Artigos dos bispos

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Cardeal Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ)

 

O segundo domingo de maio propõe à sociedade uma pausa obrigatória e reflexiva sobre a pedra angular da civilização humana: a maternidade. O mercado e o calendário civil transformam a data em um gigantesco evento comercial, mas a Igreja Católica resgata o sentido ontológico, teológico e sagrado desta vocação. A maternidade ultrapassa largamente o mero processo biológico de reprodução da espécie. Ela constitui uma cooperação direta, tangível e sublime com o próprio ato criador de Deus. A mãe forja o ser humano em seu ventre e modela o caráter do futuro cidadão e cristão de forma irreversível. O seio materno estabelece o primeiro e mais sagrado santuário da vida humana. A instituição familiar nasce, estrutura-se e sobrevive ao redor da figura materna. Sem a mãe, a humanidade perde o seu porto seguro e a sociedade entra em colapso.

A História da Salvação, minuciosamente documentada na Sagrada Escritura, exibe a força imensurável das mães na condução dos planos divinos. O Antigo Testamento entrega ao mundo exemplos monumentais de mulheres que alteraram o curso da humanidade através de sua maternidade heroica. O Livro do Gênesis apresenta Sara. Ela desafiou a esterilidade, subverteu a lógica biológica humana, acreditou de forma inabalável na promessa divina e gerou Isaac, garantindo assim a continuidade da linhagem da Antiga Aliança. O Primeiro Livro de Samuel destaca a figura extraordinária de Ana. Ela derramou lágrimas amargas no templo de Silo, suportou a humilhação, suplicou a Deus por um filho e cumpriu o seu voto ao entregar o pequeno Samuel para o serviço exclusivo do Senhor. O profeta Samuel, fruto dessa oração materna, ungiu os primeiros reis de Israel e organizou a nação eleita.

O Segundo Livro dos Macabeus descreve a bravura insuperável e quase incompreensível daquela mãe que encorajou seus próprios sete filhos a enfrentarem o martírio brutal e a morte física, apenas para não traírem a lei de Deus diante do tirano. Essa mulher anônima, uma gigante da fé, demonstra que o amor materno autêntico aponta para a vida eterna e repudia a covardia espiritual. O Novo Testamento mantém essa linhagem de mulheres fortes e introduz Isabel no Evangelho de São Lucas. Ela concebeu João Batista na velhice, desafiando novamente os limites da natureza, e proclamou a primeira grande bênção e profissão de fé cristã ao reconhecer, com clareza profética, a presença do Messias no ventre de sua prima.

O ápice absoluto da revelação bíblica, contudo, repousa sobre a Virgem Maria de Nazaré. O sim de Maria rasgou os céus, encerrou séculos de expectativa e trouxe o Verbo de Deus para a imanência da história humana. A maternidade divina de Maria sustenta toda a arquitetura da fé cristã. Ela gerou o Redentor, nutriu o Criador do universo em seus braços e, aos pés da cruz, no momento do abandono e da dor extrema, assumiu a maternidade espiritual de toda a humanidade. A figura de Maria estabelece o padrão definitivo, absoluto e intransponível de amor, sacrifício e doação para todas as mães de todos os tempos. A Igreja Católica orgulha-se de possuir uma Mãe que esmagou a cabeça da serpente e que reina sobre os anjos.

As mães sustentam a fé da Igreja Católica na base, na paróquia e no cotidiano mais oculto. Os grandes tratados de teologia, os documentos conciliares e a estrutura hierárquica dependem umbilicalmente da ação primária, diária e silenciosa das mães no interior das casas. A mulher transmite as primeiras orações, ensina o sinal da cruz, inculca os valores morais inegociáveis e apresenta a pessoa viva de Jesus Cristo aos filhos. A mãe catequiza com a autoridade da própria vida e do próprio exemplo. O Magistério reconhece a família como a verdadeira Igreja Doméstica. Dentro de seus lares, as mães exercem um autêntico e poderoso sacerdócio batismal. Elas purificam a sociedade ao entregarem ao mundo homens e mulheres íntegros, honestos e tementes a Deus. A diocese mais ativa do mundo naufraga rapidamente sem o alicerce sólido construído pelas mães em suas residências.

