Artigos dos bispos

Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ) 

 

Celebramos, neste dia 2 de fevereiro, a Festa da Apresentação do Senhor e, por ocasião dessa festa, unimo-nos em oração pela vida dos religiosos e consagrados. Os religiosos e consagrados são como a luz das velas que acendemos no dia de hoje: iluminam a vida dos fiéis e rezam pelo Papa, pelos bispos, sacerdotes, seminaristas e pelas demais necessidades da Igreja. 

Já rezamos pelos consagrados e religiosos no terceiro domingo de agosto, dentro da perspectiva do mês vocacional, mas, no dia da Apresentação do Senhor, também somos convidados a rezar de modo especial. A presença dos religiosos anima a Igreja e encoraja a todos nós a nos consagrarmos ao Senhor de todo o coração. A beleza da Igreja reflete-se na vida consagrada. Rezemos para que não faltem vocacionados e vocacionadas com o desejo de ingressar em uma congregação religiosa. 

Rezemos pelas diversas congregações presentes em nossas comunidades com suas vidas e obras. Em muitas paróquias, os religiosos são responsáveis pela animação pastoral; em outras comunidades, atuam como catequistas, ministros da Palavra, ministros extraordinários da Sagrada Comunhão e em tantos outros serviços prestados à comunidade. Que, por meio desta festa de hoje, se fortaleça o espírito de unidade na Igreja. 

Cada congregação religiosa possui sua missão e seu carisma específicos e, por meio deles, aproxima as pessoas de Deus e leva o amor de Jesus. Realizam a missão em nome da Igreja e vivem e anunciam que todos são um.  

Toda vocação é sinal do amor de Deus; é um chamado do Senhor ao qual respondemos com alegria por meio do nosso “sim”. Independentemente de ser vocação religiosa ou não, qualquer carisma enriquece a Igreja. É por meio das vocações que a missão da Igreja de anunciar Jesus Cristo e edificar o Reino de Deus aqui na terra continua. 

Este dia especial de oração pela vida consagrada e religiosa foi instituído com o objetivo de valorizar o testemunho de tantas pessoas jovens, moças e rapazes, que, por meio dos conselhos evangélicos da pobreza, castidade e obediência, se dedicam plenamente ao seguimento de Cristo. Como destacava o saudoso Papa São João Paulo II, trata-se também de uma ocasião para que os consagrados renovem seus propósitos e votos e se fortaleçam no chamado que receberam, aproveitando este dia para, diante do Senhor, renovarem os votos de pobreza, castidade e obediência feitos no dia de sua consagração. É também um dia de alegria, de confraternização e de fortalecimento do sentido de pertença à comunidade. 

Conforme já dissemos, esta celebração é um convite à reflexão sobre os rumos da vida religiosa no mundo, rezando ao Senhor da messe e pedindo mais operários para a messe, pois a missão não pode parar. É, antes de tudo, um dia de oração: em primeiro lugar, agradecendo ao Senhor pela presença dos religiosos na Igreja; em segundo, pedindo mais vocações e a perseverança daqueles que foram chamados. Por isso, essa celebração convida a Igreja a reconhecer a importância de todas as formas de vida consagrada: Institutos Religiosos, Sociedades de Vida Apostólica, Institutos Seculares, Ordem das Virgens, eremitas, entre outros. 

Esta celebração foi escolhida para um dia muito significativo, em que a Igreja celebra a Festa da Apresentação do Senhor. Peçamos a graça de Deus para que todos os religiosos e religiosas, neste dia, se apresentem diante do Senhor e renovem o compromisso de amar e servir os irmãos. E que cada batizado e batizada possa ir ao encontro do Senhor com suas velas acesas. 

Segue abaixo a oração que podemos rezar neste dia por todos os religiosos, religiosas e consagrados, pedindo a perseverança em suas vocações e a total entrega ao Senhor, bem como o surgimento de novas vocações. 

Oração pelos consagrados 

Deus Pai, que iluminastes o mundo com a vinda do vosso amado Filho e que enriqueceis a vossa Igreja com diversos carismas e ministérios, olhai por todos os que desejam dedicar-se ao vosso Reino. Enviai muitas e santas vocações à vida consagrada, despertando no coração dos nossos jovens o desejo de se entregarem totalmente a Vós. Renovai, pela força do vosso Santo Espírito, o ardor missionário dos consagrados e consagradas que se comprometeram convosco por meio dos votos de pobreza, castidade e obediência, nas diversas formas de vida e apostolado. Que continuem iluminando o mundo com o seu testemunho de vida, sendo sinais de amor e esperança no serviço aos irmãos e irmãs, sobretudo aos mais necessitados. Maria, modelo de vida consagrada e companheira de nossa caminhada, amparai, protegei e animai os consagrados e consagradas, para que, inspirados no vosso exemplo, renovem hoje e sempre, com alegria e entusiasmo, o seu “sim” a Deus.  

Amém! 

 

 

Dom Roberto Francisco Ferreria Paz
Bispo de Campos (RJ)

“A falta de habitação, é uma questão central da ecologia humana, pois afeta a dignidade das pessoas e o desenvolvimento das familias” LS 152, Papa Francisco

 

A Campanha da Fraternidade 2026 terá como tema Fraternidade e Moradia, iluminada pelo texto evangélico: “ Ele veio morar entre nós” (Jo ,14). O objetivo central focalizará dentro do espírito de coversão quaresmal, a necessidade de responder ao grave desafio social de fazer acontecer e garantir o direito à moradia digna, junto aos demais bens e serviços essenciais a toda população.  

