Entidades criam Rede Eclesial Pan-Amazônica

Lideranças de 11 países firmaram, durante encontro,  a criação da Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam), com objetivo de fortalecer a presença missionária no território amazônico. O evento ocorreu de 9 a 12 de setembro, nas Pontifícias Obras Missionárias, em Brasília, e reuniu cerca de 60 representantes de diversas entidades. 

Em um comunicado sobre o encontro, os participantes afirmam que a Bacia Amazônica, conhecida como Pan-Amazônia, sempre esteve entre os desafios pastorais e missionário para a Igreja Católica. “É uma urgência unir forças e criar caminhos de diálogo, cooperação e articulação entre todos os atores eclesiais presentes na região”, ressaltam.

Após reflexões sobre a missão da Igreja na Amazônia, foi criada a Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam), que tem como visão a vivência da fraternidade e solidariedade na busca do diálogo e unidade eclesial à serviço da vida na Amazônia. Ficou definido, ainda, que a Repam terá como missão o intercâmbio e o esforço das igrejas locais, congregações religiosas e movimentos eclesiais, a partir da articulação conjunta no território Pan-Amazônico.

Na Declaração de criação da Rede Pan-Amazônica, os representantes das entidades ressaltam que “esta porção de terra é o bioma onde se expressa a vida em sua mega diversidade como dom de Deus para todos”. Lembram, entretanto, que é um “território cada vez mais devastado e ameaçado”, no qual “os grande projetos extrativistas, os monocultivos e a mudança climática põem em grave risco o ambiente natural, ameaçam a dignidade e a auto-determinação dos povos e sobretudo afeta a Cristo encarnado nas pessoas que conformam os povos originários, ribeirinhos, campesinos, afro-descendentes e populações urbanas”.

De acordo com a mensagem, a Pan-Amazônia é “fonte de vida no coração da Igreja”. No texto, os participantes dizem que “as culturas ancestrais expressam a harmonia entre as pessoas e a natureza” e recordam as palavras do papa Francisco sobre o cuidado com a “beleza da criação” e o  “respeito por todas as criaturas de Deus”.

Rede de solidariedade

O arcebispo emérito de São Paulo (SP) e presidente da Comissão Episcopal para a Amazônia da CNBB, cardeal Cláudio Hummes, acredita que a criação da Rede vem confirmar a missão da Igreja na região amazônica. “A Rede Eclesial nasce parar ser uma rede de Jesus Cristo, que deve estar unida pela fraternidade e solidariedade das pessoas. É uma Igreja que deve manifestar a comunhão e olhar para as periferias existenciais e testemunhar na prática o amor e a misericórdia aos mais pobres e excluídos”, acrescenta.

Dom Cláudio também recorda as palavras do papa Francisco que tem pedido mais atenção da Igreja aos povos excluídos e descartados pela sociedade do lucro. “É inaceitável para nós cristãos que haja pessoas excluídas, assim como povos e comunidades esquecidas. Nosso compromisso é incluir a todos dentro da caravana humana, possibilitando que sejam inseridas no contexto social e também na Igreja”, diz.

A reunião de criação da Rede Eclesial foi convocada pelo Departamento Justicia y Solidaridad do CELAM (Dejusol) e pela Comissão Episcopal para a Amazônia da CNBB. Também participaram dessa iniciativa a Confederação Latino-americana e Caribenha de Religiosos e Religiosas (Clar), a Caritas Latino-Americana (Selacc), com o apoio do Pontifício Conselho de Justiça e Paz. 

 

 

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