Os catequistas desempenham um papel fundamental na vida da Igreja: a promoção da Iniciação à Vida Cristã e transmissão dos ensinamentos da fé, tanto para crianças como para adultos que buscam se aprofundar na compreensão da doutrina religiosa e cristã. No estande da Edições CNBB é possível encontras as publicações
O bispo de Carolina (MA) e coordenador do grupo de Análise de Conjuntura da CNBB, dom Francisco Lima Soares, e o coordenador do Tema Central da 61ª AGCNBB, dom Leomar Brustolin, falaram com os jornalistas hoje sobre os temas da análise de conjuntura social e o tema central da 61ªAGCNBB: as diretrizes da evangelização
O bispo auxiliar de Cusco e secretário-geral do Conselho Episcopal Latino Americano e Caribenho, dom Lizardo Estrada, está participando da 61ª Assembleia Geral, que acontece em Aparecida de 10 a 19 de abril. O bispo concedeu uma entrevista à equipe de Comunicação da 61ª AGCNBB na qual destacou o processo de sinodalidade vivido no Brasil e na América Latina

ARTIGOS DOS BISPOS

 Dom José Gislon
Bispo de Caxias do Sul (RS) 

 

Estimados irmãos e irmãs em Cristo Jesus! Na nossa peregrinação de filhos e filhas para a casa do Pai, podemos ter sempre aquela esperança de que o sono da morte não conhece a eternidade, porque a eternidade Deus reservou para a vida, através da ressurreição, da qual o Senhor Jesus nos dá testemunho. Ele vive e é luz a iluminar a nossa vida, nos passos do dia-a-dia. 

Na vida de fé, a Páscoa faz renascer o canto da beleza do amor, reacende a vida contra toda lógica de morte. A Páscoa nos chama a ressuscitar, a levantar e a combater, dentro de nós, o duelo de vida e morte, resignação e esperança. Porque na Páscoa renasce a esperança: a vida venceu, e a morte prepotente foi derrotada! Em mim e em cada um de vocês, no santo e no pecador, no rico e no pobre mendigo, na vítima e no carrasco, porque tem o Cristo Jesus, que renasce e nos arrasta para o alto, com a força da luz redentora de Deus. 

Na Páscoa celebramos a ressurreição de Jesus, como um acontecimento extraordinário. Mas para viver e celebrar a vida nova em Cristo, no cotidiano, é preciso acreditar, é preciso ter fé. Porque somente o amor pode ver o invisível, somente a fé pode crer no incompreensível, somente a esperança torna a vida possível. Por isso, devemos deixar de lado o medo de amar e acolher Jesus ressuscitado, em nossa vida e em nossas famílias. Devemos tirar as pedras que bloqueiam a porta do nosso coração, para que o ressuscitado possa aí entrar e conosco viver, iluminando nossa vida e guiando nossos passos. Sem ele viveremos no medo, na escuridão, no abandono, sem o amor, a fé e a esperança, que alimentam e dão sentido a nossa vida. 

Devemos acreditar que realmente somos amados pelo Senhor Jesus, porque sem a dimensão do amor, os gestos e a entrega da vida de Jesus não teriam sentido, seria pura loucura. Por isso, a ressurreição do Senhor Jesus, que celebramos na Páscoa, deve despertar no nosso coração a aurora da esperança, para voltarmos a cantar o canto da reconciliação e da caridade, elevando a Deus um hino de alegria, que nasce de um coração libertado. 

Que a vida nova, que brota do Cristo ressuscitado, liberte o nosso coração do vazio, da falta de amor, do medo e das angústias. Que o Ressuscitado toque a nossa vida, cure as nossas feridas, fortaleça a nossa fé, para vivermos como novas criaturas, na caridade, no amor e na sinceridade. Porque mesmo vivendo sobre a terra, estamos em real comunhão com Jesus, que ressuscitou está no céu, à direita do Pai. 

