Um Sínodo sobre a Palavra de Deus

“A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja” é o tema da 12ª Assembléia Geral ordinária do Sínodo dos Bispos, que acontecerá em Roma, de 5 a 26 de outubro próximo. A realização de um Sínodo é muito importante para a vida da Igreja, pois os temas tratados pelos Padres sinodais enriquecem sobremaneira a caminhada de nossas comunidades eclesiais. Até, porque o tema do atual Sínodo está intimamente conexo com a Eucaristia, tema do último Sínodo. Com efeito, não podemos falar da mesa da Palavra sem uma referência explícita à mesa da Eucaristia.

Igualmente não podemos falar da Palavra de Deus sem recordar a Constituição dogmática do Vaticano II, que trata sobre a Divina Revelação (“Dei Verbum”).

Mais do que repetir o conteúdo da “Dei Verbum”, nossa expectativa é de que o iminente Sínodo indique frutos novos que podemos colher das Escrituras Sagradas.

No instrumento de trabalho (“Lineamenta”) em preparação ao Sínodo, sobretudo no Capítulo II, aparecem as diversas formas com as quais a Igreja se alimenta da Palavra: na liturgia e na oração, na evangelização e na catequese, na exegese e na teologia, e na vida do crente.

Ardentemente desejamos que, a partir deste Sínodo, um número muito mais expressivo de católicos se abeire da Fonte inesgotável da Palavra de Deus, familiarizando-se intimamente com ela. Familiarizar-se com a Palavra significa fazer da Palavra uma Pessoa que deseja estabelecer um diálogo profundo com a pessoa humana. “Se alguém me ama, insiste Jesus, guardará minha Palavra e o meu Pai o amará e a ele viremos e nele estabeleceremos morada” (Jo 14, 23).

Infelizmente a maioria de nosso povo não tem o hábito da leitura orante da Bíblia. A esse respeito vale a pena lembrar o que dizia Santo Ambrósio: “A Deus falamos, quando oramos, a Deus escutamos, quando lemos suas palavras” (De officiis ministrorum, I, 20, 88). A leitura assídua e orante da Palavra de Deus é, pois,  essencial para a vida do discípulo e da discípula de Jesus. Urge, neste caso, a aquisição da ciência suprema que é o conhecimento de Jesus (cf. Fl 3,8), condição indispensável para o seguimento do Mestre. De fato, “desconhecer a Escritura é desconhecer Jesus Cristo” (São Jerônimo) e renunciar a anunciá-lo. Sendo assim, o trabalho da evangelização só é possível mediante um conhecimento vivencial da Palavra de Deus. É necessário que ela se converta em alimento no coração dos evangelizadores, para que, por experiência própria, vejam que as palavras de Jesus são espírito e vida (cf. Jo 6, 63); é preciso fundamentar nosso compromisso missionário e toda a nossa vida na rocha da Palavra de Deus (cf. DA, 247). Mais e mais a Igreja apontará a Palavra de Deus como insubstituível prioridade pastoral. Certamente os Padres sinodais, reunidos em Roma, em outubro, indicarão a Bíblia sagrada como fonte e luz para a caminhada do Povo de Deus.

Dom Nelson Westrupp

Feitos discípulos e discípulas de Jesus, penetremos na “Palavra excelente de Deus” (Hb 6, 5); experimentemos seu sabor para melhor vivê-la e testemunhá-la na Igreja e no mundo.

Enfim, a Virgem do silêncio e da escuta nos ajude a encontrar o Verbo feito palavra. Assim, ela ensinar-nos-á a anunciar aos de perto e aos de longe a riqueza insondável de Cristo (cf. Ef 3, 8).

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