Oposição aos profetas

Nos escritos bíblicos encontramos, muitas vezes, narrativas sobre profetas perseguidos porque disseram a verdade e fizeram críticas a desmandos de lideranças. Deus escolhia pessoas até frágeis para a realização de missões difíceis. Jeremias, por exemplo, foi admoestado sobre sua árdua incumbência, mas com a segurança da proteção divina: “Não tenhas medo… eu te transformarei hoje numa cidade fortificada, numa coluna de ferro, num muro de bronze contra todo o mundo, frente aos reis de Judá e seus príncipes… eles farão guerra contra ti, mas não prevalecerão, porque eu estou contigo para defender-te” (Jr 1, 1-19).

Não raro até a pessoa honesta é perseguida porque sua honestidade contrasta com os projetos e práticas de pessoas sem escrúpulo em lesar o bem alheio e até o bem público na realidade da política. Há quem se vinga porque alguma pessoa ou instituição religiosa não se colocou ao lado de atitudes pouco éticas. Não se conforma com a conscientização da população sobre a responsabilidade do voto em quem realmente tem condição moral e prática de servir o bem público. Na verdade, até quem quer servir com honestidade a comunidade fica com receio dos obstáculos no exercício do mandato. A própria comunidade e toda pessoa deveriam acompanhar as pessoas eleitas para que elas exerçam o cargo de acordo com a finalidade pela qual foram escolhidas.

Jesus anuncia a ação de Deus em bem de pessoas aceitadoras de seu projeto, manifestando sua fé mesmo nas dificuldades e nos obstáculos da vida. Assim, lembrou o milagre acontecido com a viúva de Sarepta, que beneficiou o profeta Elias, dando-lhe o pouco que tinha e suas vasilhas não ficaram sem comida. Lembra também a cura do sírio Naanã, feita com a ação do profeta Eliseu. O divino Mestre apresentou esses fatos, contrastando-os com a incredulidade dos judeus (Cf. Lucas 4, 25-30). Por isso, estes não quiseram aceitar a crítica de Jesus e o expulsaram da cidade. Se o próprio Messias não foi aceito e até o crucificaram, muitos também, por causa dele e de sua verdade, não são aceitos numa sociedade com muito paganismo, hedonismo e materialismo. O Evangelho apresenta um itinerário de vida exigente para se obter dignidade e grandeza moral. Muitos querem que a Igreja seja “light” ou leve em suas exigências. Mas ela não pode mudar os valores de Cristo. Aliás, Ele mesmo disse que o caminho que leva à salvação é estreito e exige renúncia.

No seguimento ao Filho de Deus, como discípulos, temos que fazer a experiência de vida na contenção do que diminui ou anula o valor ético e moral da vida. Não se pode abrir mão do respeito à vida desde a fecundação até a morte natural. A família bem constituída, conforme o projeto do Criador, é um desafio frente à sua desvalorização apresentada em tantas novelas e tantas pessoas que são cegas para o valor da dignidade do matrimônio, da mulher e da sexualidade humana. A proposta cristã não pode ser vista como freio aos instintos, mas como elevação da interrelação das pessoas, que são imagem e semelhança de Deus. Mesmo nas oposições em relação aos valores humanos e cristãos, temos que apresentar e defender a verdade do humano e a perspectiva do divino no humano.

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