Ser de Palavra

Dom José Alberto Moura
Arcebispo de Montes Claros

 

Antigamente o homem, para firmar um trato ou compromisso, entregava um fio de seu bigode para o outro ter certeza da palavra dada. O próprio Jesus diz que o sim da pessoa deve ser realmente sim e o não, não! Até não se deve fazer juramento, pois, a pessoa deve se comprometer por ela mesma a seguir o que prometeu. Fazer promessas para os outros cumprirem é fácil e não tem valor nenhum. Por isso, é bom lidarmos com pessoas confiáveis, que, pessoalmente, cumprem o que prometeram.

Neste ano de eleições políticas nos níveis nacional e estaduais, não é fácil discernir os candidatos de palavra, que têm demonstrado na sua história de vida que são verdadeiras e realmente se comprometem em cumprir o que dizem com as consequências responsáveis de suas juras. Precisamos estar atentos a isso para elegermos melhor pessoas de caráter ou de palavra! Já fomos demais enganados por pessoas, partidos e grupos. Eleger mal leva a colocarmos, como se diz na linguagem popular, “o lobo para tomar conta do galinheiro”. Os pobres são os que mais sofrem as consequências danosas das eleições de má escolha. Votar em quem “rouba mas faz”, traz um fator de corrupção continuada, que fere o tecido moral-social de toda a população. Se tivermos pessoas de palavra e grandeza de caráter, com condição para administrar e legislar a coisa pública, devemos elegê-las. Não podemos eleger simplesmente porque alguém nos fez ou promete fazer um favor. A corrupção está aí também em quem vende o voto por alguma vantagem, mas vai prejudicar o bem comum por eleger quem é corrupto.

Votar por fisiologismo, ou seja, para obtenção de vantagens em relação ao cargo ao qual alguém de nosso grupo ou religião pertence, não é de grandeza moral. Se elegermos lideranças até de nossa religião para elas servirem não à nossa religião, mas ao bem comum, é um bom exemplo e de bom encaminhamento ético e de promoção da verdadeira cidadania para todos! Grupos se formam para eleição de líderes religiosos para buscarem vantagens para si, mostrando o fisiologismo puro e anti-cidadão.

O texto bíblico fala sobre a necessidade de se dizer a verdade em base à sua fonte, que é Deus. Quem fala a verdade nela baseada, dá a certeza de que não se comunica puramente o que é de desejo pessoal, mas é fundamentado no bem absoluto de Deus (Cf. Deuteronômio 4,1-8). Firmados na verdade divina, bem explicitada por Jesus, temos a certeza de que a pessoa que a comunica, dá segurança de afirmar o que é de valor objetivo e não simplesmente de desejo subjetivo.

O apóstolo Tiago é bem claro no que se refere à Palavra de conteúdo verdadeiro, que é a comunicada através do Verbo, ou Palavra do Pai, que é o Filho Jesus : “Recebei com humildade a Palavra que em vós foi implantada e que é capaz de salvar as vossas almas” (Tiago 1, 21). De fato, quem tem fé no Filho de Deus, não a usa, nem sua pertença religiosa, para enganar, como à vezes acontece também na política, e sim para se firmar no que é verdadeiro para servir a comunidade com sua posição pessoal e social.

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