São Jorge

Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ)

 

O dia 23 de abril é de grande movimentação no Rio de Janeiro. Milhões de católicos se deslocam para as Igreja, Oratórios, Paróquia, comunidades dedicadas a São Jorge. Neste ano a celebração da Oitava da Páscoa, que é sempre comemorada, teve um belo exemplo de alguém que, ao se encontrar com Jesus Cristo Ressuscitado foi testemunha d’Ele até o fim de sua vida: São Jorge. Embora a comemoração facultativa tenha sido omitida liturgicamente como pede o Diretório Litúrgico, no entanto, a participação do povo nesse dia marcou muito a vida desta cidade. É a experiência da Páscoa, centro de nossa caminhada cristã concretizada em uma pessoa que viveu de forma pascal testemunhando Jesus Cristo em sua vida.

A vida de São Jorge está envolta em lendas e mistérios, embora no fundo de tudo exista uma pessoa cuja vida e martírio chamou a atenção dos cristãos dos primeiros séculos, a ponto de difundirem seu culto e construírem igreja em sua memória. Utilizo dados disponíveis de domínio público. Sua história se perde na bruma do tempo, e se dá no século III, quando Diocleciano era imperador de Roma. Havia nos domínios do seu vasto Império um jovem soldado chamado Jorge de Anicii. Filho de pais cristãos, converteu-se a Cristo ainda na infância, quando passou a temer a Deus e a crer em Jesus como seu único e suficiente salvador pessoal. Nascido na antiga Capadócia, região que atualmente pertence à Turquia, Jorge mudou-se para a Palestina com sua mãe, após a morte de seu pai. Tendo ingressado para o serviço militar, distinguiu-se por sua inteligência, coragem, capacidade organizativa, força física e porte nobre.

Foi promovido a capitão do exército romano devido a sua dedicação e habilidade. Tantas qualidades chamaram a atenção do próprio Imperador, que decidiu lhe conferir o título de Conde. Com a idade de 23 anos passou a residir na corte imperial, exercendo altas funções. Nessa mesma época, o Imperador Diocleciano traçou planos para exterminar os cristãos. No dia marcado para o Senado confirmar o decreto imperial, Jorge levantou-se no meio da reunião declarando-se espantado com aquela decisão, e afirmou que os ídolos adorados nos templos pagãos eram falsos deuses.

São Jorge, foi um grande defensor da fé.  Com grande coragem sua fé em Jesus Cristo como Senhor e salvador dos homens. Indagado por um cônsul sobre a origem desta ousadia, Jorge prontamente respondeu-lhe que era por causa da verdade. O tal cônsul, não satisfeito, quis saber: “o que é a verdade?”. Jorge respondeu: “A verdade é meu Senhor Jesus Cristo, a quem vós perseguis, e eu sou servo de meu redentor Jesus Cristo, e n’Ele confiado me pus no meio de vós para dar testemunho da Verdade.” Como Jorge mantinha-se fiel a Jesus, o Imperador tentou fazê-lo desistir da fé torturando-o de vários modos. E, após cada tortura, era levado perante o Imperador, que lhe perguntava se renegaria a Jesus para adorar os ídolos.

A fé deste servo de Deus era tamanha que muitas pessoas passaram a crer em Jesus e confessá-lo como Senhor por intermédio da pregação e testemunho do jovem soldado romano. Durante seu martírio, Jorge mostrou-se tão confiante em Cristo Jesus e na obra redentora da cruz, que a própria Imperatriz alcançou a Graça da salvação eterna, ao entregar sua vida ao Senhor. Seu testemunho de fidelidade e amor a Deus arrebatou uma geração de incrédulos e idólatras romanos. Por fim, Diocleciano mandou decapitar o jovem e fiel discípulo de Jesus, em 23 de abril de 303. Logo a devoção à “São” Jorge tornou-se popular. Celebrações e petições a imagens que o representavam se espalharam pelo Oriente e, depois das Cruzadas, tiveram grande entrada no Ocidente.

O início de sua popularidade ocorreu no auge da perseguição aos cristãos pelo imperador romano Deocleciano –  final do século III, quando o ousado guerreiro passou a defender com muita fé o cristianismo. A imagem de São Jorge é representada por um jovem vestido com uma armadura, sentado em um cavalo branco com uma lança atravessando o dragão, pois o santo é imortalizado no conto em que mata um dragão.

São Jorge, que é santo da Igreja Católica, e é patrono da Inglaterra, Portugal, Geórgia, Catalunha, Aragão, Lituânia, da cidade de Moscou e de muitos outros locais e entidades. Muito venerado em outros lugares, inclusive em todo o nosso Estado do Rio de Janeiro. Seu culto na Igreja, mesmo com poucos dados históricos, e mesmo com as dificuldades encontradas na comprovação das atas de seu sofrimento, remonta ao século V, e com as “cruzadas”, através da “legenda dourada”, o fizeram popular no Ocidente.

Os restos mortais de São Jorge foram transladados para Lida (ou Lod, antiga Dióspolis) que é uma cidade da região da atual Israel e foi onde teria residido sua mãe. Aí ele foi sepultado, e, na época o imperador cristão Constantino mandou erguer um suntuoso oratório aberto aos fiéis, para que a devoção ao santo fosse espalhada por todo o Oriente. Dessa maneira foi propagada a sua devoção por meio do seu belo testemunho de seguidor de Jesus e homem que deu a sua própria vida por Aquele que é a Suprema Verdade.

Nesse dia em que milhões de pessoas se deslocaram até as Igrejas e capelas de São Jorge, para manifestar seu carinho e a busca de ver nesse homem de Deus um grande exemplo de vida e um intercessor junto a Deus, contemplemos a todos com os olhos da fé e oremos para que todos busquem a vida nova em Cristo.

Ao olhar para São Jorge possamos exemplo dele lutar contra o dragão do mal para sermos vencedores nesta batalha contra os questionamentos da nossa fé. Que com a mesma coragem professemos esta nossa fé neste tempo de tantas questões e problemas e que com o coração aberto vivamos como irmãos e irmãs que em Cristo se amam. E que, pela intercessão de São Jorge, possam recair sobre as nossas vidas muitas bênçãos de Deus! São Jorge, rogai por nós!

 

 

 

 

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