Romaria da terra e da água reúne dioceses do Piauí

O evento teve como objetivo recordar a terra e a água como “dons de Deus e direito das pessoas”

A 13ª Romaria da Terra e da Água do Piauí, promovida pela diocese de Oeiras (PI), que sediou o evento, e as Pastorais Sociais e organismos do Regional Nordeste 4 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) reuniu cerca de 20 mil pessoas nos dias 17 e 18 de outubro. A manifestação religiosa e de cunho social é realizada há aproximadamente 30 anos. Nesta edição o tema escolhido foi “Terra e Água: Direitos dos povos, garantia de vida e paz” e o lema “Eu darei esta terra à sua descendência”. (Gn 12, 7).

Bispos, padres, religiosas, autoridades civis e romeiros de todas as oito dioceses do Regional Nordeste 4 da CNBB estiveram presentes na iniciativa que fez parte das manifestações do Ano da Paz, proposto pela 52ª Assembleia Geral da Conferência, em 2014. De acordo com o bispo de Oeiras (PI), dom Juarez Souza da Silva, o evento teve como objetivo recordar a terra e a água como “dons de Deus e direito das pessoas”. A partir do diálogo e da iluminação bíblica proposta no lema, os romeiros também se mobilizaram para a superação dos desafios enfrentados na região com relação ao agronegócio e aos projetos de desenvolvimento que prejudicam os pequenos agricultores.

Seminários

Para tratar dessas reivindicações, a Romaria da terra contou com a realização de quatro seminários, no sábado, dia 17, os quais debateram temáticas relacionadas aos problemas enfrentados na região. “Canaã”, “Samaria”, “Serrado” e “Betânia” abordaram, respectivamente, os temas “Deus criou a Terra para sua descendência”, “Água, fonte de vida para todas as criaturas”, “Grandes projetos e impactos socioambientais” e “Migração forçada e trabalho escravo ameaçam a vida e a paz”.

À noite, aconteceu a Tribuna Popular, um momento de socialização dos debates e apresentação de reivindicações que surgiram nos seminários.

Procissão

Com início às 4 horas da manhã, a concentração nas proximidades do Morro do Leme antecedeu a procissão que passou pelas ruas de Oeiras. Durante o percurso, foram feitas paradas para reflexão. A primeira, foi em frente ao prédio da Justiça Eleitoral, momento em que os romeiros lembraram a corrupção no Brasil e a chamada “traição ao povo”. Para marcar o ato, foi colocado no chão um cartaz com a proposta de Reforma Política defendida pela Coalizão Democrática pela Reforma Política e Eleições Limpas, da qual a CNBB faz parte em parceria com mais de cem entidades.

No Hospital Regional Deolindo Couto foi realizada a segunda parada, com a reflexão sobre o descaso no serviço de saúde pública oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Foram apresentadas três cruzes de madeira simbolizando a morte por falta de atendimento digno. Sobre as cruzes foram colocados três panos brancos representando a vida e a luta pela construção de hospital, a busca por atendimento de qualidade, pela medicina popular e pelo cuidado na produção de alimentos livres de venenos, a fim de evitar doenças.

No centro histórico de Oeiras aconteceu a última parada, às margens do riacho Mocha. No local, representantes da Associação Ambiental de Oeiras (AMO) conduziram a reflexão sobre a questão ambiental a partir da leitura de poemas. Tomando como exemplo o riacho de Oeiras, o grupo chamou atenção para o cuidado com as águas do planeta e a conscientização da população sobre a poluição e o desmatamento nas margens de rios e riachos do Brasil.

A missa de encerramento foi celebrada na Praça das Vitórias, onde está localizada a Catedral. O bispo de Oeiras, dom Juarez, em sua homilia, criticou a busca desenfreada pelo poder e pelo dinheiro e pela desvalorização da vida frente ao poder econômico. Para o prelado, o homem do campo e as pessoas mais pobres são as “grandes vítimas”. “É preciso lutar pelos direitos dos povos, garantindo paz na promoção da vida e no favorecimento dos que mais sofrem”, disse.

Com informações do regional Nordeste 4 da CNBB e da diocese de Oeiras
Com fotos de Cleuma Silva

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