Pobreza e violência

É bastante generalizada a associação que muitas pessoas fazem entre pobreza e violência. Trata-se de um ponto de vista equivocado e, profundamente, injusto porque pessoas, comunidades, regiões e nações pobres são vistas e tidas como causa da violência social. O erro desse juízo está na generalização porque, pelo fato de haver pessoas e grupos, numa determinada área de uma cidade, identificados por sua reconhecida violência, não se pode estender a todos os habitantes a pecha de violentos. Assim, na leitura de muitas pessoas, em determinados bairros de uma cidade onde, efetivamente, se registram casos violentos, seus habitantes são considerados os causadores da insegurança social, embora sejam cidadãos e trabalhadores honestos. Normalmente, a sociedade é induzida a ter uma compreensão distorcida da realidade, por alguns profissionais da comunicação que atuam em alguns programas de rádio e televisão, com caráter sensacionalista, passando-lhe uma imagem extremamente negativa. Esse tipo de abordagem está muito disseminado por veículos de comunicação que têm um alcance nacional, regional ou local.

Esse problema assume uma dimensão muito preocupante porque as pessoas são julgadas por sua condição de pobreza e pela localização de sua moradia. A CF 2009 identifica essa situação: “Associar pobreza e violência pode gerar grandes injustiças na avaliação das pessoas. Milhares de moradores de certos bairros das grandes cidades sequer ousam apresentar o próprio endereço quando encaminham currículos com a finalidade de obter um emprego. O simples fato de morar em certas regiões já é suficiente para estigmatizá-los, como se fossem todos delinquentes.” Embora sejam detectados casos de violência praticada por “jovens de famílias abastadas”, a sua divulgação não tem a mesma ênfase e tampouco é usado o mesmo linguajar depreciativo, ao se referirem aos seus delitos. A CF constata que “pode haver pessoas violentas em qualquer lugar do tecido social.”

Naturalmente, não podemos desconhecer que há uma relação entre a qualidade de vida das pessoas e a sua realidade geográfica e social. Esse fenômeno está vindo à tona, de forma muito evidente, em meio à crise da economia mundial. Está piorando a qualidade de vida de muitas pessoas, por exemplo, em decorrência da perda do emprego; se para os pobres viver com dignidade sempre foi um desafio, como não pensar na situação de milhões de pessoas que “vivem abaixo da linha da pobreza”? De fato, é muito palpável a relação que existe entre pobreza extrema, entre miséria e violência. Entre nós, os “bolsões de miséria” são lugares que alimentam a violência, dado que seus habitantes se encontram em estado de necessidade absoluta dos bens essenciais à vida e à convivência de qualquer ser humano. Numa palavra, a miséria é caminho que leva, diretamente, à violência; essa relação, porém, não deve ser aplicada à pobreza que permite que as pessoas sejam felizes e realizadas, no tocante ao seu nível de aspirações.

Outros continentes e países estão conhecendo esse problema. Na Europa, alguns países encaram problemas de insegurança, como consequência da imigração clandestina de cidadãos de outros continentes ou de cidadãos da própria comunidade européia, especialmente oriundos de países do leste europeu, em razão da dificuldade de inserção, de domínio da língua, do desemprego, da falta de moradia, da perda dos vínculos familiares e também por problemas de criminalidade em sua história pregressa.

Não é necessário fazer grande investigação para se chegar a essa conclusão: a insegurança de vida, de parte de muitos daqueles que vivem abaixo da linha da pobreza, tem como efeito a violência social. Disso também se ocupa a CF 2009.

Dom Genival Saraiva de França

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13/12/2010

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