Evento quer fortalecer alianças entre atores sociais da região Pan-Amazônica, trocar experiências e construir estratégias de ação na defesa da vida das populações e do bioma. A Comissão para a Ecologia Integral da CNBB contribui com a reflexão sobre a ecologia integral e na proposta de incidência em eventos internacionais sobre o meio ambiente

ARTIGOS DOS BISPOS

Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ) 

 

Celebramos neste dia 13 de junho a memória litúrgica de Santo Antônio, um santo solenemente festejado pelo povo e muito conhecido através na devoção popular na questão matrimonial. Na verdade, a história de vida de Santo Antônio não tem relação alguma com a popularidade de ser invocado como casamenteiro: isso surgiu mais pela devoção popular posterior e por essa associação, no Brasil, na véspera comemoramos o dia dos namorados que é dia doze.  

No dia de Santo Antônio também é costume abençoar os pães, e as famílias levam para casa com a intenção de partilhar. A história de vida de santo Antônio tem mais relação com a benção dos pães do que em ser santo casamenteiro. A intenção é que a exemplo de Santo Antônio as famílias partilhem o pão com aqueles que mais precisam, pois quando Santo Antônio morava no convento ele dava a comida para os necessitados que batiam a porta do convento. Portanto, a intenção de partilhar o pão com a família quer nos motivar a partilhar o pão com todos que precisam.  

Esse mês de junho é um mês especial para a Igreja, pois além de Santo António dia 13, celebramos também São João dia 24, e São Pedro e São Paulo dia 29 (ou 30). É o mês das festas juninas e quermesses em nossas paróquias. Cada santo em particular tem sua história e mexem com a devoção popular do povo. É claro que precisamos saber de fato a história de vida do santo e perceber seu exemplo  sua intercessão.  

Santo Antônio nasceu em Lisboa, no ano de 1195 e morreu nas vizinhanças de Pádua, na Itália, em 1231. Por isso, que Santo Antônio é conhecido como Santo Antônio de Lisboa ou de Pádua; e, algumas pessoas até confundem e acham que são Santos diferentes, mas é o mesmo santo, só que nasceu em um local e devido a sua missão morreu em outro. O nome de batismo de Antônio era Fernando de Bulhões y Talavera de Azevedo, que, ao se tornar religioso é comum em algumas congregações adotar um nome religioso, diferente do nome de batismo.  

Com quinze anos de idade entrou para a Ordem dos Cônegos regulares de Santo Agostinho e foi ordenado sacerdote, com 24 anos de idade, tendo feito filosofia e teologia. Mas, ao conhecer a família dos franciscanos e o testemunho dos mártires no Marrocos, se encantou pelo estilo de vida deles, despojados de todos os bens e vivendo da caridade divina. Santo Antônio então deixou os Agostinianos e abraçou a vida de pobreza dos franciscanos. 

Escolheu o nome de Antônio em homenagem a Santo Antão, grande monge eremita que viveu no Egito. Logo que entrou na Ordem Franciscana foi enviado para o Marrocos. Santo Antônio ficou muito doente e teve que voltar, mas o que parecia ser um mal, se tornou em bem, pois, tendo aportado no sul da Itália e depois chegado a Assis, Antônio foi ao encontro de São Francisco e posteriormente foi autorizado para ensinar aos frades as ciências teológicas desde que não atrapalhassem aos irmãos de viverem o santo Evangelho.  

Santo Antônio, à semelhança de muitos padres da idade média deixou muitos escritos que edificam a vida de fé dos fiéis e os aproximam mais de Jesus Cristo. Através de suas pregações Santo Antônio ajudava a combater as seitas dos Cátaros e Albigenses, os quais viviam uma falsa doutrina de pobreza. Além de exímio pregador, Santo Antônio passava horas no confessionário atendendo os fiéis, ou seja, Santo Antônio vivia intensamente aquilo que pregava, vivia literalmente o Evangelho.  

São Francisco nomeou Santo Antônio como o primeiro leitor de teologia da ordem. Em seguida, o mandou a se especializar em teologia para ensinar os seus alunos e pregar ainda melhor. Tinha ocasiões que juntavam cerca de 30 mil pessoas para escutá-lo e muitos milagres aconteciam.  

