Paz e Bem

Paz e Bem! É a mensagem culminante da Evangelização. Por isso veio o Cristo Senhor da parte do Pai. A saudação do dia da sua ressurreição foi justamente esta: a Paz esteja

convosco.

Vivemos um tempo coberto com um véu de tristeza e angústia diante da malvadez refletida nas manifestações de intolerância, de incompreensões, de falta de misericórdia, de falta de perdão, de solidariedade.

As pessoas se comovem diante de graves acidentes com elevado número de mortes. Não há porém sensibilidade diante da miséria, da fome, da angústia que atinge tantas pessoas indefesas, especialmente os mais pequeninos.

Quanto maior a procura do consumismo, menor é a capacidade de ouvir a voz da consciência, sinal lampejante da voz de Deus, da sua Palavra. Há acomodamento fácil, desilusão, desinteresse, sobretudo na falta de alegria interior e de esperança.

Assim, uma convergência de fenômenos exteriores e interiores concorre para fazer-nos longínquos da vida imersos em nosso mundo solitário levando-nos à insensibilidade e ao descuido dos valores que contam.

Desse descuido se evidencia o não acolhimento ao convite de comunhão com Deus e, em conseqüência, a falta de empenho para operar o bem. Isso indica o tédio do coração à vida do espírito. É o fechamento do espírito, impotência da vontade e desgaste dos dons que Deus nos concedeu.

É bom escutar a voz de Cristo a Pedro: “Quando acabou de falar, disse a Simão: Avança mais para o fundo, e ali lançai vossas redes para a pesca” (Lucas 5,4). Faz bem contemplar o rosto de Cristo, olhar divino capaz de infundir nova confiança no futuro, e de escuta de Simão Pedro à palavra de Jesus, confirmada pela inesperada pesca abundante.

O apóstolo Paulo recorda “as palavras do Senhor Jesus que disse: Há mais felicidade em dar do que em receber” (Atos 20,35). É bom adotar esta terapia de vida, é simples e profunda.

Paulo VI escreveu na exortação sobre o anúncio do evangelho: “O mundo, não obstante inumeráveis sinais de recusa de Deus, paradoxalmente o procura através de caminhos inesperados e sente dolorosamente a sua necessidade, reclama evangelizadores que lhes falem de um Deus que eles conhecem, e que lhes seja familiar, como se vissem o Invisível” (nº 76).

O encontro com Cristo nos fará experimentar a alegria, a paz interior, o verdadeiro sentido da vida. É preciso que cada cristão carregue esta paz e a promova.

Desejamos um mundo de paz, de compreensão entre as pessoas, de respeito mútuo, de perdão, de misericórdia, de solidariedade. Para a sociedade em geral parece utopia. É preciso conversão ao amor que vem de Deus, sem egoísmo. Cada pessoa deve ser artífice da paz, da alegria, que vem do interior do coração, para ser comunicado a nossos semelhantes. É necessário renovado sentimento de fé no Senhor Jesus. Com a sua palavra sempre atual em cada página do evangelho, ilumina nosso mundo interior e os caminhos da nossa vida enquanto estamos nesta terra. É tempo de encontrar novo impulso à própria vida e dar escuta às expectativas presentes na história e no coração da humanidade.

Os cristãos têm responsabilidades grandes na hora atual. As suas reservas de fecundidades de vida nova vieram com o Cristo. Pessoas foram atingidas pelo chamado do Senhor em momentos diferentes da história para dar testemunho de conversão radical a fim de se tornarem missionários especiais para a sua época, com repercussão nos séculos futuros. Assim foram os apóstolos, a conversão de Paulo de Tarso, Santo Agostinho, São Bento, São Francisco de Assis e outros. Chamaram atenção pela fecundidade em situações de crise para encontrar espaço a sonhos grandes e a símbolos globais com a garantia do mistério da cruz de Cristo.

Os que se sentiram atraídos pelo mistério da cruz tiveram fecundidade de vida, sem perderem jamais a alegria irradiante. É a alegria que dá autoridade à nossa pregação. Ninguém acreditará que um pregador triste traga boas notícias. É a alegria que abre os olhos a um mundo de dons. É a alegria que indica o Reino e nos convida a continuar a aventura de Cristo. Isto significa que devemos cuidar da alegria de nosso irmão. Enfim esta alegria se tornará mais profunda diante de vulnerabilidade ao sofrimento deste mundo.

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