Uberaba

Dom Benedicto de Ulhoa Vieira

Arcebispo Emérito de Uberaba – MG

Permitam-me os eventuais leitores desta coluna, relatar uma pequena história em relação a Uberaba.

Não tinha eu mais que nove anos de idade. Estava no largo da igreja de minha cidade natal, brincando com meus companheiros, quando meu pai passou – ele acabara de ler no jornal O Estado de São Paulo uma notícia sobre Uberaba – e me mandou dizer ao Pároco que “Frei Santana tinha sido nomeado bispo de Uberaba”! Era a primeira vez que eu ouvia a palavra “Uberaba”.

O Pároco era italiano e muito amigo de Frei Luiz Maria de Santana, também italiano, considerado, na época, grande orador sacro – merecidamente. Até aquela ocasião, nunca tinha eu ouvido o nome de nossa cidade.

Mais tarde, já no Seminário, colega meu me relatou ter sido nomeado bispo desta cidade o Padre Alexandre, jovem professor do Seminário de Belo Horizonte. Era a segunda vez que ouvia o nome da nossa cidade relacionado com a Igreja.

Muitos anos mais tarde, a Nunciatura Apostólica me comunicou que eu deveria vir, como arcebispo, para Uberaba, por escolha do Papa Paulo VI. Sempre a palavra Uberaba soava nos meus ouvidos ligada à Igreja!

No aniversário desta urbe formosa de Minas, verdadeira “capital” do Triângulo, realçamos o belo nome “Uberaba”, a cidade das águas claras e a fineza do seu povo. Nossa cidade tem cultura – Universidades, Academia de Letras, museus, colégios vários e bons; tem vida religiosa: vinte e nove paróquias, a festa de Nossa Senhora da Abadia, mosteiros contemplativos; a famosa Exposição de Gado que traz multidão de interessados no mês de maio, dois jornais diários. Há muitas construções bonitas, salientando-se o primor gótico da Igreja de São Domingos que pode ser merecidamente o cartão postal de Uberaba.

Ouvi certa vez de um conhecido (não me lembro o nome de sua cidade) que orgulhosamente dizia que quem a visitasse e experimentasse da água daquele lugar, nunca mais conseguiria ir-se embora de lá, tanto apego à cidade que se apoderava do visitante. Penso que a graciosa lenda deveria atribuir-se a Uberaba. Pois quem aqui vem, conhece a cidade com a benevolência de suas graças e a generosidade de suas bênçãos. Assim já não consegue afastar-se dela.

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