Sociedade pedófila e hipócrita?

Repercutiu mais do esperado a afirmação de que a sociedade é pedófila, feita por Dom Dadeus Grings, arcebispo de Porto Alegre, durante a 48ª Assembléia da CNBB, em Brasília, de 3 a 13 de maio de 2010. Poucos dias depois, em Porto Alegre, a celeuma se transformou numa passeata de gays e homossexuais contra tamanha aberração e falsidade.

Aberração e falsidade? Não parece, pelo menos para quem reflete sobre a realidade com a cabeça, não com a emoção e os preconceitos! Em sua fala, Dom Dadeus se referia à hipocrisia de alguns setores da sociedade, os quais, após criar um ambiente permissivo e liberal, fingem se escandalizar com quem nada faz senão seguir seus postulados…

Há poucos meses, o Pe. Leonardo Peixoto, do Rio de Janeiro, refletia sobre a degradação de costumes em andamento na sociedade atual: «Menininhas altamente pintadas, usando esmaltes e vestidinhos ousados, crianças falando palavrões e gírias obscenas. As crianças de hoje sabem letras de músicas (se é que se pode chamar aquilo de música) que só de pensar sinto vergonha. E os pais? Riem e acham engraçadinho. Os que incentivam tal tipo de comportamento, que deturpa e degrada a pureza da infância, são os mesmos hipócritas que amanhã acusam e condenam o Papa pelos erros dos outros! Se a sociedade está do jeito que está, lembremo-nos: fomos nós que a fizemos assim!

Coitadinhos dos adolescentes de hoje! São tão inocentes! E essas pulseirinhas da amizade coloridas? Uma graça, não é? Mas, quando arrebentadas, dão o direito àquele que a arrebentou a fazer diversas coisas. Cada cor corresponde a uma ação, que vai desde um selinho ou uma passada de mão, a sexo oral! Afinal, isso é que é cultura! E é o que eles estão aprendendo na escola. Até porque, se não aprenderem matemática ou química, não há problema nenhum: o governo lhes garante aprovação automática! E eles serão nossos médicos, engenheiros, psicólogos de amanhã. Quem sabe se um deles não vire presidente, não é mesmo, companheiro leitor?

Mas, falando da crise na Igreja, qualquer pessoa sensata sabe que tal crise nem de longe está relacionada com a pedofilia. Ou será que a pedofilia é monopólio da Igreja Católica? Culpam o celibato. E os senhores e senhoras, chefes de família, com filhos, que não são celibatários, ou seja, que praticam sexo e cometem pedofilia? Seria isso também culpa do celibato e da Igreja? E os turistas internacionais que compram pacotes de viagem para o Nordeste brasileiro, com jovens menores já inclusas no seu pacote de férias, alimentando, assim, o turismo sexual, isso também é culpa da Igreja? Por que, então, a mídia não explora esses casos? Porque atacar a Igreja dá mais ibope, aumenta a audiência e vende mais jornais e revistas».

Pouco antes de Dom Dadeus, quem passou pela malha fina da censura, foi o cardeal Tarcísio Bertone, Secretário de Estado do Vaticano. Em conferência pronunciada no Chile no dia 12 de abril, ele ousara afirmar que é o homossexualismo, e não o celibato, que leva alguns sacerdotes à pedofilia, já que 80% de suas vítimas são meninos. Com ele também concorda o Pe. Leonardo: «Não creio que o problema da Igreja e do clero de hoje seja a pedofilia, mas o homossexualismo. Aqui esbarramos, mais uma vez, na hipocrisia da sociedade hodierna. Vivemos numa sociedade que faz apologia do homossexualismo; que ensina aos jovens que ser gay é normal; que ostenta seu orgulho gay em paradas. Não é irônico que a sociedade que defende o homossexualismo seja a mesma que condena um padre por ser homossexual? Não faço nenhuma apologia do homossexualismo eclesiástico; só quero perguntar que moral tem essa sociedade iníqua para condenar um padre que tenha uma fraqueza, ou uma inclinação, dessa natureza?

É engraçado. Dizem por aí: o padre é um homem comum como qualquer outro. Pois é, só que quando ele faz as coisas que um homem comum faz, logo os hipócritas de plantão se erguem ardilosamente prontos para condená-lo…».

Não se pode negar: a reflexão do Pe. Leonardo tem sentido, apesar de seu estilo polêmico, diferente do que eu costumo empregar – talvez mais por timidez do que por virtude…

Dom Redovino Rizzardo

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