Quaresma: tempo de penitência e de reconciliação

Dom Benedito Gonçalves dos Santos

Iniciamos dia 17 de fevereiro último – quarta-feira de cinzas – o tempo da quaresma. A Quaresma é para a Igreja um tempo riquíssimo, onde cada fiel é convidado a um intenso exercício espiritual de Penitência, conversão e caridade, como que um retiro anual de 40 dias, preparando assim para Celebrar de Coração purificado os grandes mistérios Cristológicos: a Paixão, a Morte e Gloriosa Ressurreição do Senhor. Quaresma é tempo de rever nossa caminhada Cristã, clamar pela misericórdia divina, de recorrer ao Sacramento da Reconciliação. Quaresma é tempo de perdão e de intensificar a caridade, no exercício da fraternidade e da solidariedade com os irmãos, fortificando assim nossa comunhão com Cristo, renovando no Coração a graça Batismal.

Durante a Quaresma deste ano, a Igreja no Brasil estará refletindo a 47ª Campanha da Fraternidade, sendo a 3ª Ecumênica, isto é, em comunhão com as demais Igrejas Cristãs que fazem parte do CONIC – Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil – com o tema: Economia e Vida, e o lema: “vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro” (Mt 6, 24).

A Campanha da Fraternidade deste ano tem como objetivo geral: “Colaborar na promoção de uma economia a serviço da vida, fundamentada no ideal da cultura da Paz, a partir do esforço conjunto das Igrejas Cristãs e de todas as pessoas de boa vontade, para que todos contribuam na construção do bem comum em vista de uma sociedade sem exclusão”, e os seguintes objetivos específicos:

  • Sensibilizar a sociedade sobre a importância de valorizar todas as pessoas que a constituem, eliminando toda exclusão e marginalização;
  • Buscar superar o Consumismo, resgatando a pessoa – o “ser” – acima do “ter”;
  • Criar laços de fraternidade e solidariedade entre as pessoas mais próximas, em vista de conhecimento mútuo e da superação tanto de individualismo, como das dificuldades pessoais;
  • Mostrar a relação entre fé e vida, a partir da prática da Justiça, como dimensão constitutiva do anúncio do Evangelho;
  • Reconhecer as responsabilidades individuais diante dos problemas decorrentes da vida econômica, em vista própria conversão pessoal.

Para atingir esses objetivos propostos é necessário que a Campanha da Fraternidade seja trabalhada em quatro níveis: social, eclesial, comunitário e pessoal, e sejam adotadas as seguintes estratégias:

  • Denunciar a perversidade de todo modelo econômico que vise em primeiro lugar, o lucro, sem se importar com a pessoa, desigualdade, miséria, morte e fome;
  • Educar para a prática de uma economia de solidariedade, de cuidado com a criação e valorização da vida como o bem mais precioso;
  • Conclamar as Igrejas, as religiões e toda a sociedade para ações sociais e políticas que levem a implantação de um modelo econômico de solidariedade e justiça para todas as pessoas.

Assim, a Quaresma deste ano, quer ser um grito a despertar cada batizado, a unir fé e vida, isto é, a dar uma dimensão social a todos os bens, construindo uma sociedade mais justa, fraterna e solidária, onde todos tenham acesso aos bens da criação.

Que a Igreja, as famílias e cada pessoa possa acolher este tempo de graça e conversão, viva plenamente o tempo Quaresmal, aumentando assim sua união com Cristo, para que, a exemplo de Maria, Primeira Discípula Missionária do Senhor, seja também testemunha da Ressurreição.

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