A modernidade, no entanto, lança ataques ferozes, orquestrados e sistemáticos contra a família e contra a própria essência da maternidade. Ideologias contemporâneas tentam desconstruir o modelo familiar tradicional e tratam a gravidez como um peso indesejado, uma doença ou um obstáculo ao sucesso profissional e à pseudoliberdade individual. A Igreja rechaça essas narrativas destrutivas e mentirosas com vigor absoluto. A família constitui a célula vital, originária e insubstituível da sociedade. O Estado possui a obrigação moral, política e constitucional de proteger a

instituição familiar com todas as suas forças. Políticas públicas falham miseravelmente quando ignoram as necessidades urgentes da mãe trabalhadora, da mãe solo que cria os filhos sem apoio e da mãe que enfrenta a miséria extrema para alimentar sua prole. A precarização econômica castiga duplamente as mulheres, que acumulam jornadas extenuantes no implacável mercado de trabalho e as responsabilidades exclusivas, e muitas vezes solitárias, do lar.

A liderança da Igreja Católica mantém a defesa irrestrita da vida humana e da maternidade como um pilar dogmático e inegociável. O Papa Leão XIV, na condução firme e lúcida do atual pontificado, exige categoricamente dos governos e dos tribunais mundiais a implementação de estruturas reais de proteção à família. O atual Santo Padre denuncia com veemência a mentalidade utilitarista que financia a morte, que descarta as crianças no ventre materno e que abandona as mães à própria sorte nos hospitais e nas periferias. Leão XIV alerta, com razão profética, que uma civilização que não honra, não subsidia e não protege as suas mães assina a própria sentença de morte cultural e demográfica. A defesa integral da vida, desde o momento exato da concepção até a morte natural, exige o amparo absoluto à mulher que tem a coragem de conceber e educar.

A sociedade precisa dobrar os joelhos em sinal de profundo respeito e gratidão diante da figura materna. O amor de mãe reflete, de forma material e concreta, o amor incondicional e misericordioso do próprio Deus pela humanidade. As mães que perdem o sono ao lado do leito dos hospitais, as mães que choram lágrimas de sangue pelos filhos aprisionados no submundo das drogas ou do crime, as mães que dividem o último pedaço de pão no final do mês: todas elas atualizam o sacrifício do Calvário no silêncio ensurdecedor de suas rotinas. A heroicidade anônima e diária dessas mulheres sustenta o tecido social e impede o colapso ético e moral do Brasil. Elas carregam o país nas costas.

Neste Dia das Mães vamos rezar pelas mães que já estão junto de Deus. Elas cumpriram a sua missão sacrossanta de transmitir a fé aos seus filhos e netos e manter a unidade das suas famílias em torno de Cristo e da Igreja.

O Dia das Mães exige muito mais do que presentes perecíveis ou homenagens passageiras e superficiais. A data cobra de cada cidadão um compromisso imediato e efetivo com a defesa da família, com o respeito absoluto à vida e com a promoção da verdadeira dignidade feminina. A Igreja levanta a sua voz, de forma uníssona, para abençoar, exaltar e defender as mães. Que a intercessão soberana da Virgem Maria, a Mãe de Deus e nossa, cubra com o seu manto sagrado todas as mulheres que abraçam a sublime, divina e árdua vocação de gerar e nutrir a vida. Deus abençoe as famílias, sustente as mães em suas batalhas diárias e conceda a paz definitiva aos vossos lares.