Santo Antônio continuou vivendo da pregação da palavra, atendendo confissões, servindo aos mais pobres e vulneráveis da sociedade e cooperando em tudo com os seus irmãos franciscanos, até ocupando altos cargos dentro da congregação. Santo Antônio morreu jovem com apenas 36 anos de idade, em 13 de junho de 1231, e, a exemplo da maioria dos santos, a Igreja celebra o dia da festa de Santo Antônio no dia de sua morte como o verdadeiro dia do nascimento. Santo Antônio foi sepultado no quinto dia após a sua morte, depois de uma longa decisão de onde seu corpo seria enterrado. Foi carregado em grande procissão até a Igreja de Santa Maria em Pádua.  

Devido à grande devoção popular que surgiu logo após a sua morte e inúmeras pessoas que acorriam ao seu túmulo para rezar e levar flores, além de milagres que começavam a acontecer ele foi canonizado logo, apenas um ano após a sua morte: o Papa Gregório IX o canonizou um ano depois. 

Santo Antônio é considerado protetor dos pobres e das coisas perdidas. Ele fez muitos milagres ainda em vida, o que contribuiu também para que logo fosse canonizado. Durante as suas pregações nas praças e Igrejas, muitos cegos, surdos e coxos ficavam curados. Redigiu sermões e tratados sobre a quaresma e os Evangelhos, que estão impressos em dois grandes volumes de sua obra.  

Em 1934 ele foi declarado padroeiro de Portugal e em 1946 foi proclamado Doutor da Igreja pelo Papa Pio XII. A língua de Santo Antônio que ficou intacta está exposta na Basílica de Santo Antônio em Pádua. É a prova de mais um milagre em favor do santo e que sua pregação era inspirada por Deus.  

Celebremos com alegria a memória litúrgica de Santo Antônio e peçamos a ele paz e proteção e que nunca falte em nossa mesa o pão de cada dia e que possamos sempre reparti-lo com os mais pobres. Cuidemos de anunciar a Palavra de Deus com amor, do mesmo modo que Santo Antônio fez.  

 

Dom Aloísio Alberto Dilli
Bispo de Santa Cruz do Sul (RS)

 

 

Cada um dê conforme tiver decidido em seu coração, sem pesar nem constrangimento, pois ‘Deus ama a quem dá com alegria’” (2Cor 9,7) 

Em nome de todos os atingidos pela tragédia do excesso de chuvas e suas consequências no RS, sobretudo em nome dos que estão sendo ou serão auxiliados em nossa Diocese de Santa Cruz do Sul, vos saudamos como irmãos e irmãs, desejando Paz e Bem. 

Assim que as chuvas e enchentes, com suas consequências, foram acontecendo no RS, o apelo à solidariedade (caridade) também se fez sentir, e de muitas formas. Cada um começou a se manifestar, segundo sua possibilidade e generosidade: Alguns ajudaram a salvar vidas; outros deram abrigo a pessoas atingidas pela água; inúmeros ofereceram alimentos, roupas, material de higiene, enfim, o que era mais urgente para cada situação. Em pouco tempo se formou uma corrente de solidariedade humana, para nós, fundamentada na fé e na esperança cristã. As mãos erguidas em súplica, também se estenderam para os lados, onde encontraram os necessitados que precisavam de inúmeras formas de ajuda, em quase todo Estado do Rio Grande do Sul, de forma bem urgente também em nossa diocese, seja nas Paróquias do Vale do Taquari como no Vale do Jacuí.  

Entre as muitas formas de solidariedade, também encontramos o remédio da escuta, da palavra amiga, do abraço consolador, da lágrima silenciosa, da prece compartilhada, do olhar compassivo e caridoso. 

Finalmente, não poderia faltar a ajuda de recursos financeiros que, somados à responsabilidade do bem público, podem contribuir para aliviar as necessidades mais imediatas e para recuperar a esperança de quem precisa recomeçar. Sim, é tempo de esperançar! E cada um pode e deve fazer a sua parte.  

A transparência nas informações é um direito que os doadores merecem da parte de quem aplica os valores coletados. Doações sempre são ‘sagradas’, pois é preciso respeitar as intenções de quem doa. Aqui se trata de solidariedade, de caridade. Assim sendo, as contas da Diocese de Santa Cruz do Sul coletaram, até o dia 03/06/2024, o valor de R$ 891.877,52. Deste total, até agora, foram aplicados 28.834,95. Ainda estamos na fase de contatos presenciais e de telefone para um amplo levantamento das necessidades mais urgentes em nossas paróquias. Os valores serão destinados prioritariamente para as comunidades e seus membros participantes e mais atingidos. Os gastos se concentrarão para a aquisição de eletrodomésticos, móveis e outros utensílios de necessidade básica, quando as pessoas retornam para suas casas ou precisam recomeçar tudo, em outro lugar. Se possível, a aquisição dos produtos se fará em empresas de nossas próprias comunidades ou cidades que, em muitos casos, também precisam de recuperação ou podem facilitar os valores e o transporte. 

