Foi eleita na tarde desta quinta-feira, 6, a nova diretoria do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) durante a 19ª Assembleia Geral da entidade, que acontece no Centro de Formação Vicente Cañas, em Luziânia (GO).
O bispo prelado do Xingu (PA), dom Erwin Krautler, foi reeleito e dará continuidade ao seu primeiro mandato, iniciado em 2007. A vice- presidência será ocupada por Emília Altini, missionária do Cimi em Rondônia. Já o secretariado Executivo da entidade, com sede em Brasília, ficará a cargo do gaúcho Cléber Buzzato.
Dom Erwin foi eleito com quase a totalidade dos votos. A indicação para a continuação de seu mandato já se fazia internamente em todos os regionais, quando missionários do Cimi pensavam na permanência de um bispo que há muito acompanha a questão e as lutas dos povos indígenas. Dom Erwin é um defensor ativo e altivo da luta contra a construção da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará. Vivendo na região por muitos anos, sabe bem as dificuldades e sofrimentos enfrentados pelos povos da região, que agora se veem expulsos e ameaçados por nefasta obra.
De acordo com ele, é essa justamente uma das principais dificuldades a ser enfrentada nos próximos anos. A omissão do governo e o avanço do modelo neoliberal sobre os territórios e o modo de vida indígena. Sem acesso à saúde, educação, segurança e a um pedaço de chão, esses povos vivem entregues à própria sorte, sob barracos de lonas em beira de rodovias de Mato Grosso do Sul e do Rio Grande do Sul. Sofrem ainda ataques e violências, como incêndios, espancamentos, sequestros e mortes.
Emília Altini reagiu com surpresa quando ouviu os primeiros chamados a assumir a vice-presidência do Cimi. Refeita do susto e encorajada pela fé e vivência junto aos povos indígenas, disse hoje sim ao seu chamado. A catarinense, que desde 1980 vive em Rondônia, afirma que assumiu o compromisso de estar a serviço da causa indígena e da autonomia desses povos. “É um grande desafio, mas me sinto encorajada pela força dos povos indígenas e pela certeza na ação militante profética do Cimi”, afirmou.
O novo secretário executivo, Cléber Buzzato, conheceu o Cimi no ano 2000, quando a entidade, os povos indígenas e setores da sociedade contrários às falsas propagandas do governo, viveram um projeto em busca de Outros 500, ou seja, outros 500 anos do Brasil, sem violência, omissão e usurpação de direitos. Vivendo em Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, e estudante de Teologia, recebeu um convite para conhecer a entidade e a realidade de sua atuação profética e missionária. Se apaixonou pela missão. Ingressou no Cimi neste mesmo ano. Atuou então no Regional Sul, junto aos povos Guarani, Kaingang e Xetá, até 2009, quando veio para Brasília colaborar com as atividades do Secretariado Nacional.
Para o missionário, os próximos quatro anos serão momentos de dar continuidade às ações e à história do Cimi junto aos povos indígenas do país. A entidade, que foi criada em 1972 como um organismo da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), tem por objetivo fortalecer o processo de autonomia desses povos na construção de um projeto alternativo que vá na contramão do modelo neoliberal.
“A atuação é desafiante e as lutas são muitas. O Cimi apoia esses povos no enfrentamento das lutas por suas terras, pela garantia de seus direitos e para que tenham poder de decisão e atuação sobre seus territórios. Nesse sentido somos desafiados todos os dias pelos grandes empreendimentos do projeto desenvolvimentista brasileiro que invadem, usurpam e destroem as terras indígenas”, afirmou Cléber.
As ações do Cimi são fundamentadas no respeito à alteridade indígena em sua pluralidade étnico-cultural e histórica. Por isso, é imprescindível o apoio as suas formas tradicionais de vida, ao seu protagonismo. É preciso respeitar o Bem Viver desses povos, inclusive e, sobretudo, daqueles povos com pouco ou nenhum contato com a sociedade. Para Cléber, isso só será possível com o enfrentamento ao atual modelo econômico e social no país. “O Bem Viver é um projeto de construção coletiva para todos nós, que exige ações individuais, mas, sobretudo, mudanças estruturantes que devem partir de princípios éticos, como respeito ao ser humano e à natureza, aos seus direitos”, concluiu.
Conselho Fiscal
Foram escolhidos também ontem à tarde os novos membros do Conselho Fiscal da entidade. O missionário Guenter Francisco Loebens, do Regional Norte 1 (Norte do Amazonas e Roraima), continua no grupo que agora terá como reforço os missionários Claudemir Monteiro, do Regional Norte 2 (Pará e Amapá), e Virgínia Miranda, que atua no Regional Rondônia.