 

 

 

 

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo de Belo Horizonte (MG) 

 

Os bispos da Igreja Católica no Brasil estão reunidos celebrando a 61ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), nos átrios e no coração do Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida – Padroeira do Brasil. A Assembleia, assim, é emoldurada pelos ares da devoção simples, autêntica e fecunda do povo, apontando o centro do mistério do amor maior, Cristo Jesus, revelação da fonte da unidade.  A Assembleia Geral possibilita cultivar o imprescindível zelo pela unidade, contribuindo para que diferenças enriqueçam respostas novas e adequadas na vivência da fé, no caminho de promoção da vida. O sentido e alcance da unidade alicerçam a comunhão, que não pode ser confundida com a uniformidade. Na catolicidade da Igreja, a unidade faz das diferenças uma riqueza, não permitindo a alimentação de disputas ou divisões – contramão do Evangelho de Jesus Cristo.  

A CNBB, no caminho missionário da Igreja Católica no Brasil, tem incontestável importância por sua história de serviços eclesiais e missionários, com notável atuação na esfera pública, articulando os compromissos da fé com a vida dos brasileiros. Contemplar e reconhecer a história de serviços da CNBB é exercício importante para superar o risco de compreensões enviesadas, que levam alguns a formularem juízos injustos, inadequados e, até memo, a agir com hostilidade. Juízos e reações distanciados de práticas alicerçadas na unidade, desconsiderando a comunhão essencial ao diálogo permanente. Quem se distancia da unidade e da comunhão se enjaula nas estreitezas da própria mentalidade e, não raramente, nos limites dos próprios interesses. Por isso, a Assembleia Geral da CNBB, grande celebração vivenciada pelos bispos no Santuário de Aparecida, merece ser acompanhada a partir de justo entendimento, para que todos sejam capazes de contribuir com o fortalecimento do caminho missionário da fé cristã católica no Brasil.  

O horizonte comum da Assembleia Geral dos Bispos do Brasil é a espiritualidade, com a oração ocupando lugar especial no cronograma diário do encontro – vários momentos, cada um com características singulares, mas todos marcados por muita densidade espiritual, fonte de fortalecimento para o pastoreio, nos mais diversos lugares desta nação continente. O pastoreio exige competência humana e espiritual, pede igualmente um olhar lúcido sobre as realidades brasileira e mundial, que exigem respostas à altura do anúncio do Reino de Deus. Diante dessa complexa necessidade, a Assembleia se dedica a uma pauta extensa, para contribuir com o serviço missionário da Igreja no Brasil e ajudar a sociedade no enfrentamento de seus problemas – compromisso de quem vivencia autenticamente a fé cristã católica.  Os discípulos de Jesus precisam ajudar a sociedade a se tornar mais justa e solidária, combatendo cenários que afrontam as lições do Mestre.  

A missão dos bispos, primeiros servidores do povo de Deus na Igreja, requer o fortalecimento e a qualificação experimentados na integração à CNBB que promove, com a sua Assembleia Geral, o maior encontro entre seus membros. Os bispos não se congregam como um clube de amigos, um sindicato ou uma organização que busca a defesa dos próprios interesses. A partir do zelo pela unidade, cultivado no afeto, exercitado nos diálogos, intercâmbios, cooperações, partilhas, os bispos avançam em temáticas essenciais, a exemplo da defesa dos pobres, a construção de uma sociedade justa e solidária, condizente com as raízes místicas da espiritualidade no seguimento de Jesus. Do compromisso de seguir Jesus, nasce e se alimenta o valor evangélico da comunhão, com propriedades para estimular a participação e conferir o vigor necessário à missão, alcançando novos areópagos e, sobretudo, o coração de homens e mulheres.   

O olhar de toda a Igreja e da sociedade, dirigido à Assembleia Geral da CNBB, seja iluminado, para que se possa reconhecer: os bispos foram constituídos, pelo Espírito Santo, como verdadeiros e autênticos mestres, pontífices e pastores, conforme ensina o documento do Concílio Vaticano II sobre o ministério episcopal na Igreja. Quando se alcança essa compreensão, debela-se todo tipo de oposição intempestiva ou de reações que tentam obstruir caminhos importantes para a missão da Igreja no Brasil. A participação e contribuições de todos que fazem parte do povo de Deus são imprescindíveis, em diálogo e comunhão com os bispos, qualificando a vivência da fé, a partir do adequado exercício da cidadania civil e também da cidadania do Reino de Deus. De modo especial, todos possam compreender sobre a importância dos bispos se congregarem para zelar pela unidade, fonte de comunhão, iluminados pelo desejo que Jesus expressa em oração a Deus pelos apóstolos – aos quais os bispos sucedem na continuidade da missão da Igreja. Em sua prece, o Mestre pede para que “todos sejam um” e “para que o mundo creia”. Assim, quando o povo de Deus avança no zelo à unidade, cada bispo, no serviço à sua diocese, se fortalece na condição de servo, testemunha e profeta, para anunciar ao mundo a esperança. 

