Vida Contemplativa

Na trajetória da Igreja, desde muitos séculos, sempre floresceu em conventos e mosteiros a vida contemplativa. É a mais alta atividade do ser humano, por colocar a inteligência na contemplação da infinitude do Ser supremo e mergulhar a alma, assim elevada, na quietude do amor. Cria-se ao redor do contemplativo, um clima de silêncio para que nenhuma perturbação o distraia desta fixação em Deus. É a atividade mais nobre da criatura humana. O contemplativo, apesar de viver a contingência das coisas criadas, desprende-se de tudo para esta vivência amorosa do mistério de Deus.

Na história de muitos séculos da Igreja, desde o início, sempre houve pessoas que se afastam do barulho e dos movimentos para, no ermo silencioso dos mosteiros ou mesmo nas alturas das montanhas, viverem na intimidade contemplativa da infinitude divina. Assim se multiplicaram pelo mundo os mosteiros masculinos e femininos, onde se conseguisse viver o fervor da fé no silêncio fecundo da intimidade com Deus, sem incômodos externos, sem barulho, sem invasão indevida.

Estes eloqüentes testemunhos de desprendimento do mundo e de busca do transcendente enriqueceram a história religiosa do passado. Mosteiros muitos se espalharam pelo mundo e, até hoje ainda, se erguem como núcleos de vida interior pelas nossas cidades. São respiradouros de saúde espiritual, que não podem deixar de existir para purificar os ares de miasmas infecciosos.

Estes testemunhos valiosos de transcendência e eternidade enriquecem a Igreja de santidade. No barulho inquieto do mundo são ilhas de vida silenciosa, onde almas privilegiadas – como Moisés no monte – erguem os braços para o alto em súplicas intercessoras pelos que, na azáfama da vida, se esquecem de erguer os olhos para as alturas infinitas. Benditos estes recantos privilegiados, nesgas silenciosas onde Deus se encontra, verdadeira antecipação do céu.

Mas, mesmos fora destes “paraísos” silenciosos e fecundos de contemplação, há por certo almas privilegiadas, que Deus enriquece prodigamente com dons singulares de silêncio interior, extasiadas com a beleza transcendente do Infinito. Sem sair do mundo, conseguem elevar-se e viver contemplando o que não se vê com os olhos do corpo, mas com a luz da fé.

Também estes são contemplativos: olhar fixo na beleza incriada, coração nos braços amorosos e paternos de Deus.

Dom Benedicto de Ulhôa Vieira

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