Para ter menos setembros amarelos e vida em plenitude

Dom Roberto Francisco Ferreria Paz
Bispo de Campos (RJ)

 

No mês de setembro, a sociedade civil reflete sobre o preocupante e complexo fenômeno e doença do suicídio que envolve milhares de jovens e adultos. Na verdade, mostra, às claras, a que conduz o relativismo, no qual se perdem os horizontes e, na liquefacção dos valores e dos princípios, nada fica de pé. A vida das grandes cidades fragmenta e esvazia o ser humano, que somente tem como compensação para quem possa pagar o consumismo.

Nesta ciranda e frenesi desgovernado, a própria pessoa é consumida e sua vida banalizada. No entanto, sentimos fome de sentido e nostalgia de um amor verdadeiro que ilumine e devolva o brilho da paixão de viver aos nossos olhos e coração. É claro que, muitas vezes, o suicídio pode ter causas ocasionais, químicas e orgânicas, que provocam um desgaste ou burnout existencial que nos afunda numa tristeza e angústia cada vez mais grave.

Não bastam, todavia, a medicação ou os diversos tipos de prozac, embora ajudem e possam aliviar, mas a inquietação do coração, as cardiopatias espirituais como o cansaço de viver, o pessimismo e a amargura, reclamam uma reviravolta de sentido e um choque de esperança. Resgatar a capacidade de sonhar, de ter um Projeto de vida, pessoal e comunitário, descobrir, como dizia muito bem Dom Helder Câmara, que há mais de mil razões para viver.

Temos que suscitar e gerar a cultura da aproximação e da aceitação, da ternura compassiva, da escuta amorosa que cuida das pessoas e lhes devolvem a auto-estima e o sabor pela vida. Benditos os centros de valorização e cuidado da vida, os serviços de SOS VIDA, pessoas e instituições que acolhem e oferecem aconselhamento e discernimento psicológico e espiritual, e todos aqueles que lutam e se empenham por construir a sociedade do bem viver e conviver, um mundo mais saudável, misericordioso e fraterno, são como anjos de resgate e de proteção que vencem e ajudarão a vencer as tendências suicidas de tantos irmãos(ãs) atingidos por este flagelo. Que o Senhor da vida, dê alegria, esperança e desejos de felicidade plena aos que padecem estas tendências autodestrutivas. Deus seja louvado!

 

 

 

 

 

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