homens através do sacerdócio de Cristo (cf Hb 5,1). Mediante seu ministério, os cristãos são gerados na fé para a família de Deus e nutridos com o alimento espiritual, que o Pai nos enviou do céu (cf Jo. 6, 51).

Neste Ano Sacerdotal, desejo que todos os padres celebrem o Natal com especial alegria e emoção, envolvendo também suas comunidades na contemplação das “grandes coisas” que Deus realizou em favor de nós, ao enviar seu Filho ao mundo. Na noite em que o céu e a terra trocam os seus dons, aconteça novamente a mesma troca de dons na celebração da Eucaristia; desta vez, não envolvendo apenas Maria, José e os pastores, mas também a cada um de nós: cada padre e cada fiel em Cristo, membro das nossas comunidades.

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