 

 

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo de Belo Horizonte (MG)

 

“Meu Pai trabalha até agora e eu também trabalho”, assim disse Jesus, ensinando sobre a condição sagrada do trabalho, que não pode ser reduzido a uma fria variável de planilhas. Especialmente no contexto em que se celebra o Dia do Trabalhador, há de se reafirmar a honradez que advém do trabalho, direito de cada pessoa, caminho para que todos possam ser uns pelos outros, agentes da construção de um mundo mais fraterno, onde o dinheiro não exerça o domínio, mas esteja a serviço da dignidade humana. Especialmente neste tempo, quando surgem muitas formas de inteligência artificial na mesma proporção em que há aumento do número daqueles que são descartados pelo mercado, a humanidade é convocada a meditar e agir para que seja respeitada a honradez do trabalho. Vale acolher a advertência do Papa Leão XIV quando sublinhou que o ser humano é chamado a ser colaborador na obra da criação, não um simples consumidor passivo de conteúdos produzidos por uma tecnologia artificial.

O Papa Leão XIV sublinha que o desenvolvimento da inteligência artificial e, pode-se acrescentar, de tantas outras tecnologias, não constituem um caminho inevitável, como se fosse livre de qualquer influência de questões humanas. A evolução técnica e tecnológica alinha-se com o que sonha e ambiciona a humanidade. Por isso mesmo, quando a evolução das muitas formas de inteligência artificial é orientada por um desejo ilimitado pelo acúmulo de poder e riquezas, cria-se contexto favorável às exclusões, especialmente no campo do trabalho. Cada trabalhador e trabalhadora passa a ser percebido como um fardo a ser eliminado do processo produtivo, em nome do lucro. Essa exclusão é grave, contrária ao projeto de Deus, que deseja uma humanidade em que todos cooperem uns com os outros e com a própria obra da Criação.

A Doutrina Social da Igreja ensina sobre o papel do trabalho na edificação de uma humanidade mais próxima do Reino de Deus, destacando que Jesus orienta os seus discípulos a apreciarem o exercício de tarefas. Jesus condena o servo preguiçoso e indolente. Em contrapartida, elogia o servidor fiel que cumpre suas obrigações e tarefas. Importante refletir sobre as lições que emanam dos Evangelhos ao testemunhar que o próprio Jesus, em grande parte da sua vida terrena, esteve ao lado de São José, seu pai adotivo, exercendo o ofício de carpinteiro. Deve-se, pois, renovar sempre esta convicção apresentada na Doutrina Social da Igreja: exercer um ofício refere-se à participação do homem na obra de Deus, não só da Criação, mas também da redenção e resgate de toda a humanidade.

Oportuno lembrar que a Igreja Católica, mãe e mestra, celebra, no dia primeiro de maio, São José Operário, que transmite com a sua fé, a sua simplicidade, o valor do trabalho para cada família. A partir do ofício de carpinteiro, São José garantiu o sustento de seu lar, o amparo do Menino Jesus e de Maria Santíssima.

O trabalho insere-se no cotidiano da Sagrada Família. Um trabalho que, no mundo contemporâneo, é frequentemente desvalorizado, quando comparado àqueles que exigem formação acadêmica, ou se desenvolvem em sofisticados escritórios. Ao abraçar o projeto de Deus, São José consolida a compreensão de que todo trabalho é digno e nobre, essencial ao ser humano e às famílias, devendo ser vivido com responsabilidade, dedicação e a consciência de sua importância para a vida social. Não pode, pois, ser simplesmente mensurado por cifras, reduzido a cálculos, mas interpretado a partir do seu valor antropológico, transcendente, essencial para que cada pessoa encontre o sentido de sua própria existência.

