Para além do ócio intelectual

Dom Aloísio Roque Oppermann  
Arcebispo de Uberaba (MG)

O mês de janeiro costuma ser descartado para coisas mais sérias: reuniões, encontros, celebrações. Decisões ficam adiadas. Tudo funciona a meio mastro. Exceção fazem os ensaios de carnaval, e naturalmente as finalizações da composição do governo Dilma. Como Bispo  me considero incluído entre o grupo  que entra em marcha lenta. Usufruindo de um ócio – curto por sinal, e diante da paisagem verdejante das coxilhas sulinas – fiz uma atenta leitura (com destaca-texto) do documento de Bento XVI “Palavra do Senhor”. Fiquei muito sensibilizado com seu conteúdo, cheio de fé e de sabedoria. Vê-se que as sugestões dos Padres Sinodais foram muito bem consideradas. Mas a teologia de Bento XVI sobressai em seu conjunto. Há ensinamentos  sublimes sobre o Verbo de Deus, Jesus Cristo, quando demonstra que nós não somos a religião do livro (Bíblia), mas de uma pessoa, Cristo. É bem verdade que o documento entra em algumas coisas óbvias, e já sabidas, como quando sugere que os Leigos que fazem leituras nas celebrações sejam bem treinados em suas tarefas. Embora a publicação do documento tenha demorado, sua “mordência” não foi afetada.

Sobressai entre os ensinamentos do sábio documento, que a revelação divina acontece na criação maravilhosa da natureza; na história da vida de cada filho de Deus; na história de um povo; nos escritos sagrados da Bíblia; nos ensinamentos  da Santa Igreja; na vida dos justos; no rosto sublime de Jesus. Neste, “nossa alegria é completa”  (1 Jo 1, 4).  Só Ele tem palavras de vida eterna. Não existe busca maior do que esta. Ele deseja reabrir ao homem o acesso a Deus, que quer se comunicar conosco, para “termos vida em abundância” (Jo 10,10). Nas manifestações de Jesus é Deus que fala, e reage às nossas interrogações. Com isso fica evidente que a festa de Pentecostes é eterna, também nos dias atuais. Jesus é a palavra viva, a sabedoria encarnada de Deus. Ele é um mistério inacessível, que narra a vida íntima da Trindade. A maneira eterna de comunicação divina fica por conta da Sagrada Escritura.  Ela é definitiva uma vez que o Eterno já disse tudo. Não devemos mais esperar nenhuma nova manifestação pública. O Consolador Divino esteve atuante na elaboração das Escrituras, e está na sua leitura atual.  Eu gostaria muito que o caro amigo também fizesse uma leitura atenta desse grande ensinamento de Bento XVI.

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