“Preservação dos bens culturais da Igreja é preocupação da CNBB”, diz dom Muniz

“Salvaguarda e restauração dos bens culturais da Igreja no Brasil” foi o tema da última edição do meeting point da 57ª Assembleia dos Bispos, ocorrido nesta quinta-feira, 9 de maio. O bispo escolhido para falar sobre o assunto é integrante da Comissão Especial para os Bens Culturais da CNBB, dom Antônio Muniz Fernandes, arcebispo de Maceió (AL).

Dom Muniz recordou que todo projeto de restauro, feito em parceria com o apoio técnico do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e dos demais órgãos que cuidam dessa questão nos estados, leva em consideração quatro etapas importantes: avaliação do estado de conservação dos materiais, identificação dos agentes degradadores, análise dos danos estruturais e levantamento das etapas de prospecção, a fim de orientar os trabalhos.

“Dentre os principais agentes degradadores dos bens culturais da Igreja estão os próprios padres e os fiéis, o que denota falta de consciência e de educação cultural dentro do próprio ambiente eclesial”, afirmou o arcebispo. Segundo ele, é preciso que essa questão seja trabalhada nos seminários, com a formação dos seminaristas, a fim de que aprendam a importância da salvaguarda e preservação dos bens culturais e, dessa forma, possam despertar nos fiéis a consciência sobre a temática. “Tudo o que tiver que ser feito em relação a qualquer bem cultural da Igreja, deve-se sempre procurar a orientação de um profissional especializado”, informou.

Dom Muniz chamou a atenção para dois projetos de restauro, sob a supervisão da Comissão, que se encontram em andamento em sua arquidiocese, considerados importantes por seu valor religioso, artístico, arquitetônico, histórico e cultural: o Museu Arquidiocesano de Arte Sacra de Alagoas, localizado na cidade de Marechal Deodoro, ex-capital do estado, no antigo Convento de Santa Maria Madalena, e a Catedral Metropolitana de Maceió.

Acerca dos principais desafios na conservação e restauração dos patrimônios históricos religiosos, Dom Muniz destaca: “Além do problema da falta de recursos financeiros e da não preocupação do Governo, a Igreja se preocupa com o ‘óbulo da víuva’, como se está fazendo atualmente em Maceió: com o restauro que está em andamento há três anos e o difícil trabalho técnico realizado, estamos envolvendo e convocando os padres, os diáconos e os seminaristas para que colaborem financeiramente com o projeto”.

Segundo ele, num momento posterior, a intenção é sensibilizar os fiéis e a população em geral a colaborar com os recursos destinados às obras de restauro e, assim, conscientizar para a importância de se preservar os bens culturais religiosos como legado para as futuras gerações.

Por Padre José Ferreira Filho

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