Para além de movimentações financeiras, o trabalho é elemento constituinte de identidades, da própria condição humana. O reconhecimento dessa dimensão subjetiva se expressa na consideração da importância singular de cada trabalhador e trabalhadora. Pelo trabalho, pode-se contribuir com o bem do semelhante, de uma comunidade. Na tradição da fé cristã, trabalhar significa participar do governo de Deus no mundo em que vivemos. Isto significa que a motivação para exercer uma profissão não pode se limitar à conquista do próprio sustento, mas contemplar uma dimensão solidária, altruísta, que considera a vida do semelhante. Da mesma forma, líderes, empreendedores, particularmente aqueles que patrocinam o desenvolvimento das novas tecnologias, das inteligências artificiais, precisam exercer a sua vocação de modo solidário, para que investimentos não busquem apenas acúmulos egoístas, com consequentes exclusões. Ao invés disso, aqueles que têm mais responsabilidade são convocados a construir caminhos de inclusão, especialmente no mundo do trabalho.

“O trabalho justo coloca a pessoa acima do lucro”, sublinha o Papa Leão XIV, acrescentando que toda atividade trabalhista deve ter como centro a dignidade da pessoa humana e da família, e não o lucro ou as leis do mercado. As celebrações de São José Operário e do Dia do Trabalhador permitam à humanidade avançar na consideração da honradez inerente ao trabalho, vencendo perspectivas restritas a interesses egoístas, com a força de uma luminosidade que vem da fé.

 

 

Dom Leomar Antônio Brustolin
Arcebispo Metropolitano de Santa Maria (RS)
Presidente da Comissão Episcopal para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB

 

Há momentos na vida da Igreja em que é preciso parar e perguntar: afinal, para que existimos? Não para manter estruturas, nem apenas para organizar atividades, mas para algo muito mais profundo e decisivo: anunciar Jesus Cristo.

As novas Diretrizes recordam isso logo no início: a missão recebida de Jesus é clara — “Proclamai o Evangelho” (Mc 16,15). Não é uma opção entre tantas. É a identidade da Igreja. Tudo o que somos e fazemos precisa nascer dessa fonte. Quando isso se perde, a pastoral se torna pesada, repetitiva e sem força transformadora.

Mas há um detalhe importante que o texto nos ajuda a perceber: evangelizar não é apenas falar de Deus. É testemunhar a misericórdia que recebemos. Antes de anunciar, a Igreja experimenta. Antes de ensinar, ela acolhe. Isso muda tudo. O anúncio deixa de ser teoria e passa a ser vida compartilhada.

Outro ponto decisivo é este: Jesus Cristo não é apenas o conteúdo da evangelização — Ele é o próprio Evangelho. Isso significa que evangelizar não é transmitir uma mensagem distante, mas tornar presente uma pessoa viva. Jesus continua a caminhar, a falar, a curar, a acolher — agora através da Igreja.

E como Ele evangeliza? As Diretrizes são muito concretas: com palavras e gestos. Ele anuncia o Reino, mas também se aproxima, serve, toca as feridas, busca quem está perdido. Não exclui ninguém. Vai ao encontro de todos. Esse estilo não é secundário — é o próprio caminho da Igreja hoje.

Por isso, as Diretrizes insistem: não basta repetir métodos antigos. Estamos diante de uma mudança de época. O mundo mudou, as perguntas mudaram, e a forma de anunciar também precisa ser renovada. Mas sem perder o essencial: o centro continua sendo Jesus.

Há ainda um chamado forte à conversão. Não apenas pessoal, mas também das relações, dos processos e dos vínculos. Em outras palavras: não basta querer evangelizar, é preciso mudar o modo de ser Igreja. Torná-la mais aberta, mais acolhedora, mais próxima, mais sinodal.

A imagem da “tenda” ajuda a entender isso. Uma Igreja que não é fechada, mas que se alarga. Que escuta mais. Que acolhe melhor. Que permanece firme na fé, mas com as portas abertas para todos.

No fundo, a Introdução das Diretrizes nos coloca diante de uma pergunta simples e exigente: estamos realmente anunciando Jesus ou apenas mantendo a Igreja funcionando?

Se voltarmos ao essencial, tudo se reorganiza. A fé ganha vida. As comunidades se tornam mais missionárias. E a Igreja volta a ser aquilo que sempre foi chamada a ser: sinal vivo do amor de Deus no mundo.