Viva o Ano Sacerdotal

Dom Orlando Brandes

Toda a Igreja será agraciada com o Ano Sacerdotal. Jesus demonstrou muito carinho pelos seus Doze. Passou uma noite inteira rezando para escolhê-los. Escolheu os que quis (Mc 3, 13). Criou com eles um forte vinculo de amizade e discipulado. Educou-os na ótica do evangelho. Motivou-nos a pedir ao Senhor da messe, mais operários. Despede-se do mundo com a oração sacerdotal (Jo 17).

A teologia ensina que o padre age na pessoa de Jesus, em nome da Igreja e em favor do povo. Ele é a ponte, a escada, a rota entre Deus e o povo. O padre está a serviço da nova humanidade em Cristo. É consagrado para um mundo novo, é ordenado para ordenar o mundo na ótica do amor fraterno. A história de uma vocação é uma história de amor e de salvação. Deus ama os padres porque ama seu povo. Tudo que se diz do padre é em benefício do povo. O Ano Sacerdotal, é um ano do povo sacerdotal.

O padre tem obrigação de ser homem de Deus. Quem vai à farmácia quer remédio, quem vai à padaria quer pão, quem vai ao açougue quer carne, quem vai ao padre quer Deus. O padre é um perito nas coisas de Deus, é a visibilidade do amor de Deus, é o administrador dos mistérios de Deus. O sacerdócio é um mistério insondável de amor.

São Francisco de Assis dizia: “quero temer, honrar e amar os sacerdotes como meus senhores, pois neles está o Filho de Deus. Não levo em consideração os seus pecados, porque reconheço neles o Filho de Deus e eles são os meus senhores”. Notemos que no tempo de São Francisco o clero vivia numa época de decadência. Só o amor haverá de soerguer o sacerdote ferido e caído. S. João Vianney afirma que morreríamos de amor se conseguíssemos compreender o sacerdócio na terra. Só será compreendido no céu.

Santa Teresinha do Menino Jesus confessa: “vim para o Carmelo para rezar pelos sacerdotes”. Continua afirmando: “Deus não chamou os que são dignos, mas os que Ele quis. É por misericórdia que Deus chama”. Toda vocação tem sua raiz na misericórdia de Deus, porque nós padres somos “vasos de argila” carregando o mistério. O padre não é anjo nem demônio, é homem consagrado no qual Deus apostou.

Nossos padres não precisam tanto de confetes, mas de compreensão, colaboração, perdão e oração. Por outro lado, o povo quer um bom médico, um bom professor, um bom advogado, forçosamente quer ter um bom padre. Ajudemos nossos padres a serem bons e santos. Um povo sem padre decai em desumanidades. Ninguém como o padre tem o poder de anular, destruir e vencer o mal. Só o padre pode dizer: “Eu te absolvo. És agora inocente. És nova criatura. Vai em paz”. Só o padre pode dizer: “Isto é o meu corpo” e assim acontece o maior milagres da história que ecoa por todo o universo. O padre torna Jesus nosso contemporâneo pela Eucaristia.

A Igreja depende do trabalho dos presbíteros. Por isso o Concílio aponta seis qualidades do padre: bondade de coração, sinceridade, coragem, constância, cultivo da justiça, fineza. Os sacerdotes são ministros de Deus, colaboradores dos bispo, promotores dos leigos, transformadores da sociedade. O sacerdócio é sacrifício e alegria, dom e tarefa. A ovelha não produz a lã para si, a abelha não faz o mel para si, as aves não fazem o ninho para si. Assim, o padre não existe para si. Ele é de Deus e para os outros. Promove a glória de Deus e a salvação do mundo, daí a necessidade de o padre ser um especialista em Deus e um perito em humanismo.

Antes de ser consagrado, o padre é alguém humano, rodeado de fraqueza. Pelo batismo, o padre é um cristão, um discípulo, é ovelha do rebanho, “para vós sou bispo, convosco sou cristão”. Num terceiro momento vem o sacerdócio. Que nós bispos e padres sejamos, pois, humanos, cristãos e sacerdotes.

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