Quaresma e o tema da aliança – 3

Dom Aloísio A. Dilli
Bispo de Santa Cruz do Sul (SP)

Caros diocesanos. A quaresma vai adiantada e a Páscoa se aproxima. Já refletimos, em programas anteriores, sobre a Campanha da Fraternidade, com o tema: Fraternidade e superação da violência, tendo como lema: Em Cristo somos todos irmãos (Mt 23,8); da mesma forma temos acompanhado a temática da aliança de Deus com seu Povo, a partir das leituras da liturgia da Palavra, em quatro domingos da quaresma. Hoje continuamos a abordar o tema da aliança no 5º Domingo deste tempo especial de penitência e de conversão de vida.

  • Quinto Domingo da Quaresma: Na primeira leitura (Jer 31, 31-34) o profeta Jeremias, com palavras consoladoras, dá esperança de retorno ao povo exilado, anunciando nova e definitiva aliança, não como as anteriores, que muitas vezes fracassaram: “Porei a minha lei nos seus corações e a imprimirei em suas mentes. Então serei o seu Deus e eles serão o meu povo… Perdoarei a sua culpa e não lembrarei mais o seu pecado” (Jer 31, 33-34). Já percebemos que o evangelista São João vai anunciando a paixão de Jesus com diversos símbolos: o templo destruído e reconstruído, símbolo de seu próprio corpo, morto e ressuscitado; a serpente no deserto, elevada na haste e que cura, símbolo da cruz salvadora; e o grão de trigo, que precisa morrer para frutificar. O evangelho deste domingo (Jo 12, 20-33) revela claramente que chegou “a hora” de Jesus ser elevado (glorificado); não se trata da hora cronológica, mas o tempo da salvação a ser realizado em Cristo: se o grão de trigo não cair na terra e morrer, ficará sem fruto. Mas se morrer dará frutos abundantes. Jesus faz um convite ao seguimento nesse doar a sua vida, prometendo que onde Ele estiver, lá estará também o seu discípulo. Jesus termina dizendo que, ao ser elevado, vai atrair todos a Ele, manifestando sua infinita misericórdia salvadora. A segunda leitura do dia (Hb 5, 7-9) deixa claro que Jesus é o cumprimento da promessa da aliança nova e definitiva, pois sua obediência ao Pai foi total. Por ele o pecado é destruído e assim torna-se fonte de salvação eterna para todos que lhe obedecem, em todos os tempos e lugares. Também para todos nós.

            É com este espírito de conversão e busca de nova vida que nós caminhamos para a Semana Santa, centro da história da salvação. Como “Irmãos em Cristo” (Mt 23, 8) pelo Batismo, de certa forma, vamos todos com Ele para Jerusalém, a fim de participar da sua Páscoa, que vai tornar-se, portanto, também a nossa: passagem da morte para a ressurreição. Nesta Páscoa, Jesus sela com o Pai e conosco, no alto da cruz, a nova e eterna aliança, no seu sangue derramado para nossa salvação.

            Em todas as celebrações da santa missa, nós evocamos esta aliança, no momento da consagração: “Tomai, todos, e bebei: Este é o cálice do meu sangue, o sangue da nova e eterna aliança, que será derramado por vós e por todos para remissão dos pecados. Fazei isto em memória de mim”. Por isso, a Igreja ensina que cada sacrifício eucarístico é uma celebração pascal: memória da Páscoa do Senhor. E nós confirmamos isso, após a consagração: “Anunciamos, Senhor, a vossa morte e proclamamos a vossa ressurreição. Vinde, Senhor Jesus!

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