Para concluir, é preciso externar um profundo agradecimento a todas as pessoas, que se solidarizaram com os necessitados e às que ainda ajudam ou ajudarão, sejam de nossa diocese ou de outras. Muitas já manifestaram atitudes heroicas e solidárias de defesa da vida e de sua dignidade; que se uniram em oração pelos atingidos e doaram bens materiais ou valores monetários significativos para esperançar quem precisa continuar a luta da vida ou recomeçar tudo de novo. Outros sentir-se-ão convocados a seguir auxiliando os que sofrem. O amor ao próximo, a caridade, é o ato mais nobre que a pessoa humana pode realizar. O verdadeiro amor é divino, pois é dom de Deus. Ele o merece sempre e nós todos o precisamos nas diversas situações da vida, como agora na tragédia climática que estamos vivendo. Por isso, continuemos a amar e a esperançar! 

 

Dom Leomar Brustolin
Arcebispo de Santa Maria (RS)

 

A Declaração Dignitas Infinita propõe que a Igreja e toda as pessoas de boa vontade reflitam sobre as graves ameaças à vida e à dignidade humana que se difundem nas mais diversas realidades. Alertar sobre essas situações pode nos ajudar a revisar nossa forma de viver e conviver onde estamos.  

Uma das ameaças são os abusos sexuais, que sempre deixam profundas cicatrizes nas vítimas, que se sentem feridas em sua dignidade humana. Alguns sofrimentos podem durar toda a vida. Esse fenômeno está difuso na sociedade, e também a Igreja tem se empenhado para colocar fim a todo tipo de abuso que possa ocorrer ou tenha ocorrido em seu interior. Certamente essa chaga é um obstáculo da missão de anunciar o Evangelho.  

Outra ameaça se percebe nas violências contra as mulheres. A Declaração denuncia que as desigualdades entre mulheres e homens são gravíssimas. E cita o Papa Francisco quando afirma: “são duplamente pobres as mulheres que sofrem situações de exclusão, maus tratos e violência, porque muitas vezes se encontram com menores possibilidades de defender os seus direitos”.  E o texto sustenta também que a violência contra as mulheres, e especialmente o feminicídio, jamais serão condenados o suficiente. 

A Declaração também se dedica a reprovar com veemência o aborto como grande ameaça à dignidade humana. Recupera-se uma afirmação do Papa São João Paulo II, quando afirmou: “entre todos os delitos que o homem pode cometer contra a vida, o aborto procurado apresenta características que o tornam particularmente grave e deplorável. (…)  A aceitação do aborto na mentalidade, no costume e na própria lei é sinal eloquente de uma perigosíssima crise do senso moral, que se torna sempre mais incapaz de distinguir entre o bem e o mal, mesmo quando está em jogo o direito fundamental à vida. Diante de uma tão grave situação, é preciso mais que nunca ter a coragem de encarar a verdade e de chamar as coisas pelo seu nome, sem ceder a compromissos de comodidade ou à tentação do autoengano. A tal propósito, ressoa categórica a denúncia do Profeta: “Ai daqueles que chamam de bem o mal e o mal de bem, que mudam as trevas em luz e a luz em trevas” (Is 5, 20). 

Para a Declaração, reforçando o ensinamento da Igreja, as crianças nascituras são as mais indefesas e inocentes de todas, às quais hoje se quer negar a dignidade humana para poder fazer delas o que se quer, tirando delas a vida e promovendo legislações que matam. E o texto menciona o exemplo generoso e corajoso de Santa Teresa de Calcutá pela defesa de todo o concebido. 

Outra tomada de posição clara trata da maternidade sub-rogada, através da qual a criança torna-se mero objeto. E menciona-se uma forte afirmação do Papa Francisco:  “considero deplorável a prática da assim chamada maternidade sub-rogada, que lesa gravemente a dignidade da mulher e do filho. Essa prática se funda sobre a exploração de uma situação de necessidade material da mãe. Uma criança é sempre um dom e nunca objeto de um contrato. Faço votos, portanto, que haja um empenho da comunidade internacional para proibir em nível universal tal prática.” A Igreja sabe que muitos se acostumaram com a expressão “barriga de aluguel”, mas os que seguem Jesus Cristo compreendem o quanto isso afronta totalmente a dignidade fundamental de todo ser humano, e o seu direito de ser sempre reconhecido por si mesmo, e não como instrumento para outros fins. 

 

 

 

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