 

Dom Jacinto Bergmann
Arcebispo de Pelotas (RS)

A hermenêutica do dom concerne toda a realidade da pessoa. Não podemos compreender e afirmar a pessoa prescindindo da lei do dom. 

A sociedade, na qual a lei do dom é enfraquecida, ela se torna uma sociedade desumana. Em geral podemos dizer que a vida social do gênero humano é organizada segundo duas leis fundamentais: a lei do mercado e a lei do dom. 

Segundo a lei do mercado, um deve pagar o preço estabelecido para os bens e os serviços que necessita. A troca dos bens que se chama “livre mercado” se apoia sob essa lei. Quando vou para um “negócio”, não posso pretender que as coisas me sejam dadas gratuitamente; devo pagar o seu equivalente estipulado pelo vendedor. 

Ao contrário, na vida humana existem bens que pela sua natureza não podem ser nem vendidos nem comprados. Tais bens podem ser somente dados gratuitamente 

O primeiro desses bens é a própria pessoa humana. A pretensão de vender ou comprar a pessoa humana (infelizmente realizada na história) está em direta contradição com aquilo que cada pessoa é: “Imagem e semelhança de Deus”. À pessoa são constitutivas as estruturas de auto possessão e autodeterminação. Justamente por causa dessa sua estrutura ôntica, somente a pessoa interessada pode doar a si mesma enquanto ela não pode ser dada e nem tampouco vendida por nenhum outro. O mesmo se refere ao corpo humano enquanto sinal da pessoa humana – não é lícito vender ou comprar o corpo da pessoa, porque isso significaria vender ou comprar a própria pessoa. 

Outro dom que se rege pela lei do dom é o amor. Isso pela sua própria natureza que é sempre doação. A pretensão de comprar ou vender o amor destrói o próprio amor. Não é mais amor o que se vende ou se compra, mas um simulacro. O amor pode ser somente doado gratuitamente. 

A lei do dom pertence ao núcleo do ethos humano. Ela nos defende diante da ameaça, sempre presente na história do homem, de ser reduzido ao estatuto das coisas – ou ao estatuto dos bens que são submetidos à lei do mercado. A consciência moral defende o homem diante de tal perigo. Trata-se não somente de não abaixar os outros ao nível das coisas, mas também de não aceitar de ser abaixado a tal nível. Isso porque deve ser respeitada a dignidade da pessoa em cada homem e mulher e isso significa que a devo respeitar também em mim, na pessoa que sou eu.  

Tudo isso deixa claro o sentido metafísico do dom, que consiste no doar a existência por parte daquele que é o Absoluto da existência. Visto por essa perspectiva, o próprio homem aparece como dom. Cada pessoa humana é confiável a si mesma como dom. O mais profundo sentido do ethos da pessoa consiste em aceitar o dom, em responder ao dom com a mesma linguagem do doar a si mesma. 

E pela análise filosófica é nos revelada a estrutura por excelência do dom: a estrutura pessoal. Nela podemos distinguir o seu sujeito (que se doa), o seu objeto (a quem é dado o dom) e a relação que o dom estabelece entre o sujeito e o objeto. O sujeito, o objeto e a relação é a pessoa. Somente ela é capaz de compreender e viver o sentido da lei do dom: ato de doar e de responder adequadamente ao dom. E assim, é o dom que estabelece uma relação interpessoal, que se caracteriza pela gratuidade, pela liberdade, pela definitividade, pela totalidade, pela reciprocidade, pela dialética. Essa é a gramática da linguagem do dom. 

É mais que urgente e decididamente necessário a humanidade avivar a lei do dom. Precisamos cultivar o nosso dom do dom. 

 

 

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