Tragédias de enchentes no NE são descasos de governos, segundo dom Henrique

A cada ano a tragédia das enchentes no Nordeste se repete com um enredo já conhecido pelos atingidos. Esse ano, em Pernambuco, foram registrados 6 óbitos e cerca de 55.100 desabrigados e desalojados. As regiões mais castigadas pelas chuvas no Nordeste foram a arquidiocese de Macéio (AL) e a diocese de Palmares (PE), na mata sul pernambucana.

Em Palmares, dos 18 municípios que compõem a diocese, somente 1 não foi colocado em estado de emergência ou calamidade, segundo dom Henrique Soares da Costa, bispo de Palmares (PE), religioso que tem percorrido os escombros e realizado visitas para diagnosticar a situação e as necessidades das pessoas.

Segundo o bispo, “as enchentes já são uma triste tradição. Desde a enchente de 2010, o Governo do Estado prometeu a construção de um sistema de 5 barragens para contenção das águas. Contudo, lembra o bispo, somente 1 foi construída. “Foi a única barragem construída que evitou um desastre total em várias cidades de nossa diocese”, disse. Agora, numa situação crítica, o governo volta a prometer que vai retomar as obras das barragens.

A tragédia em decorrência das chuvas e cheia dos rios, afirma o bispo, é fruto do descaso, da morosidade e da falta de compromisso dos governos. “Isto tem que ser dito de modo simples, direto e claro. Nosso povo está muito indignado com a falta de consideração dos governantes em relação a este problema”, afirma o religioso.

Solidariedade e compaixão

A diocese tem uma forma de atuação consolidada nestes casos. O primeiro modo de ajuda, segundo o dom Henrique, é manter a população informada. Como as enchentes são oriundas sobretudo dos rios, os padres das cidades atingidas primeiro vão avisando às demais cidades sobre o fluxo das águas. “Este trabalho de informação permite que a população possa prevenir-se para enfrentar de modo menos traumático a enchente”, disse.

Depois, há o trabalho de visitas aos desabrigados, de se fazer próximo, solidário e compassivo, segundo informa dom Henrique. As vítimas são acolhidas nos edifícios das paróquias. Há o recolhimento de donativos e, por um período de dois a três meses, a distribuição desses mantimentos aos necessitados. “Todas as nossas paróquias se envolvem neste trabalho e sobretudo os jovens são de uma generosidade muito grande no voluntariado”, informa dom Henrique.

Várias dioceses do Regional Nordeste 2 contribuem com donativos e até com dinheiro. A diocese de Palmares recebeu cerca de 15 caminhões de donativos: roupas, material de limpeza, alimentos não perecíveis, água potável, entre outros. Entidades privadas e órgãos públicos também colaboram com donativos à diocese. “Estas organizações confiam à diocese seus donativos, certos de que chegarão com eficiência e equidade a quem de direito. Isto muito nos alegra”, disse.

Espaços das igrejas e capelas acolhem fisicamente os atingidos. “Esta é uma realidade maternal da Igreja: nela, seus filhos e qualquer pessoa que necessite, encontra aconchego e abrigo, como no Coração de Cristo’, afirma o religioso. A diocese também procura manter um trabalho em diálogo com os vários setores da sociedade, sobretudo as prefeituras, para que a ajuda se dê de modo orgânico e eficiente, embora faça um trabalho autônomo ao das prefeituras, segundo dom Henrique.

Fotos: arquivo da diocese de Palmares (PE)

Você pode colaborar com o trabalho da diocese de Palmares (PE):
Banco do Brasil
Agência: 0115-5
Conta corrente: 24364-7
CNPJ 10193944/0001-86

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