Tragédias e solidariedade

Parabenizamos a Diocese de Campina Grande na pessoa de seu pastor, Dom Jaime Vieira Rocha, e a ele nos unimos na campanha de solidariedade junto aos irmãos de Alagoas e Pernambuco, por ocasião da tragédia provocada por chuvas intensas em várias cidades.

Somam-se mais de 70 mortes e desaparecimentos. Além das 30 mil casas a serem reconstruídas, o desafio maior é a recuperação da vida e do convívio social das pessoas. Pensa-se em novos espaços se ocorrer a ameaça de novas enchentes. O questionamento obriga a busca de soluções alternativas. Não se deve reconstruir o que ameaça ruir.

A população atingida vive em condições modestas. Haverá continuidade de trabalho para os mais pobres? Não basta que o governo e a sociedade tenham se apressado no socorro imediato junto às vítimas desabrigadas, famintas e, ainda, ameaçadas de doenças epidêmicas. O povo precisará participar da reconstrução da cidade e também da dignidade de sua cidadania. Não basta redesenhar as cidades, mas garantir sua infraestrutura. A mobilização urgente cabe às autoridades locais, regionais e aos representantes da sociedade. Caso contrário, muita gente desanima e caça rumo. Os mais pobres, sem ter para onde ir, voltam para o mesmo lugar, correndo novos riscos.

É indispensável planejar obras estruturantes e garantir para a população a sua sustentabilidade. A utilização indevida de áreas de risco é fator de tragédias previstas e anunciadas. A omissão proporciona novas desgraças.

O poder público regional deve se aliar e agir sem botar culpa em alguém. É hora de planejamento sem contrariar a natureza. Nunca dará certo ocupar terrenos inapropriados, invadir as encostas, as beiradas, os terrenos alagadiços, assorear rios, desmatar, brocar… e por aí vai.

Pergunta-se por um plano diretor de desenvolvimento urbano. Será que os prefeitos os têm em consideração dos planejamentos? A lição de casa é aprender a conviver no semiárido nas zonas rurais e nas cidades. Estas vão inchando sem verdadeiro desenvolvimento sustentável.

Por fim, muito cuidado com os oportunistas da hora do infortúnio. Eles estão de plantão. Vivem de recursos explorados. Tiram proveito de situações como sempre fizeram com a indústria da seca e das enchentes.

Dom Aldo Pagotto

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11/09/2009

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