Pentecostes: Festa da Unidade na Diversidade

Dom Pedro Carlos Cipolini

Bispo Diocesano de Amparo – SP

Durante cinquenta dias nós caminhamos à luz da Páscoa celebrando a ressurreição de Jesus Cristo. A  paixão e morte de Jesus na Cruz, sua gloriosa ressurreição e a vinda do Espírito Santo são um acontecimento único que caracteriza a “nova criação” que Deus realiza por meio de seu Filho, o novo Adão. Em Cristo, Deus Pai criador, renova, recria o mundo conforme a obra de seu Filho Jesus, obra que levamos avante guiados pela força do Espírito Santo (Rm 8,14). Podemos afirmar que o mundo que jaz morto no pecado, ressuscita com Cristo, pelo Espírito Santo dado á sua Igreja que é semente do Reino de Deus na História (LG 3).

Em Pentecostes, a Igreja desejada por Jesus como “pequeno Rebanho” (Lc 12,32), é insuflada pelo sopro do Espírito e surge como “missão a serviço do Reino de Deus” anunciado por Jesus. Mais que dizer que a Igreja tem uma missão, podemos dizer que o Reino de Deus tem uma Igreja missionária a seu serviço, para difundi-lo no mundo. Assim, a Igreja reverte o acontecimento narrado no episódio da Torre de Babel, onde ninguém se entendia pela confissão das línguas. Em Pentecostes acontece o contrário, o Espírito, através da Igreja difunde no mundo a linguagem do amor, o qual  inclui a justiça com o perdão e  misericórdia.

Pela linguagem do amor, o Espírito une a diversidade na força do ressuscitado: “Um só Senhor, uma só fé um só batismo” (Ef 4,5). O mesmo Espírito produz a multiplicidade de dons e ao mesmo tempo produz a unidade, pois o  Espírito Santo é o amor de Deus que tudo une. O mundo de hoje, maravilhoso no seu aspecto tecnológico e científico, precisa de um novo Pentecostes, para perceber que é o Espírito Santo de Deus, a fonte de toda novidade, inspiração e força criativa do ser humano. Desde o início, o Espírito pairava sobre tudo o que era criado (Gn 1,2).

É necessário considerar que em  nível interno da Igreja, o Espírito Santo nos convida à unidade. A paixão pelo Reino é inseparável da paixão pela unidade: somos membros diversos do mesmo Corpo (Rm 12, 3-8; 1Cor 12, 3-13).  Ideologizar a mensagem do Evangelho é um perigo que ronda nossas comunidades. Quando isto acontece, a Igreja se torna “casa de estranhos”, como um hotel onde as pessoas estão juntas, mas não unidas, reunidas, mas não unidas. Em nível externo, a força e o dinamismo do Espírito Santo, impelem a Igreja para a missão. O Espírito Santo desinstala sempre a comunidade, para que vá avante e seja criativa nos meios, métodos e linguagem,  que a evangelização exige.

E hoje, em tempo de mudanças, ou melhor, em mudança de época como se convencionou caracterizar nossa realidade vista de forma abrangente, mais que nunca é necessário ouvir o que diz o Espírito Santo à Igreja (cf. Ap 2,27). Mais que nunca é necessário perceber os “sinais dos tempos” que pedem uma “conversão pastoral” (cf. Doc. de Aparecida n. 365-366). Conversão pastoral que só é possível, na fidelidade ao Espírito Santo que conduz a Igreja, inspirando-lhe “a necessidade de uma renovação eclesial que implica reformas espirituais, pastorais e também institucionais” (Doc. De Aparecida n. 367).

Na força do Espírito que recebemos, o qual nos inspira e ampara, tenhamos a paixão pela unidade, saibamos sofrer para construí-la na diversidade e adversidade. Ao mesmo tempo tenhamos a paixão pela missão, cada dia mais urgente e exigente.

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