Os objetivos específicos aprofundando o olhar vão trazer a consideração, as raízes históricas e as causas de moradia precária ou mesmo a carência de teto que faz sofrer a milhões de brasileiros.  

A falta de políticas públicas sistemáticas e eficientes e iniciativas da sociedade civil para promover soluções de habitação popular digna e decente para os que carecem de teto. O conhecimento e aplicação transformadora do ensino social da Igreja para fazer valer o lema: “nenhuma família sem teto, trabalho e terra”.  

O fortalecimento das pastorais sociais em especial da Pastoral da Moradia e das Favelas intensificando a presença e o compromisso social libertador que envolve, evangeliza e empodera aos excluídos.  

Junto aos movimentos sociais, ambientais, a sociedade civil como um todo, que consigamos inspirar e lutar pela aprovação de leis municipais, estaduais e federais que impulsionem a construção de moradias populares, garantindo o direito de ser cidade para todos(as).  

É impottante como afirma Fábio Paes Coordenador da Revista Casa comum, que sem lar não há Casa Comum, que empenhar-se em efetivar direito à moradia digna do povo, é defender a Terra, o equilíbrio ambiental e a saúde do planeta pois não há ecologia integral, sem ecologia humana, sem proteger a família e seu desenvolvimento.  

O direito à moradia é a entrada de todos os direitos, a política social prioritária e fundamental, uma vez que sem ela não teremos uma cidade justa, fraterna e equitativa. Torna-se necessário nesta caminhada de conversão quaresmal que nos leva amar ao próximo com ternura e compaixão, comprometer-nos a nível pessoal, comunitário e social com os irmãos/ãs que carecem de habitação, moradia digna, espaço para conviver como família.  

Neste ano de eleições nacionais, coloquemos este tema como critério de escolha e discernimento do nosso voto. Seguindo a Jesus o Bom Pastor que veio para que todos tenham vida em abundância e que armou sua tenda no meio de nós, tornemos o nosso coração a casa e o lar dos pobres, dos sem teto, dos refugiados, dos que vivem debaixo das pontes ou em lugares precários e inóspitos. Deus seja louvado! 

 

Dom José Gislon
Bispo de Caxias do Sul (RS)

 

 

Estimados irmãos e irmãs em Cristo Jesus! Na sua missão de anunciar o Reino de Deus, andando à beira do mar da Galileia, Jesus viu dois irmãos: “Simão, chamado Pedro, e seu irmão André. Estavam lançando a rede ao mar, pois eram pescadores. Jesus disse a eles: ‘Segui-me, e eu farei de vós pescadores de homens’” (Mt 4,18-19). Jesus chamou os discípulos e a resposta deles foi imediata: “deixaram as redes e o seguiram” (Mt 4,20). 

Seguir Jesus como discípulo requer disponibilidade de coração para aceitar desafios, mesmo diante das incertezas. “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (Mt 16,24). Isso é muito mais do que caminhar atrás de Jesus, é assumir um compromisso de estar com ele, amá-lo e anunciá-lo ao mundo. 

Jesus viveu a sua missão de anunciar o Reino de Deus na realidade da estrutura social e familiar do seu tempo. Mas, à luz da proclamação do Reino de Deus, começa a surgir uma nova família, não uma família particular, mas a família de Deus, unida pela fé. Nessa nova família, os novos laços familiares, marcados pela adesão à Cristo, como discípulos, estão abertos a todos os seres humanos, independente da nacionalidade, da cultura ou raça. A nova família cristã não difere só dos padrões convencionais de vida familiar, mas está aberta a novas formas de respeito, marcadas pelo amor, atenção e cuidado da vida, nas relações humanas.  

O cristianismo deu espaço a uma nova forma de família, formada por laços de fé. Esta não prescinde da família como unidade básica em que se aprende a prática do amor a Deus, ao próximo e a si mesmo, mas é a que mais bem representa a natureza, extensão e qualidade dessa nova vida familiar. Nessa nova família Deus é o verdadeiro Pai, mas não um Pai que se impõe pelo poder, mas pelo amor, pela misericórdia e compaixão pelos seus filhos. 

O Papa Francisco, no Congresso internacional sobre a catequese, dizia: “quem coloca no centro da própria vida Cristo, se descentraliza! Quanto mais você se une a Jesus e Ele se torna o centro da sua vida, mais Ele o faz sair de si mesmo, o descentraliza e o abre aos outros. Esse é o verdadeiro dinamismo do amor, esse é o movimento de Deus! Deus é o centro, mas é sempre dom de si, relação e vida que se comunica”. 

Queridos irmãos e irmãs! Se permaneceremos unidos a Cristo, Ele nos faz entrar nesse dinamismo de amor. Onde existe uma verdadeira vida em Cristo, existe a abertura para o outro, existe a saída de si para abraçar o discipulado e colocar-se a serviço do Evangelho, para ir ao encontro do outro em nome de Jesus Cristo.  A cultura da indiferença, tão presente nas relações familiares e comunitárias, não nos fala do amor, da paixão e da ternura de Deus. Não nos ajuda a percorrer o caminho do encontro com o Mestre Jesus, para ouvirmos as suas palavras. “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (Mt 16,24.