Presidente da CRB e secretário do Comina falam sobre Projeto Missionário de Solidariedade da Igreja do Brasil no Haiti

Em entrevista a presidente da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB), irmã Márian Ambrósio; e o assessor da dimensão missionária da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e secretário executivo do Conselho Missionário Nacional (Comina), padre José Altevir da Silva, falaram sobre o Projeto Missionário de Solidariedade entre as Igrejas do Brasil e Haiti.

Irmã Márian disse que o projeto nasceu após o terremoto de 12 de janeiro de 2010, quando chegou a Curitiba (PR) o corpo da Drª Zilda Arns. “Foi o início de um projeto que tem por objetivo principal não deixar morrer o sonho de tantas crianças do Haiti”, disse a presidente da CRB. Estão juntos no projeto a CRB, a CNBB e o Conselho Missionário Nacional (Comina) com o apoio das POM e mantido pelo povo brasileiro através da Cáritas Brasileira. O Projeto tem validade de 10 anos.

Para que tivesse consistência desde o início, a proposta foi levada para a aprovação do Conselho Episcopal de Pastoral (Consep). A CNBB aprovou e os trabalhos tiveram início como uma missão de toda a Igreja do Brasil. Irmã Márian explicou que não é um projeto unilateral, mas antes de qualquer coisa, a Igreja no Brasil ouve a Igreja haitiana antes de tomar qualquer decisão.

“Uma das características mais marcantes do projeto é que nós ouvimos a Igreja no Haiti. Ouvimos representantes da Igreja e da Conferência dos Religiosos do Haiti”.

Tendo como principal bandeira a “defesa da vida”, o projeto conta hoje com seis irmãs brasileiras no Haiti, quatro enfermeiras e duas pedagogas que desenvolvem atividades artesanais e de agrupamento de pessoas. A comunidade mora numa casa de quatro quartos que foi adquirida recentemente na Semana Santa deste ano.  “Tudo é feito com o povo do Haiti não simplesmente para doar alguma coisa, mas viver com eles. Aprendemos juntos e desenvolvemos um processo comunitário”, contou. As irmãs vivem no país por pelo menos três anos. Após esse tempo, elas fazem uma parada, um tratamento de saúde e uma reciclagem também.

“A dedicação extrema faz com que as irmãs precisem alternar para ter força de continuidade, pois tudo é de alto risco: a falta de higiene, a alimentação precária, o pouco cuidado com a saúde”, disse irmã Márian. Para completar o quadro de religiosos no Projeto, a CRB está à procura de mais um missionário: religioso, sacerdote, ou leigo (a).

O Projeto no Haiti

A proposta do projeto previa um trabalho, mas sofreu alterações devido à gravidade da situação do Haiti quando as irmãs lá chegaram. Um dos exemplos é a plantação que já envolve muitas famílias. “As religiosas deixaram de lado aquilo que se tinha pensado no Brasil e começaram a fazer uma grande plantação. E é muito bonito ver que todas as pessoas foram plantar junto com as irmãs. Num curto espaço de cinco meses houve preparo da terra, busca pela água, plantação, e a colheita”, sublinhou irmã Márian.

Segundo a presidente da CRB todo o trabalho das irmãs tem sido realizado para superar a extrema pobreza do povo haitiano e tudo tem sido desenvolvido com o foco totalmente voltado para esse objetivo. Irmã Márian esteve naquele país entre o fim de março e meados de abril e contou que jovens e adolescentes têm se aproximado das religiosas e participado dos trabalhos de bordado, música, canto. A religiosa acredita que as tarefas são o caminho para a comunidade superar as dificuldades.

Escreva um Comentário

Ver todos os Comentários

Seu endereço de email não será publicado. Também outros dados não serão compartilhados com a terceira pessoa. Campos obrigatórios marcados como * *

Share This