Peregrinos da Esperança

O verdadeiro cristão não só vive e pratica a virtude teologal da Esperança, mas é ao mesmo tempo convidado a estar sempre pronto a dar a razão de sua esperança a todo aquele que a pedir (cf. 1 Pd 3, 15).

Iniciar um novo ano é dar espaço a perspectivas de novas esperanças, é alimentar sonhos de novas realizações e desejar dias melhores. Dois mil e nove será melhor ou pior do que 2008? Por si só nenhum ano é pior ou melhor do que o outro. Somos nós a fazer o ano ser o que ele é.

A nossa condição de peregrinos da esperança, aguardando o advento do Reino definitivo, não pode estar marcada pela tensão entre o que já é uma realidade e o que ainda não acontece plenamente.

Luzes e sombras marcaram o percurso do ano recém-findo. Catástrofes ambientais e outras provocadas pela insensatez dos seres humanos, assolaram a humanidade em diversas partes do mundo.

Apesar das crises econômicas e políticas, da violência espalhada por todos os lados, da  corrupção crescente  e descarada, do desrespeito aos mais elementares direitos humanos.  Ainda que a injustiça social continue a massacrar milhões de pessoas e os conflitos entre as nações não cessem. Mesmo que o egoísmo, o individualismo, o hedonismo, o consumismo e demais “ismos” continuem a subjugar os seres humanos. Não obstante a persistência da cultura de morte reinante, o cristão não pode perder a esperança nem desanimar. Não pode fugir à missão de ser luz e sal da terra e de fermentar a massa. Não podemos pecar por omissão nem deixar de testemunhar que Cristo, nossa esperança, está no meio de nós e caminha conosco.

“Graças à esperança podemos enfrentar nosso tempo presente: o presente, ainda que custoso, pode ser vivido e aceito, se levar a uma meta e se pudermos estar seguros desta meta; se esta meta for tão grande que justifique a canseira do caminho” (Spe Salvi, 1).

Nossa atitude cristã deverá transparecer serenidade de espírito por aquilo que já alcançamos e muita esperança na conquista do que ainda nos falta. Entremos, pois, na corrente e no movimento dos que “estão sempre melhor do que merecem”. No coração do cristão não há lugar para pessimismo ou derrotismo. Amanhã poderemos ser melhores do que hoje. Não percamos de vista a meta final que dá sentido e valor ao caminhar nosso de cada dia. Busquemos diariamente motivações sólidas e empenho renovado na transformação da realidade segundo o projeto do Criador.

O mundo precisa de esperança. Precisa da minha, da nossa esperança. Precisa de “profetas da esperança”, de apóstolos da esperança que levem as pessoas sem esperança a receber esperança, ou seja, a um encontro vivo e real com o Deus da esperança, capaz de nos encher de toda alegria e paz, em nossa vida de fé (cf. Rm 15, 13), com o Deus que nos amou, e ama ainda agora. Assim, ao contemplar o mundo aparentemente perdido, uma nova esperança nos impulsionará para a solidariedade fraterna e a participação efetiva na construção de uma sociedade que fará surgir “um novo céu e uma nova terra” (Ap 21, 1). Fica então o convite a que cada discípulo/a de Jesus alargue o coração e se coloque a serviço da Esperança.

Maria Santíssima, “Estrela da esperança”, caminhará conosco na peregrinação para o Reino que não terá fim.

Dom Nelson Westrupp

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